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Resultado selecionados Curso de Iniciação à Gestão Cultural em BH e Oficina Modos de Brincar em Itaúna

 

Na próxima quarta-feira (20/03) tem início o Curso de Iniciação à Gestão Cultural do Observatório da Diversidade Cultural, em Belo Horizonte, e também a Oficina Modos de Brincar e Lembrar: o lúdico a memória e a diversidade, em Itaúna. Os resultados das seleções já estão disponíveis abaixo.

Confira a lista com os selecionados para o CURSO DE GESTÃO, em BH:

Ana Flávia Felix
Ana Paula Almeida Rodrigues
Anderson Fernando Vieira Júnior
Ara Gabriele de Paula Araujo
Bruna Ferreira Gonçalves
Débora Pessali Andrade Oliveira
Dominique Machado Bezerra
Edson Luiz Gomes de Sousa
Fabiana de Moura Rodrigues Alves
Guidyon Augusto Almeida Lima
Jéssica Dias Coimbra
Luiz Henrique Braz
Manuella de Lacerda Nascimento
Mariana Reis Pinto Leão
Marinah Oliveira Rodrigues
Nathália Orleans Barcelos
Pauliane de Carvalho Braga
Rhany da Silva Merces
Stefanny Jéssica Geraldo
Thiago Santos Lima

Lista de espera (em caso de desistências, as pessoas abaixo serão contactadas por telefone):

Shenia Carolina Matosinhos Pires de Souza
Henrique Guerra Perez
Rodolfo Moura de Rezende
Nailanita Prette
Angela da Silva Juscelino

*AINDA ESTE ANO O ODC ORGANIZARÁ UMA NOVA TURMA TURMA DO CURSO. FIQUEM ATENTOS!

Confira a lista com os selecionados para a oficina MODOS DE BRINCAR, em Itaúna:

Flávia Jaqueline Pereira
Hércules Vinícius dos Santos de Oliveira
Janaína de Lourdes Parreiras
Joice Ferreira Queiroz
Lucas Filipi de Souza
Maria Elaine de Freitas
Marilda Santos Ribero
Nádia Cristina Viana

Pedro Henrique Alves Corrêa
Poliana de Assis
Samira Martins Guimarães Mourão
Valdilene Terezinha da silva
Victor Oliveira Silva
Wágner da Silva

O Observatório da Diversidade Cultural continua com inscrições abertas para outros cursos em Ipatinga e Itaúna. Faça sua inscrição clicando aqui.

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Por uma nova crítica das desigualdades sociais

REPRODUÇÃO: REVISTA CULT

A sociedade é uma pluralidade de sistemas nos quais diferentes formas de desigualdade emergem (Foto: Markus Spiske)

Em conversa informal sobre igualdade e desigualdade no Brasil, um amigo meu foi confrontado com o problema do racismo estrutural. Em algum momento deu uma lacrada “protoliberal”: “A sociedade é racista, mas que sociedade? É preciso saber se as pessoas são racistas. Eu sou a sociedade”. A primeira e mais óbvia associação é com a recusa ideológica em enxergar desigualdades estruturais. Mas acredito que há mais a ser considerado nesta sentença, pois ela faz alusão a um dos maiores problemas do discurso progressista de crítica a desigualdade social: perceber as estruturas de desigualdade como característica totalizante da sociedade. A sociedade não produz apenas desigualdade, não produz apenas racismo e não produz apenas sexismo. Ela também produz os ideais de igualdade pelos quais medimos e criticamos todas estas e outras estruturas de desigualdades.

O discurso progressista acredita que a sociedade possui estruturas de desigualdade que definem a identidade da sociedade: o que ela é e o que ela não é. Neste sentido, a sociedade pode ser definida como sendo de classes, patriarcal e racista. As estruturas de desigualdade definem a sociedade. Para não ser de classes, sexista e racista, a sociedade teria que ser completamente outra. A identificação da sociedade com a desigualdade obriga a pensar em uma unidade estrutural para a desigualdade, mesmo que estas sejam plurais. Assim, o discurso progressista fala, no singular e não no plural, da estrutura de classes, do racismo estrutural e do patriarcado. Esta unidade estrutural é tratada, quase sempre, como traço do estado nacional, reproduzindo-se um “nacionalismo metodológico” insustentável na sociologia. O discurso progressista sobre as desigualdades sofre de um “deficit sociológico” que o impede de ver as possibilidades de transformar as estruturas de desigualdade, uma vez que não apreende as estruturas e decisões estruturais plurais e concretas que determinam as chances de vida das pessoas.

A crítica à desigualdade é reduzida à forma geral e inconsequente de crítica da sociedade, o que coloca para o crítico o paradoxo da crítica externa: quem critica a desigualdade está na sociedade ou fora dela? E a igualdade, está fora ou dentro da sociedade? A sentença de que a sociedade não pode ser racista, mas pessoas sim, não é apenas reprodução da “fala protoliberal” de que a sociedade não existe. É observação de que a crítica da desigualdade estrutural dos progressistas carece de autocrítica. Essa autocrítica passa por questionar as premissas acima.

A sociedade não é uma unidade estrutural, mas uma pluralidade de sistemas nos quais diferentes formas de desigualdade emergem, se reproduzem e se transformam. Desigualdades econômicas, políticas, jurídicas, educacionais, afetivas não seguem a mesma estrutura, embora se influenciem mutuamente. Por isso, classe, raça e gênero podem produzir desigualdades muito distintas em cada uma destas esferas. A redução das desigualdades de gênero na educação e sua maior perenidade no mercado de trabalho evidenciam isso. A crítica à desigualdade não deve ter como foco uma estrutura unitária. A crítica deve ser concreta e plural: quais formas de desigualdade de classe, raça e gênero determinam as chances de vida das pessoas em que sistemas sociais? A sociedade tem muitos racismos, muitos sexismos e muitas formas de desigualdade de classe.

A sociedade não é definida pela desigualdade, pois ela também inclui, como parte da vida social, não só a crítica à desigualdade, mas também estruturas de igualdade como a cidadania social etc. A crítica só é possível porque se apoia em normas e valores de igualdade vigentes na sociedade em que vivemos. Uma sociedade não machista, não racista e sem classes não seria inteiramente outra. A sociedade é mundial e possui um conjunto contraditório de possibilidades de evolução.

A sentença “protoliberal” de que a sociedade não é racista tem parte de razão, pois a sociedade é também antirracista, sobretudo porque vivemos numa única e mesma sociedade mundial. Não pode ser definida unicamente como racista.

Mas o que o “protoliberal” nos ajuda mesmo a ver é o problema do endereço da crítica às desigualdades: organizações, pessoas, grupos formalmente visíveis podem ser endereçados, responsabilizados por desigualdades ilegítimas, pois decidem sobre estruturas sociais, mas a sociedade, como unidade que abarca tudo que é social, da desigualdade à igualdade, não é alcançável, não tem endereço e sua crítica é tão charmosa quanto conceitualmente errada e politicamente inútil. A única crítica social com sentido real é aquela devotada a decisões e estruturas reais de organizações, que é o contexto responsável por alocar a maior parte dos recursos importantes nas desigualdades, como renda, poder e conhecimento.

A crítica e o lugar de fala

O conceito de “lugar de fala” foi banalizado pela política identitária que hoje domina o discurso progressista sobre as desigualdades sociais. Seu uso atual é predominantemente moral, e isto destrói seu potencial de servir a um discurso mais reflexivo (mais consciente de seus alcances e limites) sobre a desigualdade e suas consequências: as diferentes formas de sofrimento e humilhação de pobres, negros e mulheres. O objetivo dos identitários é demarcar posições de superioridade moral com base em um “campeonato de sofrimento”, no qual somente as “vítimas autênticas” da desigualdade e de suas consequências ganham o direito de falar e discursar sobre o problema.

Isto é uma prática moral, pois sua lógica é justamente construir julgamentos totalizantes sobre pessoas e grupos de pessoas, o que sempre resulta em repetição do binômio bom/mau. Não é uma prática política, pois a lógica da política é construir decisões coletivas, mesmo que seja necessário a ajuda de pessoas moralmente questionáveis. E também não é uma prática de esclarecimento científico crítico da sociedade, pois a diferença moral entre bons e maus, entre oprimidos e opressores, é insuficiente, para não dizer que atrapalha, o entendimento do mundo e por isso mesmo o melhoramento do mundo. Os identitários transformaram o conceito de “lugar de fala” em um mesmo e único “lugar de fala puritano”, que visa catequizar os moralmente inferiores, e não construir uma decisão coletiva (política) ou visão esclarecedora capaz de ajudar na política (ciência).

No entanto, julgo ser possível recuperar o conceito de “lugar de fala”, e justamente para explicitar quais os alcances e limites desta crítica ao discurso progressista sobre as desigualdades. Proponho substituir o uso moral da ideia de “lugar de fala” por uma noção sociológica de “lugar de fala”: em vez de ser (moralmente) definido como a posição de superioridade moral de quem sofre de forma “original e autêntica” as consequências das desigualdades sociais, defini-lo como posição parcial de observação, com alances e limites, em determinado sistema social.

Nesta proposição, o elemento moral é relativizado pelo elemento cognitivo: o que define os limites e alcances de um “lugar de fala” são a relevância e as chances comunicativas de quem fala em um determinado sistema social. Na política, o “lugar de fala” é definido pela relevância e repercussão na ação de outros políticos, do público e dos setores politicamente envolvidos e organizados, das falas proferidas, das posições tomadas, das agendas de políticas públicas adotadas, formuladas e implementadas. Na ciência, o “lugar de fala” é definido pela relevância e repercussão na ação de outros cientistas de sentenças de verdade e falsidade sobre os fenômenos. Nesta visão sociológica, não é apenas quem profere a fala, ou seja, o indivíduo ou grupo isolado, que define o “lugar de fala” de quem quer que seja, mas também, e prioritariamente, o modo como a fala ou discurso são entendidos, aceitos ou recusados. O “lugar de fala” é co-produzido, como ensina a sociologia, pelo receptor. O “lugar de fala” é um “endereço social”, uma construção comunicativa e social fixada não apenas pela relevância pretendida pelo falante, mas também e sobretudo pela relevância atribuída pelos ouvintes.

Para explicitar o “lugar de fala” desta crítica ao discurso progressista sobre as desigualdades, especialmente o discurso identitário, retomo a distinção que Weber traçou entre as vocações do político e do cientista. Existe uma tradição de sociologia crítica que acredita que o cientista social possui posição privilegiada para a crítica social, como se a ciência fosse, no mundo moderno, herdeira da religião na produção de uma visão de mundo válida para todos os domínios da sociedade. Ignora que a ciência não tem o condão de dirigir a política, como nenhum outro sistema da sociedade, com exceção da própria ciência. Por isso, é uma tradição de sociologia crítica arrogante e ingênua: não quer saber das condições de aceitabilidade e repercussão de seus discursos críticos em outras esferas, como a política, acreditando que a recusa e a não repercussão são frutos da “ignorância”, da “tolice”, enfim, da falta de adesão ao que seria o centro cognitivo do mundo.

Na crítica às desigualdades, esta tradição sempre confunde crítica científica com crítica política, e recorre ao insulto moral dos dissidentes para evitar ver que a crítica política das desigualdades não é um reflexo da crítica científica. Esta tradição ignora, portanto, a lição clássica de Weber sobre a diferenciação das esferas e das vocações da ciência e da política. Não há como explicitar corretamente o “lugar de fala” da crítica ao discurso progressista sobre as desigualdades sem romper com esta tradição arrogante e ingênua: Não espero que a ciência possa dirigir ou reorientar o discurso, e muito menos a prática, dos progressistas sobre qualquer coisa, mas apenas que ela possa disponibilizar uma alternativa, cuja realização depende dos envolvidos com a política, cabendo ao crítico da ciência apenas refletir ou antecipar as condições que tornam mais provável esta realização.

O discurso dominante entre os progressistas sobre a desigualdade foi influenciado pela sociologia do unitarismo estrutural, que orienta a descrição e a crítica das desigualdades por uma noção unitária e totalizadora de estrutura social: a estrutura de classes, a divisão étnico-racial, o patriarcado. A crítica que proponho a este discurso parte de uma outra sociologia, baseada na diferenciação da sociedade em subsistemas e no pluralismo efetivo das estruturas de desigualdade. Nesta sociologia, o sentido da crítica da desigualdade é definido em cada sistema social. Isto significa, por exemplo, que uma crítica acadêmica sobre as desigualdades de gênero não orienta diretamente a desconstrução ou a mudança das estruturas de desigualdade entre homens e mulher na educação ou na economia: somente uma crítica educacional e uma crítica econômica são capazes disto. Por quê? Porque a mudança estrutural só é possível com disponibilização de alternativas reais em cada sistema social, com a oferta de soluções alternativas para os problemas – como a seleção social na educação e na economia – que antes só se resolviam com a estrutura vigente de desigualdade.

Desta forma, a crítica progressista das desigualdades precisa ser não apenas plural – situar-se em um sistema social específico –, mas também concreta, ou seja, envolvida com a imaginação de alternativas reais de mudança estrutural, o que exige um foco privilegiado na dimensão das organizações que regulam os modelos institucionais instituídos e reproduzidos nas esferas mais importantes da sociedade como a economia, a política, o direito e a educação. Do “lugar de fala” da ciência, que não decide nada sobre nenhum tipo de estrutura social relevante para a coletividade, a questão é: como criar descrições, discursos críticos sobre a desigualdade, plurais e concretos, que possam não apenas inspirar novas semânticas na política, mas também serem úteis na prática decisória sobre desigualdade nas mais diferentes esferas da sociedade.

O rebaixamento das expectativas

A crise do discurso progressista sobre as desigualdades reside no rebaixamento das expectativas de mudança estrutural que assola a esquerda no mundo inteiro. O modelo social-democrata europeu, fruto de críticas sociais concretas a desigualdades capazes de dirigir mudanças estruturais de largo alcance na política, na economia, no direito e na educação, perdeu seu ímpeto transformador. Para criar dignidade para todos, os sociais-democratas do final do século XIX e início do XX sabiam que precisavam reinventar a infraestrutura organizacional e institucional dos mais importantes subsistemas da sociedade, e isto se refletiu em programas robustos de transformação estrutural, que afetaram não apenas a distribuição de bens e recursos sociais, mas também e prioritariamente a sua própria produção.

Hoje, a social-democracia é um fetiche destituído de ímpeto transformador, e significa apenas a “humanização” de um mundo social tomado como inevitável. O máximo que se deseja é a distribuição marginal de bens e recursos, não mais a transformação estrutural. Neste ambiente de expectativas rebaixadas, a “crítica da sociedade”, totalizadora e sem aderência aos problemas reais de cada sistema social, fica reduzida um discurso de denúncia de processos sociais, sem nenhuma contribuição sobre as alternativas reais, “as possibilidades objetivas”, como diria Alberto Guerreiro Ramos. Comparemos a crítica de um Darcy Ribeiro, desde sempre composta por um elemento programático que desnuda e explora possibilidades de transformação social, mesmo denunciando as mais brutais formais de desigualdade e opressão, com a crítica de um Jessé Souza, desde sempre destituída de qualquer elemento programático, exceto alusões despolitizadas sobre o nível de “aprendizado moral” do “modelo social-democrata europeu”.

A contribuição científica para renovar a crítica progressista das desigualdades deve se concentrar na desconstrução dos discursos que naturalizam as desigualdade em cada sistema social, mas não apenas em forma de denúncia inconsequente, como se faz na “crítica da sociedade”, mas sobretudo na forma de um discurso programático humilde, reflexivo e consequente, ou seja, que reflita sobre as condições de sua utilização na política, buscando pensar não apenas políticas de redistribuição e reconhecimento identitário, mas sobretudo políticas capazes de transformar a infraestrutura organizacional e institucional da economia, da política, do direito e da educação, pois somente este tipo de transformação estrutural pode garantir redistribuição e reconhecimento para maiorias e minorias.

A crítica das desigualdades precisa se reaproximar da análise de políticas públicas enquanto instrumento de transformação estrutural e justiça social, que cria capacidade não só de redistribuir, mas também de reorganizar a produção da riqueza social e a ação coletiva. Sem isso, a redistribuição igualitária das chances de vida vai sempre encontrar limites enormes. A análise e a imaginação institucional de políticas públicas podem ser um momento de aprendizado humilde do cientista social crítico, pois aí ele é obrigado a disciplinar suas denúncias dos problemas com a necessidade prática de encontrar ou criar soluções para eles. Não deve servir para castrar o ímpeto transformador e rebaixar ainda mais as expectativas, mas sim para dar efetividade e consequência às aspirações progressistas de transformar o mundo para o engrandecimento da mulher e do homem comum.

 

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Museu Goeldi lança edital para Mestrado em Diversidade Sociocultural

REPRODUÇÃO: MUSEU GOELDI

Com uma abordagem multifacetada e transdisciplinar, o curso tem como área de concentração as dinâmicas históricas e contemporâneas da diversidade sociocultural da Amazônia. Nesta seleção, são 14 vagas ofertadas e o período de inscrições inicia no dia 11 de março.

Agência Museu Goeldi – Já está disponível o edital de seleção para o Mestrado em Diversidade Sociocultural, o primeiro curso de pós-graduação na área de Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi. As inscrições iniciam no dia 11 de março e vão até 26 de abril. Aprovado em 2018 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, o Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural (PPGDS) teve sua proposta avaliada como inovadora e inédita, tanto na Amazônia, quanto no Brasil, passo importante que consolida a atuação do Museu Goeldi na formação de pesquisadores de alto nível na região amazônica.

O objetivo do PPGDS é estudar as diferentes formas de pensamento, organização social e relação com o meio ambiente na Amazônia, as quais, ao longo do tempo, imprimiram marcas na paisagem física e nas sociedades locais. A área de concentração do programa chama-se “Dinâmicas históricas e contemporâneas da diversidade sociocultural”, ou seja, o curso propõe uma formação baseada no estudo das dinâmicas que configuram a atual diversidade biológica e sociocultural da Amazônia em uma perspectiva de longa duração. Para isso, lançará mão de diferentes tradições de pesquisa existentes nas Ciências Humanas (Antropologia, Arqueologia, História, Linguística e áreas correlatas), permitindo uma abordagem multifacetada e transdisciplinar do objeto de pesquisa.

Linhas de pesquisa – O programa está estruturado em três linhas de pesquisa: “Cultura e patrimônio”, com seis professores, voltada aos estudos em coleções culturais e científicas e às releituras e novas formas de patrimonialização que ocorrem nos processos de musealização, agenciados por diversos sujeitos sociais. Seus principais objetivos são a análise de patrimônios culturais, seus valores e sentidos, bem como da história do conhecimento científico sobre a região amazônica, dos espaços de circulação e das redes de compartilhamento de informação cultural/científica.

A segunda linha é “Povos indígenas e populações tradicionais”, com nove professores e enfoques etnológicos, antropológicos, linguísticos, arqueológicos e históricos sobre conhecimentos, práticas e representações socioculturais de povos indígenas e populações tradicionais na Amazônia, incluindo línguas indígenas, cultura material, sistemas haliêuticos e agrícolas.

A terceira linha, “Socioecologia, diversidade sociocultural e ocupação territorial”, é composta por cinco professores e privilegia abordagens históricas e socioecológicas sobre o uso e manejo dos recursos naturais, os padrões resultantes da ação antrópica no meio ambiente, as dinâmicas migratórias em diferentes escalas espaciais e temporais, os modos de regulação ecológica e territorial dos diversos coletivos sociais, suas relações com tecnologias e implicações para as condições de vida na Amazônia e para as políticas públicas.

Corpo docente – Ao todo, 20 professores estão envolvidos no PPGDS, pertencentes ao quadro de pesquisadores do Museu Goeldi, da Universidade de São Paulo e do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), do governo francês. Para Claudia López, coordenadora do PPGDS, o corpo docente multidisciplinar, o qual agrega cientistas sociais, arqueólogos, historiadores, linguistas, ecólogos, biólogos, geólogos e cientistas da informação, “é um ponto diferencial do programa, pois permite a análise de problemas sob múltiplas perspectivas e certamente proporcionará uma sólida formação aos estudantes”.

Outro ponto diferencial, ainda segundo a coordenadora, será “o uso extensivo de coleções culturais, científicas, bibliográficas e arquivísticas, disponíveis no Museu Goeldi, com a análise de representações materiais e imateriais resultantes de processos culturais e históricos, de teorias e práticas nativas, da construção da memória social e do desenvolvimento de narrativas culturais e históricas”. Esses pontos foram reconhecidos pela própria Capes, que, em seu relatório de avaliação do PPGDS, ressaltou que o programa “articula de forma coerente e inovadora disciplinas como Antropologia, Arqueologia, Linguística, Ciências Biológicas”. Embora seja “antropologicamente informado”, ainda segundo a avaliação da Capes, o PPGDS permitirá “vieses temáticos que contemplam interfaces até o momento menos exploradas pelos cursos existentes. Com isso, o PPGDS não se superpõe a nenhum outro programa na vasta região amazônica, e tampouco no cenário nacional”.

Vagas, ações afirmativas e provas – Um dos compromissos firmados pelo Colegiado do PPGDS consiste na adoção de ações afirmativas, em diversos níveis. A mais visível é a reserva de vagas para negros (pretos e pardos), indígenas e pessoas oriundas de comunidades tradicionais. De acordo com o edital do processo seletivo, foram abertas 14 vagas para o Mestrado, sendo oito em ampla concorrência, duas para pessoas autodeclaradas pretas ou pardas, duas para indígenas e duas para comunidades tradicionais. Nesses dois últimos casos, os candidatos devem apresentar uma declaração de identificação como pessoa indígena ou de comunidade tradicional, assinada pela autoridade ou liderança tradicional ou pela organização política correspondente ao seu coletivo de origem. Mas atenção: ao optar pela reserva de vaga em qualquer das categorias mencionadas acima, o candidato concorrerá apenas às vagas reservadas (duas para cada grupo mencionado).

Outra ação afirmativa a ser inaugurada pelo PPGDS é a realização simultânea das provas em várias cidades, principalmente do interior do estado do Pará. Além de Belém (PA), a prova escrita e a prova de língua estrangeira serão aplicadas em Manaus (AM), Bragança (PA), Santarém (PA), Marabá (PA) e Xinguara (PA).

Segundo Claudia López, “o objetivo da ação é facilitar o acesso de candidatos residentes em outras cidades e que tenham dificuldade de viajar para Belém”. López informa, ainda, que as referidas cidades paraenses foram escolhidas por sediarem os principais campi das Universidades Federais do Pará (UFPA), do Oeste do Pará (UFOPA), do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e também da Universidade do Estado do Pará (UEPA), onde já existe um grande contingente de possíveis candidatos ao curso. Os candidatos que optarem por fazer as provas em uma dessas cidades também poderão realizar a entrevista por Skype. Após essa primeira experiência, é possível que o PPGDS amplie o número de cidades onde ofertará as provas, priorizando a região amazônica.

Pós-Graduação – O PPGDS é o sétimo curso de pós-graduação do Museu Paraense Emílio Goeldi. Dois programas foram concebidos e são mantidos exclusivamente pela instituição, o mestrado e doutorado em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e o mestrado em Diversidade Sociocultural (PPGDS), enquanto outros cinco funcionam por meio de parcerias institucionais: os mestrados e doutorados em Zoologia e em Sociologia e Antropologia, em conjunto com a Universidade Federal do Pará (UFPA); o mestrado e doutorado em Botânica Tropical, com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA); o mestrado e doutorado em Ciências Ambientais, com a Embrapa Amazônia Oriental e a UFPA; e o doutorado interestadual, multi-institucional e interdisciplinar em Biotecnologia, ofertado com a Rede Bionorte.

 

Serviço | Seleção para o Mestrado em Diversidade Sociocultural (PPGDS/MPEG)

Consulte o edital, o formulário de inscrição e os demais documentos aqui.

Inscrições: 11 de março a 26 de abril de 2019.

Processo seletivo: 7 de maio a 14 de junho de 2019.

Início das aulas: 12 de agosto de 2019.

Mais informações: Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural, na Coordenação de Ciências Humanas, Campus de Pesquisa do Museu Goeldi (Avenida Perimetral, 1901 – Terra Firme – Belém – Pará – CEP 66077-530).

Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 17h.

Telefone: +55 (91) 3217-6046

E-mail: ppgds@museu-goeldi.br

Website: https://www.museu-goeldi.br

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