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Djamila Ribeiro: “Precisamos parar de eleger qual opressão é mais importante”

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A filósofa política Djamila Ribeiro discute como o racismo atravessa e estrutura todas as nossas relações sociais. Partindo das análises de autoras como Angela Davis, no livro “Mulheres, raça e classe”, Djamila defende a importância de se pensar o conjunto das opressões e suas articulações internas no capitalismo e provoca: “precisamos parar de eleger qual opressão é mais importante”.

Do Youtube

 

*Djamila Ribeiro é mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo; colunista do site da Carta Capital. Atualmente é secretária adjunta da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

 

Fonte:Geledés

Imagem: Domínio Jovem

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Mensagem para o Dia Internacional da Lembrança do Tráfico de Escravos e de sua Abolição

Mensagem para o dia Dia Internacional da Lembrança do Tráfico de Escravos

 

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Lembrança do Tráfico de Escravos e de sua Abolição, 23 de agosto de 2016

 

Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, homens e mulheres, levados da África e vendidos como escravos, se revoltaram contra o sistema escravagista para obter liberdade e independência para o Haiti, o que foi conquistado em 1804. A revolta foi um momento decisivo na história da humanidade, com um grande impacto no estabelecimento de direitos humanos universais, pelo qual somos todos responsáveis.

A coragem desses homens e mulheres criou obrigações para nós. Para a UNESCO, o Dia Internacional da Lembrança do Tráfico de Escravos e de sua Abolição é uma homenagem a todos aqueles que lutaram pela liberdade e, em seu nome, continua a ensinar sobre a sua história e os valores intrínsecos. O sucesso dessa rebelião, liderada pelos próprios escravos é, hoje, uma profunda fonte de inspiração para a luta contra todas as formas de sujeição, racismo, preconceito, discriminação racial e injustiça social que são um legado da escravidão.

A história do tráfico de escravos e da escravidão criou uma tempestade de raiva, crueldade e amargura que ainda não foi superada. Também é uma história de coragem, liberdade e orgulho da independência recém-adquirida. Toda a humanidade faz parte dessa história, em suas transgressões e em suas boas ações. Seria um erro e um crime escondê-la e esquecê-la. Por meio do projeto A Rota do Escravo, a UNESCO tem como objetivo encontrar nessa memória coletiva a força para construir um mundo melhor e para mostrar as relações históricas e morais que unem os diferentes povos. Nesse mesmo estado de espírito, as Nações Unidas proclamaram a Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024). A UNESCO colabora com isso, por meio de seus programas educacionais, culturais e científicos, de forma a promover a contribuição dos afrodescendentes para construir as sociedades modernas e assegurar dignidade e igualdade para todos os seres humanos, sem distinção.

Fonte: UNESCO

Imagem:UNESCO (ANSA)

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Por trás das câmeras: direção negra desponta no cenário audiovisual brasileiro

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Após golpe contra a democracia, diretores temem restrição de políticas afirmativas para produções negras

O cinema, a principal ferramenta audiovisual para ampliar ideias, por anos, não traduziu a pluralidade de vozes da sociedade, principalmente dos 53% de negros e negras que compõem a população do país. O principal ponto era a dificuldade de acesso a cursos ligados à produção cinematográfica.

A promoção de políticas afirmativas e editais específicos dos últimos anos construiu um novo cenário e a população negra passou a ter acesso (mesmo que incipiente) a universidades historicamente elitizadas, como é o caso das escolas de cinema.

As discussões sobre a vida negra no Brasil ganha na produção audiovisual um forte aliado em contraponto à televisão, que insiste em estigmatizar a imagem de negros e negras. “Escolhi a escola de cinema porque não me via na TV, não via as demandas negras muito menos as questões quilombolas na telinha”, conta Fábio Martins, cineasta, nascido e criado no Quilombo do Campinho, localizado em Paraty/RJ.

O cineasta se formou graças a uma parceria do Ministério da Cultura com a Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Logo produziu um documentário sobre sua comunidade (veja abaixo). Recentemente, Fábio foi contemplado com um prêmio da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e vai produzir o curta-metragem “Paraty: terra de preto”. “Temos dificuldade de acessar os recursos para realizar produções com recorte racial e agora com o golpe, provavelmente as políticas afirmativas vão diminuir e o dinheiro vai voltar para as mãos de quem sempre ganhou tudo”, crítica Martins.

A cineasta baiana Larissa Fulana de Tal (sobrenome escolhido por ela, por acreditar que qualquer um pode sonhar e ocupar espaços) tem a mesma percepção. “Sabemos que editais com recorte racial são parte de uma política de governo, não de Estado, sendo assim pode simplesmente desaparecer”, comenta.

Com seu coletivo Tela Preta, nascido na Universidade do Recôncavo Baiano, Larissa dirigiu três curtas-metragem “Lápis de Cor”, “Não somos mais um” e “Cinzas”, o mais recente que narra um dia na vida do jovem negro Toni. Todos eles foram realizados dentro de processos afirmativos.

Mulheres Negras

Sidney Santiago, ator e criador da Cia. Os Crespos, já participou de cerca de 10 longas metragens e ao longo de sua carreira foi dirigido apenas uma vez por uma mulher negra, a cineasta Lilian Solá Santiago, em “Grafite” curta de 2006 sobre os assassinatos de maio. “Faltam alternativas para que possamos ter mais cineastas negros com a proposta de um cinema mais afirmativo racialmente”, afirma ele que considera que o cinema ainda “é um lugar de privilégio”.

Para a cineasta Renata Martins, há um protagonismo feminino surgindo de forma intensa nos últimos anos. “São mulheres negras que vem apresentando narrativas a partir dos seus lugares de fala”, conta. Renata é a diretora do aclamado Aquém das Nuvens e com um coletivo de cerca de 10 mulheres dirige a websérie Empoderadas, que ressalta a trajetória de mulheres negras de diferentes áreas.

Ela acredita que ainda não há um canal de sustentação de investimento direto às produções negras, mas que isso não barra as produções. “Enquanto o dinheiro não vem, encontramos formas de produzir porque o discurso é maior do que o dinheiro”, afirma. Como alternativa, ela produz seus próprios projetos e depois, com o material pronto, parte para a captação de recursos. “É importante remunerar adequadamente as pessoas envolvidas”, finaliza.

Fonte: Brasil de Fato

Imagem: Cena do curta Lápis de Cor, de Larrisa Fulana de Tal / Divulgação

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