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out 04 2011

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“Somos um país criativo, não um país inovador”, diz Cláudia Leitão

Plano da Secretaria da Economia Criativa: políticas, diretrizes e ações 2011-2014” visa integrar atores culturais para desenvolvimento do país

A cultura como vetor do desenvolvimento brasileiro, especialmente, se considerarmos a abundância de recursos do setor. Esse foi o foco da palestra da secretária de Economia Criativa (MinC), Cláudia Leitão, que esteve em Belo Horizonte no último dia 20, participando das discussões do Fórum de Políticas Culturais de Minas Gerais, realizado na Funarte. Ela falou sobre a organização e incentivo aos processos relacionados à economia criativa e de fomento às artes. “Somos um país criativo, mas não um país inovador. O Brasil é um celeiro da diversidade”, afirmou a secretária.

Cláudia Leitão anunciou a criação do “Plano da Secretaria da Economia Criativa: políticas, diretrizes e ações 2011-2014”, lançado pelo MinC e que, conforme explicou, define a atuação da Secretaria de Economia Criativa, criada em janeiro deste ano e em fase de implantação, englobando, inclusive, as atividades da Secretaria da Diversidade Cultural e Cidadania.

O Fórum de Políticas Culturais de Minas Gerais pretende aproximar os governos municipais, estadual e federal, com o objetivo de instituir o Sistema Nacional de Cultura. Os encontros mensais serão abertos ao público. Estiveram presentes, nesse primeiro encontro, a chefe da representação do MinC em Minas Gerais, Cesária Macedo; Mirian Lott (Fundação Nacional de Artes – Funarte), a superintendente de interiorização da Secretaria de Cultura de Minas Gerais, Fátima Trópia e Everton Néri (Associação Mineira dos Municípios – AMM).

 

Transversalidade e integração

A secretária Cláudia Leitão destacou o papel da cultura digital e do empreendorismo como construção política que propicie efetivas condições de realização dos projetos pelos atores culturais. Ela disse que o Plano da Secretaria da Economia Criativa visa potencializar singularidades para valorizar imaginários e promover a identificação territorial.

Em linhas gerais, a economia criativa é uma rede fundamentada na importância da dimensão simbólica que promove a geração de novas ideias e na qual produtos são desenvolvidos e comercializados. Envolve, assim, a articulação entre atos criativos e fomenta processo dinâmico em que o trabalho intelectual cria valor econômico. A Unesco considera setores criativos nucleares: Artes visuais, Artes performativas, patrimônio; Indústrias culturais (cinema e vídeo, TV e rádio, videojogos, música, livros e imprensa); Indústrias de atividades criativas (design, arquitetura e publicidade) e Indústrias relacionadas.

Cláudia Leitão explicou que a dimensão dos setores criativos é mais abrangente do que os setores culturais que dela fazem parte, envolvendo a ação integrada entre ciência, tecnologia e economia criativa. Para tanto, detalhou, devem ser desenvolvidos arranjos produtivos, em vez de cadeias de segmentos industriais, ou processos de produção em série.

Nesse contexto, a economia criativa contempla dinâmicas não apenas econômicas, mas também sociais e culturais. Inclui ciclos que vão da produção à fruição de um produto. No Brasil, um dos principais gargalos deste processo diz respeito à distribuição. “O país tem driblado os desafios e um dos nossos grandes papeis é conhecer e fortalecer iniciativas de grupos empreendedores”, declarou a secretária, citando as experiências do coletivo Fora do Eixo e dos movimentos de música tecnobrega, no Pará.

A importância da diversidade cultural foi enfatizada no que se refere, além da instância da proteção, às dimensões de produção e consumo – a diversidade como recurso econômico no contexto da sustentabilidade. Nesse cenário, ela apontou os seguintes desafios: dificuldade de mapeamento (levantamento de informações e dados da economia criativa); articulação e estímulo ao fomento de empreendimentos criativos; educação para competências criativas; infra-estrutura para criação, produção, distribuição, circulação e consumo – fruição de bens e serviços criativos; assim como a criação e adequação de marcos legais para setores criativos.

Conforme a secretária, a ação integrada no campo da Economia Criativa passa, transversalmente, por todos os ministérios e envolve vetores macroeconômicos – como desenvolvimento monitorado, territórios criativos, estudos e pesquisas, marcos legais – e microeconômicos, que incluem a ação de empreendedores, coletivos e redes sociais. O planejamento estratégico elaborado para o período de 2011 a 2014 visa criar, nas suas palavras, “modelo virtuoso de institucionalização dessa área”, com o necessário engajamento dos municípios, agências de fomento, ministérios e diversos atores sociais.

“Patrimônio imaterial é estratégico para a diversidade, para que seja reconhecida internacionalmente”, defendeu a secretária, lembrando a importante articulação entre os campos do turismo e cultura; ao detalhar, ainda, algumas premissas para o desenvolvimento, com base na economia criativa: “Qualidade da política pública do turismo cultural, trabalho com roteiros e territórios, qualificando produtos certificados”. Ela chamou a atenção para o papel do Estado no que se refere ao desenvolvimento de políticas públicas intersetoriais, a fim de se valorizar o patrimônio imaterial como recurso, com a formação de “birôs internacionais” que funcionarão como entrepostos de comercialização de novos produtos.

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