Estudo da UNICEF revela que perigos na terra natal são principal causa de migração de crianças

Em relatório que avalia os motivos dos movimentos de migração infantil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revela que 75% dos jovens migrantes e refugiados vivendo na Europa tiveram que deixar seus países de origem desacompanhados.

A maioria, porém, é motivada principalmente por perigos nas comunidades de origem e não pelo desejo de ir para o território europeu, diz a pesquisa lançada em julho deste ano. A porta-voz da agência Organização das Nações Unidas (ONU), Sarah Crowe, comenta que “o mais notável do novo estudo é que há muitos mais fatores de repulsão, que forçam crianças a abandonarem suas casas, seja por conflitos ou por violência doméstica, do que fatores de atração, que as atraem para a Europa, e este fato vai contra o atual discurso”.

Para a pesquisa foram entrevistados crianças e adolescentes, refugiados e migrantes, na Itália. Nos seis primeiros meses de 2017, 12.239 menores de idade chegaram ao país, sendo que 93% viajavam sozinhos e a maior parte eram homens adolescentes. Já na Grécia, a maioria das crianças foi enviada pelos pais ou estava acompanhada por eles.

A pesquisa também mostrou que, do total de crianças que chegaram à Líbia, 63% abandonaram o país devido à violência generalizada e ao trauma que sofreram ou testemunharam. “Como um dos jovens gambianos disse (à pesquisa), ‘se você tem um leão atrás e o mar na frente, você opta pelo mar’”, conta Crowe.

Uma em cada cinco meninas entrevistadas fugiu por causa do casamento infantil nas suas comunidades.

 

Imagem: UNICEF/Gilbertson

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