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Pela primeira vez, mulheres ocupam chefia de todas as comissões regionais da ONU

REPRODUÇÃO: ONU MULHERES

Esta conquista destaca que, desde o dia que assumiu, o chefe da ONU está determinado a alcançar a paridade de gênero até 2030, como parte da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ao lado das chefes das comissões regionais das Nações Unidas: Rola Dashti (ESCWA), Alicia Bárcena (CEPAL), Armida Alisjahbana (ESCAP), Oľga Algayerová (UNECE) e Vera Songwe (UNECA). Foto: ONU/Eskinder Debebe

As comissões regionais das Nações Unidas existem há mais de 70 anos. Mas, pela primeira vez, cada uma delas está sendo comandada por uma mulher nomeada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.Esta conquista destaca que, desde o dia que assumiu, o chefe da ONU está determinado a alcançar a paridade de gênero até 2030, como parte da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável. A ONU News conversou com estas líderes sobre os passos que estão sendo dados para tornar realidade o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5), sobre empoderamento de mulheres.

Alicia Bárcena, secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Foto: CEPAL

Alicia Bárcena, secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), detalhou algumas dos desafios que sua região enfrenta, como crescimento econômico lento, altas dívidas, deterioração na qualidade de empregos e pobreza crescente.

Ela vê alguns destes “desafios de longo prazo” como ameaças à igualdade de gênero, como “lacunas de gênero em mercados de trabalho, a sobrecarga de trabalho não remunerado de mulheres, acesso limitado de mulheres a créditos e bens produtivos, e mulheres que não têm renda própria”. Ao mesmo tempo, incorporar mudanças tecnológicas “levanta novas questões sobre seus efeitos prejudiciais sobre sociedades, especialmente sobre igualdade de gênero”.

Bárcena destacou que, embora a participação política de mulheres na região tenha crescido acentuadamente ao longo das últimas décadas, mulheres possuem apenas 30% dos assentos nos parlamentos da região. Este número ainda é bem inferior à meta baseada na paridade. “Há uma necessidade urgente de remover as principais barreiras que impede a participação de mulheres, para gerar as condições para o pleno exercício da cidadania e autonomia de mulheres na tomada de decisões”, afirmou. “Para isto, é importante alcançar a paridade na distribuição de poder, de recursos e de tempo.”

Sob o comando de Bárcena, a CEPAL alcançou o equilíbrio de gênero entre sua gestão sênior.  A secretária-executiva afirmou que agora busca alcançar um equilíbrio similar em outros níveis.

Ol’ga Algayerová, secretária-executiva da Comissão Econômica para a Europa (UNECE). Foto: ONU/Mark Garten

Ol’ga Algayerová, secretária-executiva da Comissão Econômica para a Europa (UNECE), disse à ONU News que, nomeando mulheres como chefes das comissões regionais da ONU, o secretário-geral está fazendo um “pedido claro” para garantir que a paridade de gênero seja “uma realidade em nossas organizações regionais”. “Na região da UNECE, o cenário político e econômico agora parece bem mais equilibrado do que há algumas décadas”, afirmou.

Algayerová explicou que, como uma líder mulher, busca dar foco às situações e necessidades de mulheres. Assim, ela pode ser mais persistente na busca de soluções para problemas de gênero e decisões mais amplas “em consultas com grupos de mulheres” e outros. “Eu sou frequentemente abordada por mulheres de várias idades, da sociedade civil, da academia e de governos, e escuto suas preocupações”, afirmou.

“Igualdade de gênero e empoderamento de mulheres sempre teve um espaço no meu coração”, disse. “Em todos os cargos anteriores que tive, tanto no meu país, Eslováquia, quanto no exterior, fui uma forte ativista pela igualdade de gênero.” De acordo com a chefe da UNECE, cumprir o ODS 5 significa acabar com todas as formas de violência e discriminação contra mulheres e meninas; valorizar cuidados não remunerados e trabalhos domésticos; e garantir empregos decentes para todos.

“Isto é uma tarefa gigante, que exige ação urgente e união de todos os recursos para eliminar as raízes das desigualdades entre gêneros”, disse. Para responder isto, Algayerová destacou a necessidade de medir desigualdades e fornecer dados para identificar buracos entre gêneros. Além disso, é necessário entender porque desigualdades persistem em todas as esferas de vida em níveis nacionais, regionais e comunitários.

“Apenas políticas baseadas em evidências empíricas podem ser instrumentos eficazes para responder às formas multifacetadas de desigualdades de gênero”, concluiu.

Armida Alisjahbana, secretária-executiva da Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico (ESCAP). Foto: ESCAP/Diego Montemayor

Armida Alisjahbana, secretária-executiva da Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico (ESCAP), disse à ONU News que, apesar de “progressos significativos” na região, desigualdades econômicas e sociais ainda persistem. “Disparidades crescentes em renda e riqueza afetam mulheres de forma desproporcional, especialmente as que estão em situações de vulnerabilidade”, disse, destacando que “a cada 10 homens que estão empregados, há apenas seis mulheres trabalhando”.

Além disso, lamentou, “mulheres estão super-representadas em empregos mal remunerados, com poucas provisões de proteção social” e “possuem menos acesso que os homens a serviços financeiros e ativos produtivos, incluindo terras, capital e tecnologias de informação”.

Na frente política, Alisjahbana afirmou que a representação feminina na Ásia e no Pacífico continua baixa quando comparada com outras regiões do mundo. “A partir de 2018, a proporção de assentos possuídos por mulheres em parlamentos nacionais era 18%, enquanto a média global é 24%”.

“Responder estas lacunas não é apenas uma questão de obtenção de direitos fundamentais para mulheres, mas também é essencial para o crescimento econômico inclusivo e para desenvolvimento sustentável da região como um todo”, destacou Alisjahbana.

Secretária-executiva da Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental (ESCWA), Rola Dashti. Foto: ESCWA

A secretária-executiva da Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental (ESCWA), Rola Dashti, compartilhou com a ONU News seu ponto de vista de que liderança “não é um privilégio”, mas sim “uma responsabilidade com prestação de contas”. Seja homem ou mulher, um líder precisa trabalhar “de maneira responsável, eficiente e eficaz para alcançar os objetivos desejados”, afirmou.

Dashti expressou orgulho do que acreditar ser “um bom exemplo” da habilidade de mulheres de “realizar tarefas substanciais e alcançar a missão planejada”. Em meio ao pano de fundo de uma região árabe entrelaçada em conflitos, guerras, deslocamentos e graves crises econômicas e ambientais, a chefe da ESCWA disse que a situação agrava a já “complicada tarefa” de alcançar o ODS5.

Ela detalhou alguns dos problemas existentes para mulheres, “como a violência sexual e doméstica; o desemprego; e a discriminação em cargos públicos”. Para isso, ela recomendou, “dentro dos poucos anos restantes até 2030”, a identificação de áreas de prioridade em países árabes para ajudar a implementar respostas em nível regional.

Ela garantiu que a ESCWA coloca questões femininas “no fronte de seu trabalho” e destacou que, “apesar de estereótipos de gênero e barreiras culturais”, as aspirações de mulheres e meninas são alcançáveis com “autorreconhecimento, confiança e perseverança”. “Para cada mulher e menina”, concluiu, “o horizonte é seu sonho!”

Vera Songwe, chefe da Comissão Econômica para a África (UNECA). Foto: UNECA

Ser uma líder mulher na África é “uma batalha diária de afirmação”, disse Vera Songwe, chefe da Comissão Econômica para a África (UNECA), que também destacou que os desafios de ser uma líder na região não são diferentes de outros lugares porque o “patriarcado é comum”.

Songwe afirmou à ONU News que o continente está vendo mais e mais mulheres competentes em cargos de liderança – em países como Etiópia, Ruanda, Seicheles e África do Sul – mas mulheres ainda enfrentam obstáculos, como estereótipos sobre mulheres. “Precisamos continuar levantando mais mulheres e falando por elas”, afirmou.

Trabalhar na Comissão Econômica permite que Songwe trabalhe com uma de suas paixões: empoderar mulheres economicamente. Com apoio de parceiros tradicionais – como o Banco Africano, o Banco de Desenvolvimento Africano e as Comunidades Econômicas Regionais – a UNECA apoia o Fundo Africano de Liderança Feminina, que busca dar maiores oportunidades para mulheres empreendedoras.  Ela também falou sobre a necessidade de contratar mais mulheres para a força de trabalho. “É uma tarefa desafiadora, mas acreditamos que é alcançável e continuamos trabalhando para este fim”, concluiu.

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Os desafios dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

REPRODUÇÃO: NEXO JORNAL

Esta pesquisa, realizada na Hertie School of Governance, em Berlim, busca compreender se é eficaz a estratégia brasileira para a concretização dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) das Nações Unidas até 2030. A dissertação analisa os desafios e oportunidades existentes nesse sentido, a partir de quatro eixos: coerência política; avaliação e monitoramento; estratégia de longo prazo; e engajamento e parcerias.

Entre as conclusões, o autor destaca que o Brasil apresentou avanços importantes na implementação dos ODS, mas ainda insuficientes para alcançar as metas no prazo estipulado. Ele avalia que a atual estratégia brasileira para a implementação dos ODS tem restrições, como falhas na coordenação de diferentes instituições e deficiências em termos de inclusão e transparência.

1- A qual pergunta a pesquisa responde?

Esta pesquisa procura entender a capacidade da atual estratégia brasileira para o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas). O Brasil foi considerado referência em boas práticas relacionadas à consolidação dos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) da ONU no período de 2000 a 2015. Contudo, muitos desafios no campo da governança pública persistem para que a esperada realização dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) se concretize até 2030. Além disso, o país entra no estágio de implementação dos ODS em um contexto particular marcado pelos profundos efeitos da recente recessão econômica e instabilidade política.

2- Por que isso é relevante?

O entendimento sobre a capacidade da atual estratégia nacional para a implementação dos ODS é imperativo por duas razões principais. Em primeiro lugar, esse esforço pode fornecer aos funcionários públicos e formuladores de políticas informações relevantes sobre os desafios atuais da governança pública brasileira para a realização dos ODS, apresentando sugestões construtivas a partir de uma perspectiva que busca equilibrar teoria e prática neste campo. Em segundo lugar, trata-se de um mecanismo importante para promover o engajamento por parte da população em geral, fortalecendo a capacidade da sociedade civil brasileira em avaliar as estruturas existentes e responsabilizar seus representantes governamentais no que concerne à devida implementação da Agenda 2030.

3- Resumo da pesquisa

Esta dissertação fornece uma análise da estratégia nacional para a implementação dos ODS, baseada em um arcabouço de quatro temas que aparecem com destaque nas discussões sobre os desafios de governança para o desenvolvimento sustentável, a saber: coerência política; avaliação e monitoramento; estratégia de longo prazo; e engajamento e parcerias. Os métodos de investigação foram os seguintes: análise de um estudo de caso, revisão de relatórios oficiais do governo e da sociedade civil e realização de entrevistas semi-estruturadas com especialistas e formuladores de políticas.

4- Quais foram as conclusões?

Os resultados da pesquisa indicam que a atual estratégia brasileira para a implementação dos ODS é limitada em sua capacidade de abordar a Agenda 2030. Em particular, o trabalho destaca as seguintes restrições: falhas na coordenação de diferentes instituições governamentais e membros da Comissão Nacional para os ODS; falta de definição de indicadores nacionais e mecanismos de monitoramento e avaliação; ausência de uma estratégia de desenvolvimento sustentável de longo prazo; e deficiências em termos de inclusão e transparência. Três anos após a adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável no âmbito internacional, o Brasil avançou pouco em termos da internalização e governança dos ODS. O estabelecimento da estratégia nacional para a implementação dos ODS e da Comissão Nacional para os ODS foram passos importantes e necessários nesse sentido. Entretanto, tais mecanismos são atualmente insuficientes para a implementação e alcance das metas globais da ONU no prazo estipulado.

5- Quem deveria conhecer seus resultados?

Os resultados da pesquisa deveriam ser conhecidos prioritariamente por formuladores de políticas públicas e governantes brasileiros nos níveis federal, estadual e municipal para que o país continue sendo reconhecido como referência em boas práticas no alcance dos objetivos de desenvolvimento da ONU. Dada a relação entre os desafios à implementação dos ODS no Brasil e o próprio funcionamento do setor público no país, seria crucial a revisão do planejamento atual para a incorporação da Agenda 2030 no âmbito nacional e proposição de soluções inovadoras por parte dos funcionários responsáveis. Do mesmo modo, diferentes atores da sociedade civil como membros do setor privado, da academia e de organizações não-governamentais, assim como cidadãos brasileiros, podem se beneficiar das informações da pesquisa para melhor compreender a situação atual e exigir de seus governantes a devida implementação da Agenda 2030.

Thiago Elert Soares é mestre em políticas públicas pela Hertie School of Governance em Berlim, como bolsista do programa Helmut-Schmidt do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico). Possui graduação em Relações Internacionais pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Atualmente é pós-graduando em Estudos de Desenvolvimento pela LSE (London School of Economics and Political Science), como bolsista do programa Chevening do governo do Reino Unido. 

 

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Pode o homem branco não falar?

REPRODUÇÃO: NEXO JORNAL

racism concept, black and white hands, Handshake of friendship

Uma reflexão sobre o processo de aprendizado do lugar de fala na cultura acadêmica – no Brasil e no mundo

Sempre me chama a atenção o fato de que em 99.9% das palestras de que participo ou a que assisto, na hora das perguntas, a primeira pessoa a levantar mão e falar tem gênero. Cor. Sexualidade. É homem. Branco. Cisgênero. E olha que no geral “meus ambientes” basicamente relacionam-se ao seu oposto. Mulheres negras, o “outro do outro”, para usar expressão de feministas afro-americanas em crítica a Simone de Beauvoir diante de sua negligência a esse grupo em “O segundo sexo”.

Em 20 anos de academia, muitas histórias para contar. Mas para me basear em uma recente, voltemos à Universidade de Princeton, que, aliás, é um show em termos de supremacia branca masculina, como pude constatar, de formas embora não surpreendentes, bastante desagradáveis.

No simpósio Black Feminisms Across the Americas, estava, ao lado de Mônica Benício e Tianne Pascal, em uma mesa sobre o legado da vereadora Marielle Franco. Duas horas depois de ouvir nossos pontos de vista, repletos de qualidade e emoção, o senhor que nos assistia na última fila decidiu, bem intencionado, interagir. Levantou, pegou o microfone. Dirigiu-se ao professor branco, mediador da mesa e disse: “minha pergunta é para ela”. Bastante inclusivo, ele gostaria de saber mais sobre o feminismo das mulheres indígenas. Ao ver a direção de seu dedo indicador anglo-saxão, descobri que “ela” era eu. A escolhida para ajudá-lo.

De Princeton para a Universidade Federal Fluminense, estamos na reunião do Grupo de Estudos e Pesquisas Cultura Negra no Atlântico. Carolina Dantas, historiadora que deixou seu nome impresso na historiografia ao revelar o político Monteiro Lopes, primeiro deputado negro do Rio de Janeiro (1903), apresenta sua pesquisa. Carol, que foi minha colega de mestrado, faz um longo comentário sobre seu compromisso de uma acadêmica branca na luta contra o racismo. Entre as experiências destacadas pela professora da FioCruz, encontra-se o difícil processo de aprendizado do seu lugar de fala. De uma mulher branca estudiosa da história de sujeitos negros.

Em uma narrativa surpreendente, pois em raras ocasiões no espaço acadêmico (e em todos os outros) vemos pessoas brancas assinalarem sua raça, o rumo daquela tarde mudou. Martha Abreu, coordenadora do grupo, com consagrada trajetória no estudo de relações raciais, perguntou para jovens estudantes negros presentes qual seria, na opinião deles, o papel de pesquisadores brancos na luta antirracista. As questões de Martha e Carolina foram arrematadas pelo meu comentário acerca do protagonismo de acadêmicos negros para que cenas como essas fossem possíveis.

Graças a nós, o rumo do que poderia ter sido mais uma reunião “neutra e objetiva” transformou-se. Mas como nem só de inovações e rupturas faz-se a cultura acadêmica, assistimos à volta do dedo indicador, com mais uma pergunta. “Você conhece um embaixador branco que escreve sobre os negros?” A indagação, que provoca desconforto compartilhado por brancos e negros, faz com que alguém mencione em tom de voz elevado o nome do embaixador: Alberto da Costa e Silva? “Sim. Você o conhece? Já leu seus livros?” Silêncio absoluto na sala.

Lembrei de uma história que marcou o início da minha carreira de professora. Aos 19 anos, dando aulas para adolescentes em cumprimento de medida sócio-educativa. Certo dia, na impulsividade típica da faixa etária que nos unia, perguntei a um dos meninos: “por que você ‘subtraiu’ um pacote de biscoito?”. “Professora, eu preciso de respostas imediatas”.

Vinte e um anos depois, na sala de uma universidade pública federal, deparo com os semblantes de indignação de estudantes negros com o dedo indicador que faz perguntas. O ensinamento do menino que nunca mais vi fez todo sentido. “Você costuma perguntar para todas as pessoas se elas conhecem determinados autores?”

No Brasil, 0,4% das professoras em programas de pós-graduação são mulheres negras. A educação pública precisa de respostas imediatas.

Giovana Xavier é professora da Faculdade de Educação da UFRJ. Formada em história, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado, por UFRJ, UFF, Unicamp e New York University. É idealizadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras. Em 2017, organizou o catálogo “Intelectuais Negras Visíveis”, que elenca 181 profissionais mulheres negras de diversas áreas em todo o Brasil. Ela escreve quinzenalmente às terças-feiras.

 

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