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Novo Boletim sobre Diversidade Cultural e Arte já está disponível para acesso

A edição número 80 do Boletim do Observatório da Diversidade Cultural já pode ser baixada AQUI. Essa edição conta nove textos de autores e autoras da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro, que abordam assuntos relacionados ao tema “Diversidade Cultural e Arte” .

Confira abaixo o sumário, com os artigos de cada um e boa leitura!

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Conferência Municipal de Cultura de Belo Horizonte: diálogo para a gestão

Por Vinícius Lacerda

Em sua quinta edição, a Conferência Municipal de Cultura da capital mineira discute o tema
“Cultura e Território” e prossegue após plenáriasA 5ª Conferência Municipal de Cultura de Belo Horizonte apresentou este ano o tema “Cultura e Território” e após a rodada de encontros, que aconteceram em novembro, prossegue agora com a formulação do Plano de Políticas Culturais. Os grupos de discussão acontecem tanto presencialmente quanto online, para maior integração dos grupos de discussão.

Para falar sobre o andamento da edição, o Observatório da Diversidade Cultural, convidou a diretora de Políticas Culturais e Participação Social da Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte (SMC), Fernanda Vidigal, e a integrante da equipe da Gerência de Planejamento e Monitoramento de Indicadores Culturais, na Diretoria de Políticas Culturais e Participação Social, Caroline Craveiro.

Vidigal tem vasta experiência com gestão e planejamento: é produtora desde 1990. Pela primeira vez, assume um cargo na administração pública, e participou de outras edições da conferência, em 2013 e 2015. Craveiro, por outro lado, trabalha na Fundação Municipal de Cultura desde 2010 e já participou das conferências municipais de cultura de 2009, 2013 (quando foram realizadas duas) e 2015.

Quem acompanha as conferências municipais de cultura pode constatar a importância de sua realização para a discussão de políticas culturais ao aproximar poder público e sociedade civil, propor a formulação de propostas e estabelecer metas para o setor. Tudo isso, contribui com a manutenção e o crescimento do fazer cultural na capital mineira de forma democrática.

Um diálogo entre o poder público e a sociedade civil

A possibilidade de estabelecer o diálogo entre o poder público e a sociedade civil aproxima os desejos e as necessidades da população às condições e aos orçamentos do poder público. “As conferências municipais contribuem para que as demandas ganhem visibilidade e haja pressão ao poder público para que as insiram na agenda pública e em outros instrumentos de gestão da política pública, como por exemplo, no plano municipal de cultura”, afirma Craveiro.

Outro aspecto importante da realização da conferência é o de estabelecer um processo de prosseguimento. “Nosso grande desafio hoje é justamente assegurar a continuidade dessas políticas públicas de cultura e ampliar a participação e o controle social, no diálogo entre Estado e sociedade civil”, diz Vidigal.

Políticas Culturais e a cidade

5ª Conferência Municipal de Cultura. Foto: Ana Beatriz Baêta

Nesta edição, as principais discussões giraram em torno das relações da cultura com o território da cidade, de maneira a descobrir, relatar e analisar os desafios que permeiam essa relação. “Toda política pública realiza-se no território da cidade e deve buscar apreender as especificidades e demandas destes lugares”, comenta Craveiro.

Nesse sentido,  o Conselho Municipal de Política Cultural, em 2012, a partir dos representantes das regionais (Barreiro, Centro-Sul, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Oeste, Venda Nova e Pampulha), pauta temas vinculados às vivências, às práticas culturais e artísticas das diferentes realidades espaciais da cidade, bem como da forma como a política pública alcança e se relaciona com estas realidades. “Este tema vem da necessidade da política cultural aproximar-se de debates já postos ao poder público, como o direito à cidade, mobilidade urbana e da ampliação da cobertura de serviços e ações”, acrescenta ela.

Um novo desenho: os principais pontos da conferência

Esta edição da Conferência Municipal de Cultura foi marcada pela proposta de se desenhar um novo formato que preveja a participação de diversos setores da sociedade, assim como reduzir seu caráter eventual. “Ou seja, que a conferência não se realizasse apenas nos três dias da sua plenária final, mas que se tornasse um processo de participação e construção coletiva em um período estendido de três meses”, conta Vidigal.

Para organizar as discussões, foram estipulados cinco eixos. A proposta detalhada e os eixos constam no Caderno da 5ª Conferência Municipal de Cultura. Para que você tome conhecimento agora dos eixos, replicamos seus nomes e explicações.

  • Acesso, Democratização, Diversidade e Artes – sobre Acesso democrático aos programas, políticas e equipamentos, estratégias para políticas de comunicação comunitária e para a cultura, regionalização, valorização local e políticas para as artes.
  • Fomento e Economia da Cultura – sobre Sistema municipal de financiamento da cultura: estratégias de fomento, de financiamento de ações e projetos culturais, bem como estratégias para desenvolvimento dos aspectos econômicos e profissionais da Cultura.
  • Participação e Institucionalização de Políticas Culturais – estratégias de participação, atuação em conselhos, comissões locais, legislações e alterações legais, conferências, fortalecimento institucional e de recursos humanos do órgão gestor, etc.
  • Patrimônio e Memória – Temas ligados à Memória, Patrimônio material e imaterial, Arquivos, documentações, acervos, Políticas Museológicas.
  • Formação e Educação Cultural- Debatemos a Formação continuada de artistas e agentes culturais e no fortalecimento das estratégias de atuação transversal.

Vale ressaltar que, até o momento, a 5ª edição da Conferência Municipal de Cultura ainda não foi finalizada. “Por ora definidos em plenária, prazos de priorização para metas e ações do PMC e alterações na formatação de metas e ações a fim de torná-las mais claras e objetivas”, lembra Craveiro.

Um balanço da 5ª Conferência Municipal de Cultura

Um projeto ambicioso e essencial. Assim podem ser vistas as Conferências Municipais de Cultura realizadas em Belo Horizonte. Ano após ano, governo após governo, elas vêm mantendo a tônica da discussão para a melhoria de políticas públicas relacionadas à área cultural, e devem continuar.

Com relação a esta última edição, Vidigal acredita terem chegado a um saldo positivo. “Foram realizadas 19 reuniões preparatórias antes das plenárias finais em todas as regionais da cidade, promovendo uma ampla discussão com a sociedade. Fizemos a revisão do plano, além de priorizar as metas e ações”, resume.

Craveiro, por outro lado, atenta para o fato de ainda não ser possível fazer um balanço final e chama atenção para uma especificidade: “trata-se de uma conferência de realização local, sem articulação com a realização de conferências estadual e federal (o que ocorre quando da convocação das conferências nacionais). Desta forma, o recorte do Plano Municipal de Cultura possibilitou a organização de uma conferência mais centrada num documento específico e num trabalho mais focado em sua revisão e definição de prioridades do que no encaminhamento de novas pautas”, comenta.

Com relação ao objetivo de revisão e priorização das metas e ações, Craveiro diz que a plenária caminha por leitura e deliberações direcionadas pelo plano e, assim, evidencia o papel do poder público em definir os planos de execução. “As demandas setoriais levantadas, por outro lado, são postas para a constituição dos planos setoriais específicos, tais como já se deu com o setor de Livro, Literatura e Bibliotecas e com o andamento do setor da Dança”, conclui.

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‘Contos dos Orixás’ transforma divindades afro em super-heróis de gibi

Após financiamento coletivo, projeto de quadrinhos que busca quebrar preconceitos é lançado

Um homem negro, forte com superpoderes. Poderia ser o Pantera Negra, mas aqui é o Rei Xangô, protagonista de Contos dos Orixás. O livro (Graphic Novel) de 120 páginas traz histórias de mitos do povo Yorubá no estilo dos heróis em quadrinhos da Marvel. O projeto do quadrinista Hugo Canuto, 32 anos, começou em 2016. Primeiro, com pôsteres e revistas. Dois anos e meio depois, acaba de ficar pronta a história em quadrinhos com narrativas cheias de ação com Yemanjá, Iansã , Oxum e outros. O lançamento será em São Paulo, no CCXP (Comic Con Experience), no São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, que acontece de quinta-feira (6/12) até domingo (9/12).

O Contos dos Orixás só foi possível por um financiamento coletivo bem sucedido pela internet. Embora a campanha ainda esteja no ar até 18 de janeiro de 2019, no Catarse, o crowdfunding que era de 20.000 reais atingiu três vezes essa meta. Dependendo do valor da colaboração, é possível receber revistas impressas e o livro em casa. Como Hugo consegui mais do que esperava, decidiu destinar parte do recurso para programas sociais de Salvador, sua cidade natal. Também serão doados 100 exemplares para espaços culturais.

O apoio veio principalmente do mundo dos quadrinhos e de muitas comunidades religiosas que cultuam os orixás como Candomblé, Umbanda e Santeria Cubana. “Tratamos o tema com respeito e cuidado, de modo a honrar a cultura e herança espiritual africanas, não entrar em polêmicas ou expor fundamentos sagrados”, explica Canuto. “Hoje, nosso trabalho é constantemente utilizado como referência em salas de aula, presente em livros didáticos, citado por teses universitárias e exposições em países como Estados Unidos e Inglaterra”.

Apesar de não ser uma obra estritamente religiosa, Canuto sabia da responsabilidade em falar sobre figuras sagradas para tantas pessoas, ainda mais sendo um autêntico soteropolitano. Fez a lição de casa. Visitou terreiros e estudou muito. “Tivemos sugestões, acompanhamento, com destaque para o professor Mawô Adelson S. de Brito, sacerdote e físico, principalmente nas questões da língua e cultura Yorubá, de quem fui aluno”.

Canuto explica que os Yorubá são uma das mais tradicionais civilizações da África Ocidental, originalmente de territórios onde hoje estão a Nigéria, e partes do Benin e do Togo. “Através da terrível diáspora, parte dos saberes disseminou para Brasil e Cuba”, conta. O artista lamenta a falta de representatividade da cultura afro-brasileira no nosso dia a dia. “Acredito no poder da arte e das histórias para transformar mentalidades, desconstruir pré-conceitos e ampliar os horizontes críticos e da imaginação”. Talvez esse seja o super-poder de Hugo Canuto: com um papel, um lápis e uma ideia distribuir mais que revistinhas. Uma ferramenta para dissolver preconceitos. “É um instrumento de força e empoderamento artístico na luta cotidiana por respeito, reconhecimento e resistência seculares”, conclui.

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