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Participação dos jovens na formulação de políticas públicas para a diversidade cultural

Fórum U40 Americas

Em maio de 2010, na cidade de Montreal (Canadá), ocorreu o I encontro do “Fórum U40 América”, que envolveu produtores, advogados, comunicadores, agentes do poder público e pesquisadores de cultura e comunicação de 11 países do Norte, Sul e Centro América, em fase de “média-carreira”, com o intuito de discutir e propor ações para a implementação dos objetivos da Convenção da UNESCO para a proteção e a promoção da diversidade das expressões culturais, no âmbito do continente americano.

Organizado pela Federação Internacional das Coalizões para a Diversidade Cultural em parceria com a Coalizão Canadense para a Diversidade Cultural, a reunião é consequência e continuidade regional de um fórum mais amplo, iniciado junto com à Comissão Alemã para a UNESCO, em junho de 2009, o Fórum Mundial U40 (under-40 aged cultural professionals – profissionais de cultura com menos de 40 anos).

Assuntos abordados

Foram elencados três pontos principais para aprofundamento durante o Fórum. Foram estes:

reafirmação da cultura como pilar para o desenvolvimento sustentável;
Junto ao meio ambiente, à economia e à educação,  a cultura dos povos deve ser colocada no centro das políticas públicas dos países, no intituito de promover um desenvolvimento sustentável baseado na diversidade (e não na hegemonia) dos modos de viver.

estratégias para uso das novas tecnologias no sentido da promoção e proteção da diversidade cultural; Quais os modelos de uso das novas tecnologias que podem ampliar o diálogo e aproximar as culturas e de que maneiras podemos diminuir a distância do acesso à informação e o conhecimento, que hoje demonstram também aumentar ainda mais o abismo entre os chamados países de primeiro e de terceiro mundos.

a relação da Convenção da Diversidade com outros fóruns internacionais.
Os artigos 20 e 21 da Convenção tratam da coordenação internacional dos países para a promoção da Convenção em outros fóruns e afirmam que o documento não se encontra em posição de sobreposição nem se subordinação a outros documentos internacionais. Devemos, portanto, encontrar formas de garantir a implementação destes artigos, fazendo com que a Convenção esteja presente nos mais diversos acordos estabelecidos entre os Estados Partes em que se faça necessário apontar para a promoção e proteção da diversidade das expressões culturais.

Os três pontos foram abordados a partir de ações a serem tomadas pelos Estados, pela sociedade civil e pelo próprio “Fórum U40 América” (veja abaixo links que dão acesso aos encaminhamentos tirados neste I Encontro).

Jovens na formulação de políticas públicas

Sábia a decisão da Comissão Alemã e da Coalizão Canadense, de envolver profissionais em média-carreira para participar da discussão sobre a Convenção da Diversidade.

Os profissionais de média-carreira participam do processo, por um lado conhecendo a Convenção, seu histórico e detalhes (artigos etc), ajudando a disseminar os objetivos deste instrumento pelo mundo e por outro contribuindo com novas ideias, ajudando a Convenção a se renovar e se atualizar, tanto no campo das novas tecnologias quanto nos demais aspectos relacionados à mudança de gerações.

Encaminhamentos Fórum U40 Américas

Para acompanhar o encaminhamento do Fórum, que seguirá com grupos de trabalho para desenvolver os pontos a que se propôs, veja o documento final e acesse maiores detalhes através do site do Fórum Mundial U40, Coalização Canadense para Diversidade Cultural e Federação Internacional das Coalizões para a Diversidade Cultural.

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Piatã Stoklos Kignel

Participação dos jovens na formulação de políticas públicas para a diversidade cultural

Reunião Intergovernamental da Diversidade Cultural e a Sociedade Civil

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Festa e Diversidade Cultural

Nina Rodrigues, um dos pioneiros dos estudos africanistas no Brasil, dizia que língua e religião são os elementos fundamentais para a compreensão da vida e da cultura de um povo. No caso brasileiro, ouso acrescentar, qualquer explicação do que somos como povo e cultura não pode dispensar um terceiro e também fundamental elemento: a festa.

É que, fenômeno trans-histórico e transcultural, portanto, com presença garantida em qualquer sociedade e a qualquer tempo, a festa, entre nós, adquiriu uma importância que merece destaque, lugar de honra. Tem a prerrogativa da ancianidade na formação do nosso corpo de cultura. É uma espécie de “comissão de frente” da aventura brasileira. Lá atrás, desde tempos pré-brasílicos, nossos índios, entre uma guerra e outra, festejavam a rodo. Na sequência, a colonização engrossou o caldo aportando procissões e cortejos, que faziam a gala do catolicismo ibérico-barroco, inclusive ameaçando com o fogo do inferno quem oussasse não festejar. Acrescente-se aí o rico espírito festivo trazido pelas culturas africanas, que aqui fizeram do território da festa uma estratégia de resistência aos horrores da escravidão. O que resultou daí foi um mosaico de festas e celebrações que em trânsito intenso e tenso entre o sagrado e profano configuram, desde sempre, a vida brasileira. Podemos afirmar pois, e sem medo de errar, que a festa é a “prova dos nove” do modo de vida brasileiro, a mais viva e vibrante expressão da nossa diversidade cultural.

Algumas inflexões contemporâneas, contudo, ao alcançarem, em força, nosso diversificado repertório festivo põem na ordem do dia, e em regime de urgência, a necessidade de políticas públicas dedicadas às festas. Com efeito, processos que entrelaçam espetacularização midiática, turismo e práticas mercantis, presentes em larga escala nas nossas grandes festas públicas, a exemplo do carnaval e do ciclo de festas juninas do Nordeste, não podem ser enfrentados exclusivamente pela vitalidade e capacidade de renovação que são próprias do tecido cultural destas festas.

Não se trata, evidentemente, de insistir-se numa perspectiva que, fundada num romantismo estéril, imagina ser possível preservar a (falsa) pureza das tradições do carnaval, das festas juninas ou de qualquer outra celebração festiva que marca a cena brasileira. Ao contrário, aqui, o caminho a ser trilhado deve ter como baliza a compreensão expressa pela Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, aprovada em 2005, pela UNESCO, de que os bens culturais comportam uma dupla natureza, ou seja, são expressões do universo simbólico e possuem, também, uma dimensão econômica.

Nessa medida, podemos dizer que as festas se oferecem, hoje, como um terreno privilegiado para o Estado por em prática políticas de proteção e promoção da diversidade cultural brasileira. Políticas que, por exemplo, acionem instrumentos de regulação do mercado da festa, promovendo práticas na direção de uma economia de base mais solidária e menos competitiva; que estabeleçam mecanismos para uma governança democrática que seja capaz de incluir todos os atores que fazem e gozam a festa; e que, especialmente, estimulem o diálogo entre a tradição dos festejos e a renovação e experimentação do festejar. No mais, é deixar que a festa corra solta e que continue sendo a nossa mais generosa tradução como povo e cultura.

*Paulo Miguez é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (1979), mestre em Administração (UFBA, 1995) e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas (UFBA, 2002). Atualmente é Professor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA e do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (UFBA) e pesquisador do CULT – Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (UFBA).

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