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Diversidade cultural na TV: um estudo sobre programas jornalísticos e telejornais da TV Globo e TV Brasil (Amanda Aparecida Silva)

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A importância do debate e da busca por mecanismos de proteção e promoção da
Diversidade Cultural é crescente nos últimos anos, em todo o mundo. Partindo dessa
constatação, a pesquisa em questão tenta evidenciar alguns pontos relevantes para o
pensamento intelectual, através do debate sobre a conscientização acerca da importância de se ter conteúdos mais plurais dentro da grade de programação da televisão, veículo da mais expressiva influência na denominada comunicação de massa.

Busca-se compreender, através de métodos comparativos entre a programação jornalística da TV Globo e da TV Brasil, como as diferenças culturais são tratadas pela mídia televisiva e de que maneira esta contribui ou não para a difusão e consolidação dos pressupostos da Convenção da UNESCO sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. Os objetos em foco foram os telejornais e programas jornalísticos: Jornal Nacional e Globo Repórter da Rede Globo; e Repórter Brasil e Expedições da TV Brasil.

O estudo realizado analisa o espaço atribuído à diversidade cultural, mais
especificamente a brasileira, além de tentar identificar os critérios de construção e seleção utilizados na produção das notícias. O trabalho vai então mostrar essas correlações, atentando para as diferenças ou similitudes na abordagem do tema Diversidade Cultural em programas de mesmo formato jornalístico, mas situados em concessionárias de TV de modelos distintos: uma privada e outra pública.

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“Cultura é uma alavanca poderosa para o desenvolvimento” – Irina Bokova

Do portal da Assembleia Parlamentar da França

Durante a realização da Conferência Inter-Parlamentar sobre a Diversidade das Expressões Culturais na Cidade de Québec, nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2011, a diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO, Irina Bokova, deu entrevista para o portal da Assembleia Parlamentar da França. A pauta foi, claro, a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. Confira!

Cinco anos após a criação da Convenção, é possível dizer por que alguns Estados ainda não a ratificaram?

Bokova: A Convenção adotada em 20 de outubro de 2005, entrou em vigor em março de 2007. Até o momento, 116 Partes (115 Estados e da União Européia) ratificaram, cobrindo todas as regiões geográficas, embora a Ásia-Pacífico e países árabes não são adequadamente representados.

Como Diretora Geral da UNESCO, eu enfatizo a importância da ratificação deste instrumento normativo. A questão é como educar e convencer os Estados. O Comitê Intergovernamental para a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotou em 2009, um plano de ação para incentivar a ratificação e alcançar um melhor equilíbrio geográfico.

Que conclusões você tira em relação as ações que se seguiu à adoção da Convenção? Quais deles você acha mais importante?

IB: A participação em um instrumento jurídico internacional tem sempre repercussões a nível nacional, no domínio legislativo. Até agora os resultados são positivos. O Fundo Internacional para a Diversidade Cultural, pilar da cooperação internacional, vai financiar os primeiros projetos em 2011. As diretrizes operacionais, que são uma espécie de plano prático a aplicação da Convenção, estará concluído em Junho de 2011. Quanto à partilha de informações e melhores práticas, as Partes devem apresentar relatórios sobre as medidas tomadas para a proteção da diversidade e apresentar os seus relatórios para o efeito a cada quatro anos.

Há uma grande lacunda entre as preocupações do Norte e do Sul em relação à Convenção. Você pode esclarecer como esta Convenção é considerada por alguns e por outros?

IB: É normal que os países membros da Convenção tenham preocupações diferentes, devido ao grau de desenvolvimento das indústrias culturais e políticas de cada um. O componente da cooperação internacional visa que os países cujas expressões culturais encontram-se em perigo ou com falta de recursos, possam contar com a solidariedade internacional para apoiar a criação, produção, difusão e distribuição de suas expressões culturais.

A Convenção é, no fundo, uma resposta às desigualdades entre os Estados. Principalmente na questão da capacidade de proteger e promover a diversidade das expressões culturais. Os artistas e outros profissionais da cultura, bem como bens e serviços culturais nos países em desenvolvimento podem e devem se beneficiar desse instrumento e, quando necessário, buscar apoio em outros países.

O que está em jogo no Fundo Internacional para a Diversidade Cultural?

IB: O principal objetivo do fundo é promover o surgimento de um setor cultural dinâmico como um fator de desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza. Esta meta requer recursos consideráveis e participar, pois suas contribuições são voluntárias. O Fundo está vastamente sub fornecido. 254 pedidos de financiamento foram recebidas este ano por US$ 44 milhões, enquanto os recursos do fundo atinge apenas US$ 3 milhões. Apelo, portanto, para os Estados, convidando-os a contribuir para este fundo.

Sob sua liderança, a UNESCO parece mais comprometido do que nunca com a Convenção. Que mensagem você entrega para os Estados e agências de financiamento para reconhecer o investimento na cultura como fator essencial para o desenvolvimento sustentável?

IB: A cultura é uma alavanca poderosa para o desenvolvimento e desempenha um papel fundamental na concretização dos objetivos do milênio.

A Convenção é o primeiro instrumento jurídico em que o vínculo entre cultura e desenvolvimento ocupa um lugar central, tanto como uma alavanca de retransmissão para o crescimento econômico, quanto para o desenvolvimento sustentável.

Além do apoio financeiro, quais são as medidas que os Estados  do Norte pode tomar para facilitar o desenvolvimento no Sul?

IB: Por exemplo, os países poderão adotar medidas destinadas a facilitar a mobilidade dos artistas e outros profissionais da cultura, especialmente por um sistema flexível de vistos de curta duração e também pode reforçar a capacidade dos países através de redes e intercâmbio cultural entre artistas e profissionais, ou facilitar a transferência de tecnologia e know-how. As parcerias entre organizações públicas, privadas e sem fins lucrativos na Convenção.

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“As redes não são apenas grandes espaços de encontro virtual. As redes são espaços para a diversidade” – Fernando Vicário

Por Leandro Lopes

Fernando Vicário tem formação em Jornalismo e Ciências da Informação, nasceu e cresceu na Espanha, mas boa parte da sua vida manteve o olhar na cultura dos países latinos-americanos. Fez dessas observações do terceiro mundo, seu principal foco de estudo. Hoje, roda o mundo traçando esses diagnósticos, ministrando cursos e palestras. É Diretor de Cultura da Organização dos Estados Ibero-Americanos – OEI – e membro da International Federation of Arts Councils and Culture Agencies – IFACCA.

Esteve no Brasil diversas vezes em 2010. Em uma delas, participando de uma mesa-redonda no “Cultura e Pensamento – Juventude e Ativismo”, evento organizado pela ONG Contato, em Belo Horizonte, no início de agosto. Desde então, o Observatório da Diversidade Cultural vem mantendo contato e fez uma entrevista com o pesquisador por e-mail. Vicário fala de acesso à informação e conhecimento, detalha como os meios possibilitam e incentivam ou não-incentivam a promoção da diversidade cultural e como se ter conteúdo de qualidade nos veículos comunicacionais.

Observatório da Diversidade Cultural – A temática proposta na mesa da qual o senhor participou no Cultura e Pensamento – Juventude e Ativismo, em Belo Horizonte, afirmava que os meios de comunicação possibilitaram o acesso à diversidade cultural. Isso é verdade?

Fernando Vicário – Em uma pequena porcentagem a mídia contribui para respeitar, compreender e viver com a diversidade cultural, sim. Apesar de termos poucos programas que mostram coisas diferentes dos padrões e poucos sites na qual a informação é diferenciada. Porém, eu queria diferenciar os conceitos: estes são os meios de informação e não de comunicação. A comunicação através da mídia é um pouco mais complexa e dá mais mostras da diversidade e da diferença, isso porque é feita por aqueles que procuram e aqueles que ajudam a encontrar. Quando há comunicação, há interação. Quando há informação, apenas uma das partes decide o que quer contar e a outra parte decide se quer ou não que contem. Por isso, tem que se ganhar audiência e as vezes se subestima o ouvinte unificando seus gostos. É mais fácil fingir que todos são iguais. Assim, os custos de produção são mais baratos. Isso porém, tem muitas consequencias negativas a longo prazo.

ODC – Informação é o mesmo que conhecimento?

FV – Sem dúvida que para a construção do conhecimento, é essencial a informação. Porém, tão importante quanto é a compreensão do que é dito por meio da informação. É preciso analisá-la, sintetizá-la e assimilá-la. Depois de todo este processo, aí a informação se transforma em conhecimento. É muito semelhante ao que acontece com os alimentos. Se temos muita informação, mas não temos conhecimento, estamos apenas armazenando gordura nas nossas cabeças. Matérias que não nos servem e que vamos ter que se desfazer, em algum momento.

ODC – Quando é possível perceber que estamos sendo atolados de informação e estamos deixando de lado o conhecimento?

FV – Isso acontece quando você perde toda a capacidade de analisar, quando não mais distingue o que é bom e o que é ruim. O conhecimento pessoal é muito parecido com o sentimento. No final sempre sentimos através de uma série de hábitos cultuais que são nos impostos e que a gente adotou para nós mesmos. Nós inventamos a melhor forma de amar, de odiar, de beijar e de brigar. O teste final é quando as nossas ideias concordam 100% com a mídia que vemos, ouvimos ou lemos.

ODC – Nesse processo de possibilitar acesso à diversidade cultural, as redes sociais têm alguma importância? São elas uma ferramenta que podem contribuir para isso?

FV – As redes sociais são uma maravilhosa invenção do século. É uma das mais completas e abrangentes ferramentas para trabalhar com o outro com qualidade, rapidez, eficiência e baixos custos. Claro que a ferramenta está definida e precisamos saber como usá-la e ter consciência das finalidades de se aproximar dela. Se for para manter contato com amigos, pode contribuir para se ter mais consciência da diversidade e da diferença, mas se a intenção foi alimentar outras preocupação, pode ser uma grande experiência.

Eu recebo em minha rede várias propostas de pessoas que entendem de comunicação de uma maneira muito diferente de como eu a entendo. Isso me enriquece e me alimentou a capacidade de enfrentar e considerar outras medidas. As redes de hoje não são apenas grandes espaços de encontro virtual, nem apenas poderosas janelas abertas através do qual eu só tenho que olhar. As redes são espaços para a diversidade.

ODC – Com a internet e o surgimento dessas novas possibilidades de interação e comunicação vem mudando a vida das pessoas. Nesse sentido, em que medida o acesso e a interação entre as diferentes culturas pode ou deve ser considerado satisfatório?

FV – As redes sociais e a internet podem ser ferramentas que nos servem ou pelas quais devemos servir. Se simplesmente se conectar à internet para ver o que está acontecendo dia após dia, vamos ser um daqueles que alimentam as estatísticas que servem as grandes empresas. Como em qualquer iniciativa, deve ser você e não a máquina, que deve explorar as possibilidades. Se você deixar a iniciativa para a máquina é muito provável que as chances de interação acabe sendo zero.

ODC – Por fim, quais os desafios e as possibilidades de articulação entre informação, comunicação e diversidade atualmente?

FV – O principal desafio é a coragem. Nenhum estado no espaço Ibero-Americano se atreveu a ir contra a grande mídia. É preciso dialogar, promover um debate aberto e franco e não duvidar da capacidade dos espectadores de tirar suas próprias conclusões. Para isso, o Estado e a sociedade precisam ser corajosos e se atreverem a perder poder, mas ganhar espaços para a divesidade, cidadania e o respeito.

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