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Catálogo Culturas Populares e Identitárias da Bahia

A valorização da diversidade cultural, além de levar em conta o que uma comunidade é capaz de expressar simbolicamente, traduz-se pelo respeito à sua história, aos seus valores, às suas maneiras de agir e conviver com a natureza e com o outro. As convenções sobre o tema, especialmente a da UNESCO, consolidam a promoção de sua visibilidade como um dever dos Estados e tratam da necessidade de sua constante manutenção como matéria de exercício de paz entre os povos, como forma de inclusão e desenvolvimento, e como outra medida de riqueza, capaz de instaurar uma prática de não submissão, de autonomia e soberania.

Será assim se entendermos a cultura como um bem comum, como a possibilidade que todos têm de sonhar um mundo melhor, traduzir esse sonho em objeto ou rito e partilhá-lo. Assim será se, ao invés de criarmos a tradicional “cumeeira” e o entendimento da cultura apenas como a prática de atividades artísticas de poucos para poucos, se ao invés de usarmos os (pré) conceitos, que separam a chamada alta cultura, inacessível à maioria, e a cultura dita popular, desvalorizada por muitos, tratarmos a cultura como um bem comum.

Tendo sido criada também para transformar o princípio de respeito à diversidade em política pública, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, sem privilegiar esta ou aquela fonte, mapeia e instiga os criadores e mantenedores de determinada expressão cultural a buscar suas origens primeiras, sem esquecer que o percurso da História aprimora, transforma, enriquece, atualiza. Sem esquecer que o início serve para construir o futuro.

Este catálogo, entre os de outros setores da cultura, é um instrumento estratégico das políticas públicas. Fazendo eco às convenções citadas e às diretrizes das Conferências Estaduais de Cultura, registra, em suas páginas, a memória de ações criadoras, assim como incorpora um breve detalhamento dessas ações, fazendo com que nossa expressão cultural seja visível em sua pluralidade não só temática e estética, mas que possa ser, ainda, vislumbrada como eixo estratégico do desenvolvimento pleno do estado.

Márcio Meirelles
Secretário de Cultura do Estado da Bahia

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Rede da Diversidade Cultural

A Rede da Diversidade Cultural é uma  expansão das atividades de  formação, informação e pesquisa desenvolvidas  pelo ODC. Um espaço que  reúne alunos, ex-alunos, professores e  parceiros para debates, troca de  experiências, desdobramento de  discussões e proposição de ações a  partir das atividades formativas  realizadas em cursos, palestras e  oficinas. Tem um objetivo mobilizador e  a pretensão de alimentar novas  atitudes e ações de proteção e promoção  da diversidade cultural. Nesse  sentido, a Rede é uma ferramenta para  construir, impulsionar e firmar  pontes sociais e parcerias mediadas por  processos colaborativos  envolvendo pessoas de diferentes contextos  sócio-culturais.

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Os jogos que os brasileiros conhecem e que o Brasil desconhece

Escreverei sobre jogos. Mas, como o assunto é a diversidade, irei abordar tanto aqueles que foram criados milhares de anos antes de Cristo até os da atualidade que invadiram os computadores e podem ser acessados pela internet. Os jogos apareceram quando apareceu a civilização e, seja onde for que ela floresceu, brotaram de forma autenticamente integrada à cultura de cada povo em particular.

Primeiramente surgiram jogos no Egito e na Mesopotâmia. Os fenícios cultuavam como símbolo de seu povo o tabuleiro de um jogo. China, Índia, Pérsia. Todos criaram jogos. Grécia e Roma, Europa medieval e moderna. Na América do Norte, no século XX, a cultura dos jogos proliferou de tal forma que o Banco Imobiliário, Monopoly em inglês, vendeu mais de 200 milhões de unidades em todo o mundo.

Hoje em dia a indústria dos games movimenta mais dinheiro do que a do cinema. Joga-se em casa, no trabalho, na rua e na televisão. Mais atualmente ainda, a internet tratou de conectar jogadores de todas as partes do mundo. E, para surpresa de muitos estudiosos, não se concretizou a hipótese de que no futuro o homem só jogaria contra máquinas.

O fato de que, nos jogos online, duas pessoas utilizam a mediação do computador para jogar através de uma conexão via internet, vem consolidar a vocação de agregadores dos jogos, recupera sua função socializante e cumpre sua missão de propagadores de conhecimento e cultura.

Os jogos podem ser usados também para desenvolver habilidades cognitivas importantes para o aprendizado e mesmo para a saúde das pessoas. E isso com pouco esforço por estarem diretamente ligados à experiência diária das pessoas. Seria interessante que pessoas de diversas culturas pudessem praticar os seus jogos junto a pessoas de outras culturas para dessa forma transmitirem todo um legado de experiências diversificadas.

Nesse aspecto, o Brasil é um país privilegiado pela quantidade de diferenças, mas muito ainda tem que ser feito para que elas se transformem em diversidade. Fazem parte do conhecimento de nosso povo, jogos tão diversos quanto os povos que o compõem e, portanto, existem tribos indígenas que até hoje praticam o Jogo da Onça.

Da mesma forma, embora ainda não exista nenhuma pesquisa que o comprove, podemos acreditar que se pratiquem jogos em todas as comunidades de imigrantes que povoam nosso país. Sendo assim, é muito provável que os japoneses joguem o Go e os chineses o Mah Jong em São Paulo. Os ucranianos do Paraná devem praticar o jogo de Damas e o Xadrez. Os judeus do Amazonas com certeza têm o Dreidel entre suas atividades tradicionais e os portugueses do Rio de Janeiro ainda conhecem o nosso jogo da velha pelo nome de Jogo do Galo.

Dos africanos, existe registro de que o jogo nacional de diversos países daquele continente era praticado no porto de Salvador nos anos 30 do século passado, mas atualmente nenhuma comunidade de seus descendentes parece conhecer o Mancala. O que comprova que a sociedade brasileira, apesar da grande variedade de informações culturais presentes em comunidades isoladas, não promove a divulgação dessa diversidade de forma a transformá-las em atributos culturais de nosso povo.

A utilização de jogos pode ser muito interessante para difundir essa noção de diversidade. Afinal, brincando e se divertindo, as pessoas depreendem informações com muito maior facilidade e passam a considerar como seus os mais diversos atributos culturais que em outras atividades lhes soariam distantes e inescrutáveis.

Prova disso é o projeto da Oficina do Pensar e Agir que a Origem Jogos e Objetos e o Instituto Gerson Sabino vêm promovendo junto a escolas públicas e privadas em Belo Horizonte, com grande adesão dos estudantes, que aprendem a prática de jogos de todas as partes do mundo e de todos os tempos, e de professores, que são capacitados para a utilização desses jogos em atividades extracurriculares, uma poderosa ferramenta no desenvolvimento de habilidades que serão importantes também na sala de aula.

Os jogos estimulam pelo menos cinco capacidades do desenvolvimento cognitivo: de raciocinar na busca dos meios para atingir um fim; de organizar vários elementos para uma finalidade; de identificar e avaliar situações futuras próximas; de prever possíveis conseqüências de atos próprios e alheios e de exercitar a tomada de decisão frente a um fato concreto. Ao lidar com a imaginação, a atenção e a concentração, os jogos estimulam também o espírito de investigação e desenvolvem a criatividade e a memória. Por outro lado, é uma atividade recreativa completa, que permite às pessoas assumirem atitude própria, daí obtendo plena integração ao grupo social.

No que tange às dimensões éticas e morais, a prática do jogo reforça a formação do caráter, desenvolvendo a paciência, a prudência, a perseverança, a autoconfiança, o autocontrole e sublimando a agressividade. Enfim, os jogos são um testemunho importante das diversas formas de cultura e o Brasil tem um verdadeiro tesouro nacional na diversidade dos jogos conhecidos em seu território. Só falta difundir isso e tornar esse material um instrumento de desenvolvimento de nosso povo através da educação dos jovens de nosso país.

*Maurício de Araújo Lima é diretor e pesquisador da Origem Jogos e Objetos, jornalista com mestrado em Interações Midiáticas pela PUC Minas.

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