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Centro Cultural Banco do Brasil recebe projetos até 8 de junho

Foto: Creative Commons.

O Programa Banco do Brasil de Patrocínios 2019/2020 irá selecionar projetos a serem patrocinados para compor a programação das unidades do Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), nos anos de 2019 e 2020. As inscrições vão até 08 de junho de 2018.

Os produtores dos projetos podem ser de todo o Brasil, não se limitando às áreas que estão localizados os CCBBs.

Após passarem por análises e aprovação de comissões internas e serem validados na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), os projetos serão submetidos à Lei Rouanet. Isto é, o montante de patrocínio estará de acordo com a disponibilidade orçamentária do próprio banco.

O edital enfatiza a transparência, divulgação ampla das políticas, diretrizes e normas de acesso ao patrocínio; democratização com adoção preferencial de critérios e mecanismos de seleção pública; sintonia com políticas afirmativas, além das diretrizes de sustentabilidade e acessibilidade para a escolha de projetos.

Poderão participar propostas nas áreas de Artes Cênicas, Cinema, Exposição, Ideias, Música e Programa Educativo:

Artes Cênicas: circo, dança, festival/mostra, teatro, evento multidisciplinar e evento área externa (exclusivo CCBB DF);

Cinema: festival, mostra, evento multidisciplinar e evento área externa (exclusivo CCBB DF);

Exposição: coletiva, individual, evento multidisciplinar;

Ideias: debate, palestra, seminário, workshop / oficina;

Música: série, festival, evento multidisciplinar e evento área externa (exclusivos CCBB DF e RJ);

Programa Educativo: arte-educação (projetos contínuos que trabalham a mediação em arte a partir da programação proposta pelo CCBB).

Acesse o site oficial para mais informações: www.bb.com.br/pbb/pagina-inicial/sobre-nos/patrocinios#/

 

Fonte: Cultura e Mercado.

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Na arte e na vida, a diversidade é que faz a diferença

Para encerrar a série de entrevistas da Semana da Diversidade Cultural, o Observatório da Diversidade Cultural conversou com duas personalidades que atuam nos campos das Artes, Literatura e Sexualidade, para falar sobre a questão de gênero, etnia e memória.

Luiz Morando é pesquisador autônomo sobre memória das identidades LGBTQIA em Belo Horizonte. Tem graduação em Letras, mestrado em Literatura Brasileira e Doutorado em Literatura Comparada, tudo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é professor no Centro Universitário Uni-BH e atua também no campo da Sociologia com os temas homoerotismo, teorias de gênero e sexualidade e representação de identidade.

 

Domingos Mazzili tem formação em Medicina e trabalhou como psquiatra até 2007, quando passou a dedicar-se exclusivamente às artes. Tem especialização em História da Arte (UFMG) e graduou-se em Artes Visuais na (UFMG) e em Artes Plásticas na Escola Guignard (UEMG). Dentre seus inúmeros trabalhos artísticos, destacam-se as exposições fotográficas das cerca de 20 personagens femininas às quais ele mesmo dá vida.

 

ODC – Por que é importante a manutenção da diversidade das expressões culturais?
Morando – É fundamental garantir a diversidade das expressões culturais porque a experiência de convivência humana só se estabelece de forma plena quando se reconhece a pluralidade. Legitimar e reconhecer a diversidade de expressões culturais fortalece a consciência de cidadania, a sensação de pertencimento a um Estado de direitos, a criação de laços de solidariedade, o respeito às diferenças de gênero e orientação sexual.

ODC – Por que é importante ser diferente?
Mazzili – Porque a diferença faz diferença! O mundo nos pede reinvenção a todo instante: o pensar diferente, o agir diferente. Só assim, deixaremos nossa marca – nossa diferença – nesta passagem pela vida.

ODC – Como a sociedade deve atuar para promover as diferenças?
Mazzili – É importante haver ações que permitam a inclusão do que é diferente do que está posto, do status-quo reinante. Ao elegermos algo como “ideal”, seja pela cor, pelo gênero, pela opção sexual, pela classe social, pela religião, pelo peso etc., descartamos tudo aquilo que foge à regra e, assim, nos tornamos intolerantes com o outro. Em tempo: a indiferença, assim como a intolerância, matam!

ODC – Por que precisamos de políticas públicas para a diversidade?
Morando – Porque cada segmento possui particularidades e especificidades que exigem um olhar pontual e singular. Portadores de necessidades especiais, negros, povos indígenas, mulheres, as pessoas LGBTQIA, populações de vida precarizada, entre outros, têm demandas específicas e sofrem processos de marginalização também particulares.

A necessidade dessas políticas públicas se torna ainda mais imprescindível quando se observam sobreposições desses segmentos – como a travesti negra e pobre ou a mulher indígena portadora de HIV. Essas sobreposições expõem brutalmente as diversas desigualdades e os entraves culturais caracterizados pelo racismo estrutural, pela LGBTfobia, pela xenofobia, pelo preconceito aos migrantes etc. Políticas públicas bem planejadas, que se tornem permanentes, construídas no diálogo entre as partes, de maneira conjunta, com fundo orçamentário regular e suficiente, certamente contribuirão para melhorar índices de desenvolvimento ligados à educação, saúde, participação política e construção de valores éticos no meio em que vivemos.

A drag Divine de Domingos Mazzili. Foto: Felipe Ferreira.

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A boneca Tina vem te mostrar como a diferença é “descolada”

Tina na Pedra da Gávea, no Rio. Foto: Marta Alencar.

Agente inclusiva, influenciadora digital e viajante do mundo. É assim que se define Valentina Descolada (ou Tina para os íntimos), em seu perfil no Instagram (@tinadescolada), seguido por 3,6 mil pessoas interessadas nas aventuras desse boneca (não estamos sendo pejorativos, sim, literalmente uma boneca), cadeirante, que é fonte de inspiração para diversas pessoas.

Nascida da ideia da psicóloga mineira Marta Alencar, o primeiro trabalho de Tina, a boneca articulada da Mattel, foi ajudar uma menina também cadeirante a se aceitar posando juntas para fotos. Mas as sessões fotográficas que começaram ali foram mais longe e, além de modelo, ela virou blogueira que conta seu cotidiano, aventuras e dá dicas sobre inclusão de pessoas com deficiências (para todos) em seu blog www.tinadescolada.com. Lá, é possível ler sobre a acessibilidade de pontos turísticos em Belo Horizonte, onde mora, saber como participar de uma escola de arte na linha do concept design e acompanhar sua viagem que desbravou o Deserto do Atacama e o Salar de Uyuni, na Bolívia e Chile.

Tina também conta com o apoio de diversos amigos, entre eles, a modelo mundialmente conhecida Winnie Harlow, que tem vitiligo e arrasa nas passarelas e campanhas publicitárias. O registro das duas juntas, assim como os da passagem de Tina por cidades no interior de Minas como Diamantina ou na região da Serra do Cipó, Buenos Aires, na Argentina, e Colônia del Sacramento, no Uruguai, são um deleite para quem quer visitar esses lugares e podem contar com as dicas pra lá de descoladas de Tina.

Quer mais? A celebridade já participou e promoveu uma exposição no Museu das Minas e Metais, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade da capital mineira, sob o título “Tina descolada: no Reino da diferença”. Um sucesso!

A diferença, aliás, faz parte da essência e criação de Tina. Assim como sua idealizadora, Marta, ela acredita que, enquanto tivermos uma sociedade desigual socioeconomicamente, marcada pela discriminação e o preconceito em relação às diferenças, as políticas públicas para a diversidade continuarão sendo indispensáveis. “Somos naturalmente diferentes em características físicas, mentais e emocionais. A diferença está intrínseca em todos nós e, além disso, estamos em constates mudanças. O importante, na verdade, é sermos reconhecidos e aceitos nas diferenças em relação ao outro e a nós mesmos. Ao sermos reconhecidos nelas, podemos respeitar e conviver melhor conosco e com o outros”, acrescenta Tina, com seu espírito que rompe fronteiras e abre olhares e pensamentos para a diversidade.

Não deixe de acompanhá-la em seus canais: @tinadescolada (Instagram); www.tinadescolada.com; e Tina Descolada no Facebook.

Sobre Marta Alencar
Psicóloga na Associação Mineira de Reabilitação, trabalha há 37 anos com pessoas com deficiência física. Seu trabalho não é exclusivamente feminino, porém, por atender a crianças, está inserida em uma realidade majoritariamente composta por mulheres, muitas delas mães, que lidam com as dificuldades de criar uma criança com deficiência em uma sociedade que não foi pensada e estruturada para incluí-la.

 

Crédito: arquivo pessoal.

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