REPRODU脟脙O: O TEMPO
Maioria dos membros da Comiss茫o de Constitui莽茫o e Justi莽a da Casa entendeu que a proposta, de autoria de Coronel Sandro (PSL), 茅 inconstitucional e ilegal

Foi arquivado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na manh茫 deste ter莽a-feira (20), o projeto de lei que pretendia acabar com a Lei Estadual de Incentivo 脿 Cultura (22.944/2018). A proposta previa o fim da concess茫o de incentivo fiscal com o objetivo de estimular a realiza莽茫o de projetos culturais no Estado e era conhecida como “Lei Rouanet mineira”.
A proposi莽茫o, de autoria do deputado estadual Coronel Sandro (PSL), foi rejeitada na Comiss茫o de Constitui莽茫o e Justi莽a (CCJ) da Casa. O presidente do colegiado e relator da proposta, Dalmo Ribeiro (PSDB), chegou 脿 conclus茫o de que a mat茅ria 茅 inconstitucional, ilegal e antijur铆dica. Esse entendimento foi aceito por seis dos sete membros presentes na comiss茫o. Somente Bruno Engler (PSL) votou favoravelmente ao andamento do projeto.
Em seu parecer, o tucano afirmou tamb茅m que uma das justificativas apontadas por Coronel Sandro, de que h谩 duas propostas de iniciativa popular em tramita莽茫o no Congresso que visam 脿 revoga莽茫o da Lei Rouanet, j谩 receberam pareceres contr谩rios e foram derrotadas na primeira comiss茫o em que tramitaram no Senado, a de Direitos Humanos e Legisla莽茫o Participativa.
Al茅m disso, o pol铆tico pontuou que a Lei 22.944 foi editada para cumprir 脿 exig锚ncia do artigo 216-A da Constitui莽茫o da Rep煤blica, que instituiu o Sistema Nacional da Cultura, em que cabem aos Estados a organiza莽茫o de seus pr贸prios sistemas. E o texto, no parecer dele, indica que a lei em vigor est谩 em sintonia com o artigo 207 da Constitui莽茫o Mineira, que lista os instrumentos para o pleno exerc铆cio dos direitos culturais, entre os quais a ado莽茫o de incentivos fiscais.
“Por fim, vale ressaltar que a lei que se pretende revogar foi fruto de amplo processo de debate, com especialistas, t茅cnicos da 谩rea, gestores, produtores e artistas, com avan莽os na distribui莽茫o de recursos entre capital e interior, para a democratiza莽茫o de acesso a bens culturais e para a preserva莽茫o do patrim么nio cultural brasileiro”, escreveu Dalmo.
脌 reportagem, o tucano tamb茅m citou que,聽 por quest玫es constitucionais, um pedido de revoga莽茫o deveria vir por iniciativa do governador. “脡 v铆cio de iniciativa sendo porque a 煤nica compet锚ncia para que se pudesse essa lei seria do governador do Estado. E, principalmente, essa 茅 uma lei que foi trabalhada por muito tempo, foram feitas v谩rias a莽玫es para o aperfei莽oamento da Lei da Cultura. Quanto ao m茅rito, 茅 um trabalho importante, mas, sobre a constitucionalidade, n茫o podemos deixar avan莽ar na comiss茫o.”
Em conversa com a reportagem, Coronel Sandro disse que a CCJ 茅 soberana para tomar essas decis玫es e que at茅 mesmo n茫o participou do colegiado porque quis deixar os deputados mais 脿 vontade. “Sobre a quest茫o da constitucionalidade e聽 ilegalidade, eu posso n茫o concordar, e a quest茫o da juridicidade 茅 para ser discutida. Numa quest茫o de prioridade, o que 茅 mais importante: sa煤de e educa莽茫o ou cultura?”
O parlamentar conta que analisou a possibilidade de retirar o projeto de tramita莽茫o para fazer eventuais corre莽玫es apontadas pela CCJ, mas que depois avaliou e concluiu que sua posi莽茫o estava bem definida: “Ent茫o, aqueles que s茫o contra, que votem contra”.
Ele explicou que n茫o vai recorrer da decis茫o do colegiado em plen谩rio, mas adiantou que vai apresentar um outro texto tratando sobre o mesmo tema, uma vez que o objetivo dele 茅 “n茫o permitir que dinheiro p煤blico seja usado para eventos art铆sticos e culturais, enquanto h谩 uma enorme dificuldade para manter escolas e um adequado atendimento 脿 sa煤de”.
“N贸s vamos buscar outras formas para corrigir aqueles eventuais v铆cios que foram apontados pela comiss茫o para rejeitar o projeto e apresentar outro no mesmo sentido”, contou.
Durante a vota莽茫o da proposta, as deputadas Ana Paula Siqueira (Rede) e Celise Laviola (MDB) levantaram a quest茫o de que o deputado 茅 de uma regi茫o do Estado onde est谩 o bojo da cultura mineira, que 茅 a regi茫o do Vale do Rio Doce. Sobre isso, Coronel Sandro avaliou que “est茫o tergiversando sobre a motiva莽茫o principal”.
“Eu nunca fui contra a cultura ou eventos art铆sticos. Eu s贸 sou contra o uso de dinheiro p煤blico para isso. A iniciativa privada d谩 conta muito bem de manter um sistema de incentivos privados 脿 cultura e a eventos privados. A participa莽茫o do Estado com dinheiro p煤blico na cultura 茅 m铆nimo, que n茫o faz falta para a cultura, mas faz falta para a escola que est谩 precisando funcionar” , disse.
Entre outros pontos, a lei cria mecanismos de incentivo 脿 cultura com isen莽茫o de ICMS para quem investir em projetos culturais. Na pr谩tica, o governo estadual deixa de receber de empresas e pessoas f铆sicas um dinheiro que receberia por meio do ICMS e que passa a patrocinar projetos da 谩rea cultural.
Para conseguirem esse investimento, os interessados apresentam propostas que s茫o analisadas pela Comiss茫o Parit谩ria Estadual e Incentivo 脿 Cultura de Minas Gerais (Copefic), que 茅 composta por servidores estaduais e representantes da 谩rea.
O deputado sugeria que, em uma poss铆vel revoga莽茫o da Lei Estadual de Incentivo 脿 Cultura, o valor deveria ser remanejado em sua integralidade para a 谩rea da educa莽茫o. Na justificativa da proposi莽茫o, ele argumentou que os projetos financiados pela receita do ICMS, mediante dedu莽茫o por parte das empresas, abrange em sua maioria “apenas uma 铆nfima parcela de pessoas”.
“(Esses indiv铆duos) em sua suprema maioria possui plenas condi莽玫es financeiras de custear seus pr贸prios eventos art铆sticos e culturais enquanto que o povo padece todos os dias em todos os setores”, escreveu.
A rejei莽茫o da proposta foi comemorada por representantes da 谩rea da cultura que estavam presentes na comiss茫o. Um deles foi Jos茅 Oliveira J煤nior, do Sindicato dos Artistas. “Foi uma mobiliza莽茫o do setor tentando pontuar a import芒ncia da lei que o deputado estava tentando revogar. Essa lei foi criada ap贸s discuss茫o em todas as regi玫es do Estado, n茫o foi uma legisla莽茫o casu铆stica. O tipo de proposta 茅 negativa para a sociedade como um todo e n茫o s贸 para um setor”, afirmou.
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