Por Paula Gotelip
Oi, tudo bem?
Eu me chamo Paula e acabei de chegar por aqui.
Não gosto muito de começar falando das minhas formações ou títulos — prefiro pensar que sou o que a gente constrói na relação. Ainda assim, acho que algumas pistas podem ajudar a justificar minha presença como colaboradora do Observatório da Diversidade.
Se você está lendo este texto, já te adianto: ele é uma farsa! Calma, não no sentido ruim — é que eu engano bem. Não me considero uma pessoa que escreve “bem”, mas aprendi a mascarar direitinho. Quando o assunto é coesão textual, então… aí complica.
O que você lê agora foi escrito — e também ditado — por mim, com o apoio da inteligência artificial. Essa parceira, que pago certinho todo mês, me ajuda a colocar minha voz no mundo e a compreender textos complexos. Tem funcionado como um recurso acessível pra quando as palavras querem fugir… ou me confundir.
Pra te explicar melhor, talvez eu precise voltar um pouquinho no tempo. Minha primeira papinha foi jiló — isso mesmo, jiló aos seis meses! Acho que meu pai já queria me dar um recado: “filha, a vida não vai ser fácil.” E não foi mesmo. Mas foi criativa.
Sou uma pessoa com dislexia, discalculia e altas habilidades — essa última é o que costuma me “salvar” no jogo capitalista e me dar uma certa “funcionalidade”. Também sou uma pessoa surda e faço uso de aparelhos auditivos. Mas sou mais do que diagnósticos: sou mãe, artista, pesquisadora, arteterapeuta, professora. Sou, às vezes, tocadora de violão desafinado que só toca música sem pestana. Inventora de desculpas boas pra não atender o telefone. Fã de jiló (desde os seis meses, juro). Pessoa que esquece o CPF e lembra do cheiro das coisas.
A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem, de origem neurobiológica, geralmente identificado no processo de alfabetização. Afeta habilidades como reconhecimento de palavras, fluência na leitura, decodificação e soletração. Estima-se que cerca de 10% da população mundial seja disléxica — é muita gente!
Em 2025, uma nova definição passou a reconhecer a dislexia como multifatorial, persistente, variável em intensidade e frequentemente associada a outras dificuldades do desenvolvimento. Nos últimos anos, tem ganhado força uma visão mais inclusiva: a dislexia não é apenas um desafio, mas também uma forma diversa de perceber o mundo.
De acordo com dados disponíveis no site Domlexia, com intervenção adequada, pessoas disléxicas se destacam em áreas como empreendedorismo, ciência, artes, esportes, engenharia e arquitetura. Só pra você ter uma ideia: 35% dos empreendedores do Vale do Silício são disléxicos. Mas sem apoio, o cenário é outro. Estima-se que 30% abandonam a escola na adolescência e até 50% dos jovens envolvidos com abuso de álcool, drogas ou em conflito com a lei têm histórico de dislexia não identificada ou negligenciada.
Muitas pessoas com dislexia têm pensamento visual aguçado, criatividade intensa e percepção sensorial ampliada. Agora imagine o que seria possível se os métodos de ensino levassem em conta essas potências? É por isso que falar sobre dislexia é tão importante: pra romper estigmas, abrir espaço, ajustar acessos e — quem sabe — desnormatizar um pouco o que se entende por “saber”.
Falar sobre isso é urgente. Não por mim, mas por tantos que ainda tropeçam em portas que poderiam ser janelas. Sou uma dessas que escreve com tropeço e, por isso, fala escrevendo. Que se perde fácil no meio da frase, mas encontra caminhos na dobra da escuta.
É desde essa escuta — sensível, múltipla, às vezes confusa, mas sempre curiosa — que vou escrever por aqui. Pra conversar com vocês, pra observar junto, pra abrir espaço. Não como quem sabe, mas como quem observa junto. Como quem sente o mundo torto, escuta com o corpo, tropeça em palavras e, mesmo assim, tenta tecer um fio com o outro.
Seguimos.
Todos os campos devem ser preenchidos. Seu e-mail não será publicado.
CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO Revista Observatório da Diversidade Cultural, volume 104, nº 01/2026 Diversidade Cultural e Ação Comunitária: possibilidades, experiências e desafios Período para submissão: 09 de março a 04 de maio de 2026 A Revista do Observatório da Diversidade Cultural convida pesquisadoras(es), gestoras(es) culturais, educadoras(es), artistas, estudantes, lideranças comunitárias e integrantes de coletivos culturais […]
O Observatório da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, patrocínio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de formação GESTÃO CULTURAL PARA LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS. Período de realização: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Horário: Encontros online às quintas-feiras, de 19 às 21h00 Carga horária total: 6 […]
Incrível!! É bom saber mais sobre dislexia por que eu também faço parte desse grupo