Por Maria Fernanda Schofield
Ainda me recordo de uma professora do meu 7º ano no colégio. Na época, eu morava em Brasília e confesso que tinha pouco contato com diferentes culturas e perspectivas.
Um dia, essa professora entrou na sala carregando várias caixas. Minha curiosidade, de imediato, foi despertada. Com delicadeza, ela colocou uma caixa diferente sobre cada mesa e pediu que os alunos se organizassem em grupos, posicionando-se diante daquela que escolhessem. Ao seu simples comando de “já!”, cada grupo abriu sua caixa e, dentro delas, estava o mundo.
Em cada caixa havia objetos dos diferentes países que a professora havia visitado. Esculturas vindas de Botsuana. Artigos religiosos do Sri Lanka. Instrumentos dos Tupinambás, do Brasil. Vestimentas dos povos originários do Peru… A sala inteira ficou maravilhada. Ao tocar aqueles objetos, cada criança sentia a presença de um universo novo, desconhecido. Uma experiência de conexão com a história e com a cultura.
A educação e, principalmente, professores e professoras possuem um papel fundamental para que indivíduos em formação tenham contato com novas culturas e aprendam a valorizar a diversidade.
A educação têm uma potência: nos coloca em contato com o novo. E quando falamos de diversidade cultural, o novo ocupa papel central, pois é através dele que aprendemos a respeitar e a dar visibilidade às diferentes formas de cultura, e às múltiplas maneiras de criá-la e recriá-la. A educação, por meio dos professores e professoras, têm a capacidade de transformar as diferenças em conhecimento.
As práticas educativas que rompem com a lógica de homogeneidade e da uniformização, e que avançam na construção de espaços pedagógicos capazes de abarcar o múltiplo, assumem papel central no reconhecimento e aceitação das diferenças. Ao mesmo tempo contribuem para o estabelecimento de padrões de respeito, de valores éticos e morais, e para a efetiva garantia de direitos sociais.
Nessa perspectiva, educar significa romper a concepção de educação como apenas um aspecto institucional e compreendê-la como parte de um processo dinâmico e complexo de desenvolvimento humano.
O campo educacional desempenha papel decisivo na formação de identidades, tornando a escola um espaço central nesse processo para crianças e jovens. O contato com a diversidade cultural nesses ambientes é essencial, uma vez que favorece a construção de sujeitos mais empáticos e críticos, e os prepara para viver em uma sociedade plural e em constante transformação.
Vale lembrar que a formação de professores é de extrema importância se desejamos construir uma sociedade mais comprometida com a diversidade cultural, uma vez que trabalhar essa temática na formação docente amplia o repertório temático e prático desses profissionais. É notória a relevância da inserção dessa temática como um eixo fundamental na formação continuada de docentes e pedagogos/as, a ser promovida pelas instituições de ensino superior e técnico-profissional, com vistas à construção de uma cultura escolar intercultural.
Nesse contexto, é por meio da educação que os professores podem possibilitar que os alunos explorem as riquezas da pluralidade, reconhecendo a validade e importância da troca e aprendendo a conviver em grupo. O contato com o novo e o diverso impulsiona a vida de qualquer pessoa, tornando-a mais plural, tolerante e democrática, além de reforçar a ideia de que as vivências não se moldam de forma uniforme, mas sim de forma singular.
Festejar o Dia dos Professores é reconhecer a importância de seu trabalho na ruptura com a uniformização cultural e apagamento das diferenças, e na valorização da pluralidade das culturas como horizonte pedagógico concreto nas rotinas escolares. Nesse sentido, a escola passa a ser entendida como território de encontro e diálogo. Lugar de questionamento crítico mas também de criação. Professores e professoras são agentes ativos da aventura da descoberta do outro!
CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO Revista Observatório da Diversidade Cultural, volume 104, nº 01/2026 Diversidade Cultural e Ação Comunitária: possibilidades, experiências e desafios Período para submissão: 09 de março a 04 de maio de 2026 A Revista do Observatório da Diversidade Cultural convida pesquisadoras(es), gestoras(es) culturais, educadoras(es), artistas, estudantes, lideranças comunitárias e integrantes de coletivos culturais […]
O Observatório da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, patrocínio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de formação GESTÃO CULTURAL PARA LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS. Período de realização: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Horário: Encontros online às quintas-feiras, de 19 às 21h00 Carga horária total: 6 […]