Fonte: Jornalistas Livres
Humberto Meratti entrevista profissionais do setor sobre as perspectivas sob um governo que tem os artistas como inimigos. Demiss玫es e efeito cascata nas secretarias municipais e estaduais est茫o entre as maiores preocupa莽玫es

Foto: Dorberto Carvalho em ato frente ao Theatro Municipal de S茫o Paulo.
脡, vivemos novamente o decl铆nio dentro da 谩rea cultural. Em 1990, Fernando Collor de Mello extinguiu o Minist茅rio da Cultura. Itamar Franco, em 92, reativou o MinC. Fernando Henrique Cardoso pouco fez em sua gest茫o. Com a chegada de Lula, Gilberto Gil e assessores capacitados elevaram a Cultura do nosso Pa铆s em grandes saltos, como diria Ant么nio Carlos Rubim em seus textos. Em 2018, Michel Temer fechou o MinC, depois voltou atr谩s e reabriu. Nunca vi isso amigos! Agora, sob a reg锚ncia de um governo populista semelhante ao de 1990, novamente o MinC foi enxugado, praticamente extinto e se tornou um agregado do Minist茅rio da Cidadania junto com o Esporte, o que ali谩s, rende outra mat茅ria rs.
Em virtude dessas a莽玫es que embalaram as m铆dias nas 煤ltimas semanas, dialoguei com artistas e produtores, estudiosos, lideran莽as, agentes p煤blicos e ex-agentes p煤blicos, que s茫o trabalhadores da cultura dentro dos seus segmentos assim como eu, talvez voc锚, e outros amigos, para entender o que os mesmos pensam, cada um com seu posicionamento sobre os 煤ltimos ocorridos.
Carlos Kotte 茅 captador de recursos e contato publicit谩rio. Por telefone, disse acreditar que o que vem ocorrendo com o setor 茅 uma falta de comprometimento com os brasileiros e os trabalhadores da 谩rea.
鈥淎 CULTURA ASSIM COMO QUALQUER ATIVIDADE ECON脭MICA, 脡 POTENCIALMENTE GERADORA DE EMPREGOS, E SEM UMA PASTA DE GOVERNO PR脫PRIA, MILHARES DE PESSOAS QUE NEM ARTISTAS S脙O CERTAMENTE PERDER脙O SEUS POSTOS DE TRABALHO TAMB脡M. O QUE ME CONSOLA 脡 QUE NO FUTURO A POL脥TICA NOVAMENTE TER脕 DE TER NOVOS DESDOBRAMENTOS, COM OUTRA POSI脟脙O IDEOL脫GICA鈥.
Alfredo Manevy 茅 doutor em Audiovisual pela Universidade S茫o Paulo e atualmente, 茅 docente e pesquisador especialista em Gest茫o Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atuou como Presidente da SP Cine; Secretario Executivo e Secret谩rio de Pol铆ticas Culturais do MinC e, Secretario Adjunto da Cultura no munic铆pio de S茫o Paulo. Sobre o que ocorre na pol铆tica atual, Manevy afirma:
鈥淎 CULTURA E ARTE S脙O 脕REAS EM QUE O BRASIL 脡 INTERNACIONALMENTE RECONHECIDO PELA SUA CRIATIVIDADE E DIVERSIDADE. ACABAR COM O MINIST脡RIO DA CULTURA, RESPONS脕VEL PELAS POL脥TICAS P脷BLICAS CULTURAIS DO PA脥S, 脡 UMA DECIS脙O QUE VAI NA CONTRAM脙O DAS DEMOCRACIAS CIVILIZADAS. 脡 O MINC QUEM IMPLANTA, POR EXEMPLO, BIBLIOTECAS P脷BLICAS EM CIDADES QUE N脙O AS POSSUEM. S脙O OS VALORES B脕SICOS DO ILUMINISMO QUE EST脙O SENDO JOGADOS FORA. BOLSONARO E PAULO GUEDES N脙O COMPREENDEM SEQUER QUE A CULTURA EST脕 ENTRE AS 10 ECONOMIAS DO MUNDO, E TRAZEM COMO VELHA NOVIDADE A IND脷STRIA POLUENTE DE COMMODITIES (SOJA E BOI) QUE VEM DERRUBANDO E QUEIMANDO AS FLORESTAS INDISCRIMINADAMENTE. TIRAR A CULTURA DO ROL DE PRIORIDADES NACIONAIS 脡 PASSAPORTE SEGURO PARA ATRASAR O PATAMAR EDUCACIONAL DO PA脥S, JUSTAMENTE NO MOMENTO EM QUE A SOCIEDADE DEVERIA ESTAR ALFABETIZADA E MAIS PREPARADA PARA O S脡CULO XXI, EM TEMAS COMO TOLER脗NCIA, CONVIV脢NCIA E DEMOCRACIA鈥.

FOTO: ALFREDO MANEVY (FONTE: VANHONI)
Fernando AC 茅 graduado em Hist贸ria; mestre em Ci锚ncia Pol铆tica e Professor de Pol铆tica. Atualmente tamb茅m 茅 membro do Conselho Gestor do Fundo Municipal de Cultura, da Funda莽茫o Cultural Cassiano Ricardo, no munic铆pio de S茫o Jos茅 dos Campos. Com rela莽茫o 脿 pauta, o mesmo diz:
鈥淎CREDITO QUE A INCORPORA脟脙O DA CULTURA AO MINIST脡RIO DA CIDADANIA, DEMONSTRA A INCAPACIDADE DESTE GOVERNO EM DIALOGAR, MAS PRINCIPALMENTE EXP脮E O ENFRAQUECIMENTO DAS POL脥TICAS P脷BLICAS PARA O SETOR E ATEN脟脙O AOS VALORES CULTURAIS QUE FORMAM UMA NA脟脙O. O ANIQUILAMENTO DO MINC S脫 DENOTA O OBSCURANTISMO DESTE GOVERNO, QUE CONSEGUIU DISSEMINAR A IDEIA DE QUE AS LEIS DE INCENTIVO TIRAM OS RECURSOS DE HOSPITAIS E ESCOLAS鈥.
Ricardo Alexino 茅 graduado em Comunica莽茫o Social; mestre em Ci锚ncias da Comunica莽茫o; doutor em Ci锚ncias da Comunica莽茫o. Atuou como diretor da R谩dio Universit谩ria da Universidade Estadual Paulista (UNESP) entre 2005 a 2008. 脡 atualmente Professor Associado/Livre-docente da Universidade de S茫o Paulo. Em uma conversa muito interessante. O Dr. Prof. Alexino est谩 na 脕frica, e em um bate papo rico em detalhes, deu suas considera莽玫es sobre a extin莽茫o do MINC e sobre o cen谩rio pol铆tico atual no qual atravessamos no geral.
鈥淐ONSIDERO QUE O ATUAL GOVERNO QUE ASSUMIU A PRESID脢NCIA 脡 INOMIN脕VEL. N脙O 脡 DA DIREITA E TAMPOUCO NEOLIBERAL. N脙O SE CONSEGUE TER UMA IDENTIFICA脟脙O PRECISA PARA AS SUAS TEND脢NCIAS. PARECE UMA SEITA, CONSTITU脥DA POR PESSOAS DESEQUILIBRADAS EMOCIONALMENTE E COM BAIXA CAPACIDADE INTELECTUAL. ESSE GOVERNO 脡 MARCADO POR IGNOR脗NCIA DOS PROCESSOS HIST脫RICOS, POL脥TICOS E CULTURAIS. NESSA PERSPECTIVA TR脢S ALVOS PRINCIPAIS NESSE PROCESSO, POR PARTE DESSE GOVERNO, SERIAM A CULTURA, A EDUCA脟脙O E A CI脢NCIA, MESMO PORQUE, DAR DESTAQUE A ESSAS 脕REAS EXPLICITARIA A PR脫PRIA IGNOR脗NCIA.鈥
鈥淓m rela莽茫o 脿 extin莽茫o do Minist茅rio da Cultura fica expl铆cito o que 茅 valor para esse governo. Minimizar a Cultura exp玫em os valores essenciais para esse governo, em que os aspectos culturais s茫o acess贸rios. Qualquer pa铆s que pensa em seu desenvolvimento hist贸rico-social-pol铆tico valoriza a Cultura. Isso porque n茫o 茅 poss铆vel abordar qualquer aspecto sem pensar a Cultura. A Cultura desenvolve qualquer na莽茫o. Mesmo os regimes autocr谩ticos e autorit谩rios, como o Nazismo alem茫o, valorizaram a Cultura. De forma enviesada, mas valorizaram, mesmo para refor莽ar as suas ideologias. Esse governo tem forte tend锚ncia teocr谩tica e isso interfere muito em seus posicionamentos. Como n茫o tem a inflex茫o intelectual para pensar a Cultura em formas transversais, n茫o consegue nem pensar a Cultura na perspectiva religiosa, base em que se ancora, apesar do Brasil ser constitucionalmente um pa铆s laico. Somente posso lamentar que esse homem, que chegou 脿 Presid锚ncia, seja governante de um pa铆s; que tenha composto um minist茅rio t茫o 鈥渟urreal鈥, com pessoas equivocadas e que tenha extinto n茫o apenas o MinC, mas tamb茅m o Minist茅rio do Trabalho e tenha modificado outros minist茅rios. Sem d煤vida, a extin莽茫o do Minist茅rio da Cultura deixar谩 muitos trabalhadores da 谩rea sem trabalho. Tamb茅m v谩rios projetos culturais ser茫o, provavelmente, extintos ou deixados de lado. Isso implica uma gama muito grande (museus, teatros, pontos de cultura, festivais, atividades culturais, cinema, Educa莽茫o e muitos outros setores). Inclusive h谩 o projeto de acabar com institui莽玫es como o Sesc, que desenvolve produ莽茫o cultural significativa no Brasil. O prop贸sito 茅 a redu莽茫o dr谩stica de verbas. N茫o sei o que pensar da situa莽茫o atual do Brasil e, t茫o pouco, o que pode levar uma popula莽茫o a votar em indiv铆duo como esse. Neste momento, estou na 脕frica do Sul, na Cidade do Cabo, e somente regresso em Junho deste ano. Al茅m de desenvolver pesquisa aqui, foi 脿 forma que encontrei (e foi sincr么nica) de me manter longe desse momento tr谩gico na hist贸ria do pa铆s. Talvez a sombra que Jung tanto comenta, tomou conta do Brasil鈥.

Foto: Ricardo Alexino (Fonte: Fuvestibular)
Jai Mahal 茅 radialista na R谩dio Cultura Brasil AM (S茫o Paulo) e m煤sico do projeto 鈥淛ai Mahal e os Pac铆ficos da Ilha鈥. Segundo o radialista, o governo extinguiu o MinC porque os trabalhadores da cultura s茫o, em sua maioria, articuladores e formadores de opini玫es, o que 茅 contra os interesses deste atual governo. Mahal tamb茅m cr锚, que foi a 煤nica maneira que conseguiram pensar para sufocar (calar) a classe art铆stica.
Alcemir Palma, graduado em Ci锚ncias Sociais pela PUC/SP e que j谩 atuou pela SMC- Secretaria Municipal de Cultura de S茫o Paulo; foi Assessor Parlamentar (ALESP); Diretor de Eventos da Funda莽茫o Cultural Jos茅 Maria de Abreu, no munic铆pio de Jacare铆; Diretor Presidente da FCCR 鈥 Funda莽茫o Cultural Cassiano Ricardo (SJC) e Diretor de Cultura e Patrim么nio Hist贸rico da Prefeitura de Pindamonhangaba. Atualmente 茅 Secretario de Cultura e Turismo de Pindamonhangaba tamb茅m quis dar sua opini茫o. Palma foi detalhista: 鈥淧rimeiro que 茅 uma vis茫o reducionista de que diminuindo Minist茅rios, o Estado ser谩 mais eficiente. Segundo, que o grau de import芒ncia da Cultura para o desenvolvimento humano deixa de estar no mesmo patamar de outras 谩reas. Quando havia Minist茅rio, j谩 era dif铆cil, agora mais ainda. N茫o podemos negar o papel fundamental do Estado no fomento e articula莽茫o dos v谩rios setores da Cultura para que possamos ter um pa铆s que respeite todas as express玫es de nossa diversidade cultural.
鈥淐OM A EXTIN脟脙O DO MINC, ISSO PODE VIRAR UM EFEITO CASCATA. ESTADOS E MUNIC脥PIOS PODEM TAMB脡M ADOTAR O FIM DE SUAS SECRETARIAS. 脡 IMPORTANTE DESTACAR QUE A INDICA脟脙O DE UM 脫RG脙O GESTOR ESPEC脥FICO PARA A CULTURA EST脕 NO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA, QUE DESDE DE 2012, FAZ PARTE DE NOSSA CONSTITUI脟脙O. EM N脥VEL NACIONAL, ESTAMOS NA VERDADE INDO NA CONTRAM脙O DOS AVAN脟OS EM POL脥TICAS CULTURAIS QUE TIVEMOS AT脡 AGORA. COMO SENSIBILIZAR UM MUNIC脥PIO A TER SUA PR脫PRIA SECRETARIA, SE NO GOVERNO FEDERAL FAZ-SE O CONTR脕RIO?鈥
鈥淎 Lei Rouanet tamb茅m precisa ser alterada. O projeto Procultura est谩 engavetado no Congresso. Foi fruto de muitas discuss玫es e visava, entre outras a莽玫es, fortalecer o Fundo Nacional de Cultura e descentralizar o valor destinado 脿 ren煤ncia fiscal. Este deveria ser o caminho da mudan莽a. Mas o que atualmente falam sobre a Lei, n茫o procede, como por exemplo que 鈥渇inancia s贸 artistas de esquerda鈥, ou seja, passam uma vis茫o de um poss铆vel tratamento ideol贸gico. S茫o necess谩rias tais altera莽玫es, inclusive todos os benef铆cios que ela j谩 proporciona鈥, diz Palma.

Foto: Alcemir Palma (Fonte: Portal R3)
Efr茅n Colombani 茅 especializado em Teatro Brasileiro e possui MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gest茫o. 脡 servidor p煤blico de carreira do Estado de S茫o Paulo, j谩 tendo atuado como t茅cnico das Comiss玫es Especializadas do extinto Conselho Estadual de Artes e Ci锚ncias Humanas; Assessoria de Artes C锚nicas e Comiss茫o Estadual de Teatro; foi Diretor de Produ莽茫o do N煤cleo de Teledramaturgia da TV Cultura e Diretor T茅cnico do ProAC ICMS. Atualmente exerce o cargo de Executivo P煤blico na atual Secretaria da Cultura e Economia Criativa, no departamento de G锚neros e Etnias. Seu ponto de vista tamb茅m 茅 pessimista:
鈥淣茫o vejo pr贸s. Considero a extin莽茫o um danoso retrocesso. Al茅m de tudo 茅 simb贸lico e pode gerar um efeito cascata em estados e munic铆pios. A cultura 茅 direito fundamental. 脡 da maior import芒ncia na constru莽茫o e valoriza莽茫o de nossa identidade, de nossa cidadania e juntamente com a educa莽茫o formam um bin么mio fundamental no processo de desenvolvimento social. Ainda que ao longo de sua vida tenha ficado esvaziado e com uma redu莽茫o or莽ament谩ria significativa, a integridade e fortalecimento institucional deveriam ser mantidos para melhor execu莽茫o das pol铆ticas p煤blicas. O MinC necessitava capilaridade. Como uma Secretaria, creio que deve perder autonomia para definir seu or莽amento e que programas devem ser ou n茫o criados. Ele precisa de uma estrutura adequada para promover o acesso aos bens e servi莽os culturais, para formular, planejar, implementar e avaliar as pol铆ticas culturais de incentivo, de fomento 脿s artes, de preserva莽茫o do patrim么nio cultural e de promo莽茫o e valoriza莽茫o da diversidade cultural brasileira. Mais do que uma conquista setorial de artistas, produtores, gestores e fazedores de artes e culturas, o Minist茅rio da Cultura foi uma conquista da sociedade e do povo brasileiro鈥.
鈥淎 CULTURA PARA AL脡M DE SUA DIMENS脙O SIMB脫LICA E SOCIAL IMPACTA POSITIVAMENTE A NOSSA ECONOMIA, GERANDO EMPREGO E RENDA. COMO J脕 脡 SABIDO, O SETOR CULTURAL GERA 2,7% DO PIB E MAIS DE UM MILH脙O DE EMPREGOS DIRETOS, ATINGINDO MAIS DE DUZENTAS MIL EMPRESAS E INSTITUI脟脮ES P脷BLICAS E PRIVADAS. TENDO EM VISTA OUTROS SETORES DA ECONOMIA BRASILEIRA S脙O N脷MEROS MUITO RELEVANTES. 脡 IMPORTANTE CONSIDERAR TAMB脡M QUE COM RELA脟脙O 脌 T脙O INJUSTAMENTE ATACADA LEI ROUANET, FORAM DIVULGADOS ESTUDOS QUE APONTAM QUE A CADA REAL INVESTIDO, RETORNA R$ 1,59 PARA A ECONOMIA DO PA脥S鈥.
Dorberto Carvalho 茅 graduado em Letras pela Universidade S茫o Paulo. 脡 ator, diretor e dramaturgo e, atual Presidente do SATED-SP. Sobre o epis贸dio, ele comenta: 鈥溍 lament谩vel porque se configura como mais uma a莽茫o deliberada contra a produ莽茫o e o acesso 脿 cultura no Brasil, a despeito do que j谩 havia sido feito o Governo Temer voltando atr谩s e mantendo o MINC, que pouco ou quase de nada relevante fez pela cultura no Brasil. Penso que ter um Minist茅rio da Cultura num Governo Bolsonaro pouco valeria, at茅 mesmo como vit贸ria simb贸lica. O governo Bolsonaro afeta negativamente os trabalhadores da classe que atuam no setor cultural e os demais trabalhadores brasileiros. Nesse momento n茫o h谩 como salvar o setor cultural isoladamente sem estrat茅gias conjuntas com todos os trabalhadores.鈥
鈥淎 EXTIN脟脙O DO MINC AFETA TANTO OS TRABALHADORES DO SETOR QUANTO TODAS AS OUTRAS A脟脮ES PROPOSTAS PELO GOVERNO BOLSONARO. ESSE GOVERNO SE UTILIZA DE ESTRAT脡GIAS MUITO EFICAZES E N脙O PODEMOS GASTAR MUNI脟脙O ATIRANDO CONTRA TODOS OS PRATOS LAN脟ADOS. O MOVIMENTO CULTURAL IR脕 RESISTIR E AVAN脟AR SE TIVERMOS NOSSA PR脫PRIA ESTRAT脡GIA E N脙O FICARMOS SENDO PAUTADOS PELO GOVERNO A TODO MOMENTO鈥.
F谩bio Riani Costa Perinotto 茅 graduado em Pedagogia Plena (UNESP) e atualmente especializa-se em Cultura: Plano e A莽茫o, na Escola das Artes da Universidade de S茫o Paulo. Atuou como Gerente de Coordena莽茫o Cultural e Gerente de Fomento e Forma莽茫o Cultural, na Funda莽茫o Cultural Jos茅 Maria de Abreu, no munic铆pio de Jacare铆. Atualmente 茅 Assessor na mesma Funda莽茫o Cultural. Sobre a extin莽茫o da pasta exclusiva ao setor cultural, F谩bio comenta: 鈥淯m perigoso sinal para que talvez alguns Estados e Munic铆pios tamb茅m abram m茫o de seus 贸rg茫os gestores de cultura de primeiro escal茫o. O Sistema Nacional de Cultura, por exemplo, 茅 hoje parte integrante da nossa Constitui莽茫o Federal Brasileira no Art.216-A, e nele consta que caberia ao Minist茅rio da Cultura 鈥 贸rg茫o coordenador do Sistema Nacional de Cultura 鈥 fomentar a amplia莽茫o da ades茫o dos entes federados ao SNC e acompanhar a implanta莽茫o dos sistemas em todos os munic铆pios e estados brasileiros, al茅m do Distrito Federal. O Sistema 茅 Lei, 茅 Constitucional. E mais uma vez a Constitui莽茫o n茫o 茅 respeitada. O Sistema 茅 basicamente constitu铆do de no m铆nimo o 贸rg茫o gestor de cultura e seu 鈥淐PF鈥 (Conselho e Confer锚ncias, Plano Decenal, Fundo de Cultura). O Sistema Nacional, desde a sua cria莽茫o, contribuiu para que muitos munic铆pios reorganizassem suas linhas de fomento e financiamento e cr茅dito tendo Fundos e/ou outras leis de incentivo, de modo a contribuir no alcance de metas contidas nos Planos que por serem decenais teriam as prioriza莽玫es em longos, m茅dios e curtos prazos; e tanto os Editais locais de acesso 脿s verbas e recursos, quanto o planejamento de prioridades frente 脿s demandas tendo maior e melhor acomodamento e sugest玫es por parte da sociedade civil via participa莽茫o social. Ou seja, contribuindo na supera莽茫o da cultura pol铆tica de a pol铆tica cultural n茫o ser mais s贸 a de repasse de grana por balc茫o para quem 茅 鈥渁migo do rei鈥 鈥 e assim tendo maior regramento, transpar锚ncia e fiscaliza莽茫o, republicanismo e democracia. Neste momento o que tem me preocupado 茅 a possibilidade do efeito cascata e munic铆pios tamb茅m regredirem n茫o tendo mais a Cultura nos seus primeiros escal玫es das tomadas de decis玫es sobre os destinos das suas cidades.鈥
鈥淣脙O VEJO PR脫S NO REBAIXAMENTO DO POSTO POL脥TICO DA CULTURA. H脕 MUITAS MANIFESTA脟脮ES E EXPRESS脮ES TANTO ART脥STICAS QUANTO CULTURAIS QUE N脙O S脙O ENTRETENIMENTO, PRINCIPALMENTE DESTACO AQUI AS CULTURAS POPULARES E TRADICIONAIS, E AS QUAIS OS SUBS脥DIOS E REPASSES VIA RECURSOS P脷BLICOS S脙O O QUE AS MANT脢M VIVAS E ATIVAS. E N脙O 脡 TANTO DINHEIRO QUANTO H脕, POR EXEMPLO, NO PERD脙O P脷BLICO DA D脥VIDA DE PLANOS PRIVADOS DE SA脷DE. ACABA SENDO BEM MENOS QUE INCENTIVOS E ISEN脟脮ES FISCAIS DESTINADAS 脌S IND脷STRIAS AUTOMOBIL脥STICAS TAMB脡M, DENTRE OUTROS EXEMPLOS POSS脥VEIS DE SE MENCIONAR. E ASSIM COMO QUALQUER 脕REA OU SETOR, A MAIORIA DAS PESSOAS TRABALHADORAS QUE VIVEM DE SEUS RAMOS DE ATUA脟脙O N脙O S脙O AS QUE T脢M GRANDE REPERCUSS脙O E VISIBILIDADE 鈥 NAS ARTES E CULTURAS N脙O 脡 DIFERENTE鈥.
Para Perinotto, a 煤nica e forte diferen莽a 茅 que: 鈥渘este nosso ramo de trabalho e atua莽茫o carregamos a inova莽茫o, a criticidade e a criatividade com sensibilidades pr贸prias das Artes, junto com os costumes, as tradi莽玫es, as identidades, os valores e os patrim么nios das Culturas. Um pa铆s que n茫o prioriza a ampla diversidade das Artes e Culturas que o comp玫e n茫o se reconhece e se fragmenta, n茫o se agrega como pluralidade de na莽玫es que se coexistem em seu territ贸rio federal鈥.

Foto: Yaskara Manzini na Comiss茫o de Frente da X9 Paulistana (Cr茅ditos: Bruno Falconeri)
Yaskara Manzini (55 anos) 茅 mestre e doutora em Artes pela UNICAMP, leciona para jovens na ETEC de Artes em S茫o Paulo; 茅 professora na Funda莽茫o das Artes de S茫o Caetano do Sul e, 茅 a Core贸grafa da Escola de Samba X9 Paulistana. Sobre o que vem acontecendo n茫o s贸 com o cen谩rio cultural mas com o tudo, sua vis茫o foi direta:
鈥淰IVEMOS NO RETROCESSO. O IMPACTO DA EXTIN脟脙O DO MINC PROVAVELMENTE SER脕 NEGATIVA, PRINCIPALMENTE PARA OS ESTADOS E MUNIC脥PIOS QUE N脙O POSSUEM POL脥TICAS ESPEC脥FICAS PARA O SETOR. OS MAIS PREJUDICADOS DEVER脙O SER OS ARTISTAS DA CENA POPULAR E EXPERIMENTAL, CUJA PRODU脟脙O 脡 SIMB脫LICA E POR VEZES N脙O COMERCIAL. TAMB脡M H脕 DE SE PENSAR COMO SER脕 O IMPACTO DESTE ATO NAS GRANDES FESTAS NACIONAIS COMO CARNAVAL, QUE AL脡M DE EMPREGAR MILHARES DE PESSOAS, GERA DINHEIRO ATRAV脡S DO TURISMO TANTO NO RIO DE JANEIRO, SALVADOR, QUANTO EM S脙O PAULO鈥.
Al茅m disto, segundo ela, 鈥渉谩 a quest茫o dos investimentos em Educa莽茫o estarem congelados nos pr贸ximos dezoito anos (PEC 241) e a Cultura ficou vinculada ao Minist茅rio da Educa莽茫o. Muito provavelmente n茫o haver谩 verba para investimento na Cultura. D贸i na alma n茫o ver ou projetar perspectivas interessantes para o setor em n铆vel federal, pois uma Na莽茫o que n茫o reflete e investe em suas pr谩ticas simb贸licas, art铆sticas, patrimoniais, n茫o possui 鈥渃omo dizem os mais antigos no samba鈥 o fundamento, e sem fundamento n茫o somos nada, n茫o temos identidade. Mas talvez, quem sabe, seja este mesmo o plano do atual governo鈥.
E por falar em Carnaval, neste 煤ltimo dia 14 de janeiro, o Prefeito Bruno Covas (S茫o Paulo) pronunciou oficialmente o novo Secretario de Cultura do Munic铆pio, o produtor cultural Al锚 Youssef (respons谩vel por um dos maiores blocos de rua da cidade de S茫o Paulo, o Acad锚micos do Baixa Augusta). Vamos lembrar que em entrevista 脿 CBN em Dezembro de 2018, Youssef deu uma cutucada nos governantes. Em nota, ap贸s aceitar a indica莽茫o, ele afirmou: 鈥淓m 2018, a Cultura ficou sob ataque gerado por uma polariza莽茫o nunca antes vista. Diversos artistas foram acusados de coisas absurdas, atrav茅s de fake news. Fomos todos chamados de vagabundos e desocupados. Passado o calor eleitoral, pesquisas mostraram que a Cultura gera muito emprego, renda e oportunidades no Brasil鈥. Agora, 茅 preciso acompanhar as a莽玫es do novo Secret谩rio de Cultura, j谩 que em suas produ莽玫es, o ativismo 茅 utilizado de maneira muito incisiva. Uma pergunta n茫o quer se calar: Al锚 Youssef ser谩 uma resist锚ncia dentro do PSDB?
CHAMADA PARA PUBLICA脟脙O – Boletim 103, n潞 01/2025 Os 20 anos da Conven莽茫o sobre a Prote莽茫o e Promo莽茫o da Diversidade das Express玫es Culturais Per铆odo para submiss茫o: 21 de maio a 08 de setembro de 2025 Este ano a Conven莽茫o sobre a Prote莽茫o e Promo莽茫o da Diversidade das Express玫es Culturais promulgada pelos pa铆ses membros da […]
O Observat贸rio da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo 脿 Cultura de Belo Horizonte, patroc铆nio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de forma莽茫o GEST脙O CULTURAL PARA LIDERAN脟AS COMUNIT脕RIAS. Per铆odo de realiza莽茫o: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Hor谩rio: Encontros online 脿s quintas-feiras, de 19 脿s 21h00 Carga hor谩ria total: 6 […]