Inauguro com este texto a proposta de uma coluna mensal, neste espa莽o, a respeito da diversidade cultural e da Conven莽茫o sobre a prote莽茫o e a promo莽茫o da diversidade das express玫es culturais.
Fui indicada, pelos Minist茅rios da Cultura e das Rela莽玫es Internacionais, como o Ponto Focal do Brasil junto 脿 Unesco para os assuntos referentes a esta Conven莽茫o, conforme previsto no item b de seu artigo 9 – Interc芒mbio de Informa莽玫es e Transpar锚ncia. Constato que minha primeira tarefa 茅 exercitar a paci锚ncia – imprescind铆vel nas rela莽玫es internacionais -, pois os processos s茫o marcados pela lentid茫o, o que faz com que eu ainda n茫o tenha recebido da Unesco nenhuma instru莽茫o sobre minhas fun莽玫es enquanto Ponto Focal.
Tamb茅m s茫o longos os prazos para a ratifica莽茫o da Conven莽茫o por novos pa铆ses, e para sua negocia莽茫o, implanta莽茫o e efetiva莽茫o nos 104 pa铆ses onde foi adotada at茅 janeiro de 2010. Em sua 煤ltima reuni茫o, realizada em dezembro de 2009, o Comit锚 Intergovernamental discutiu e aprovou uma estrat茅gia para encorajar novas ratifica莽玫es, principalmente nas regi玫es onde elas aconteceram em menor n煤mero, que s茫o a 脕sia e os pa铆ses 谩rabes. De maneira geral, ao se comparar o n煤mero atual de pa铆ses membros com os 148 pa铆ses que votaram, na Assembl茅ia Geral da Unesco realizada em outubro de 2005, pela ado莽茫o desse instrumento legal, conclui-se que ainda faltam, no m铆nimo, 45 pa铆ses a aderir, o que poder谩 elevar o n煤mero total a 149 pa铆ses – lembrando que a Austr谩lia, apesar de sua absten莽茫o durante aquela reuni茫o, acabou ratificando a Conven莽茫o.
Se estavam inicialmente a favor da Conven莽茫o, por que esses pa铆ses ainda n茫o a ratificaram? As respostas s茫o as mais diversas e v茫o desde dificuldades organizacionais internas de alguns Estados nacionais (caso do Timor Leste, que alegou, h谩 cerca de dois anos, n茫o dispor de or莽amento para a tradu莽茫o do texto para o portugu锚s, e, mesmo depois de obter essa vers茫o do texto junto 脿 delega莽茫o de Portugal, ainda n茫o incluiu a vota莽茫o na pauta do seu Congresso), at茅 脿 suspeita de que a inclus茫o da liberaliza莽茫o do audiovisual em acordos assinados ou em vias de serem assinados com os Estados Unidos tornem in煤til a assinatura da Conven莽茫o, tendo em vista alguns de seus principais objetivos. Este pode ser o caso de Singapura, Cor茅ia, Tail芒ndia e Guin茅 Bissau.
Mas, afinal, que diferen莽a faz o n煤mero de pa铆ses que aderem 脿 Conven莽茫o? Do ponto de vista das rela莽玫es internacionais, quanto mais pa铆ses participantes tiver um acordo, mais ele ter谩 for莽a e import芒ncia, principalmente em se tratando de um instrumento legal que nasceu com a pretens茫o de contribuir para a defesa das pol铆ticas p煤blicas nacionais de cultura, especialmente no caso destas serem questionadas no 芒mbito da OMC. Um exemplo desse cen谩rio foi a recente disputa, na OMC, envolvendo os Estados Unidos e a China: a quest茫o, para os norte-americanos, era “derrubar” as restri莽玫es legais chinesas a filmes, livros e produtos audiovisuais importados. A China perdeu a disputa, apesar de ser signat谩ria da Conven莽茫o da Diversidade Cultural que afirma, em seu artigo 5 – Regra geral em mat茅ria de direitos e obriga莽玫es, que “As Partes reafirmam seu direito soberano de formular e implementar as suas pol铆ticas culturais e de adotar medidas para a prote莽茫o e a promo莽茫o da diversidade das express玫es culturais” e, em seu artigo 20 – Rela莽玫es com outros instrumentos, que esta Conven莽茫o n茫o est谩 subordinada a qualquer outro tratado, pelo menos teoricamente.
Quanto a uma suposta lentid茫o na implementa莽茫o da Conven莽茫o nos pa铆ses que a ratificaram, e no Brasil em particular, existem pelo menos dois n铆veis de compreens茫o. Al茅m do seu car谩ter internacional, trata-se de um instrumento jur铆dico, ou seja, de uma lei que determina, num primeiro momento, comportamentos e pol铆ticas ao Estado nacional. Neste aspecto, pode-se dizer que o governo brasileiro tem aproveitado bem a Conven莽茫o para balizar e dar nova dimens茫o 脿 sua pol铆tica cultural. Outro aspecto 茅 a participa莽茫o da sociedade civil, prevista explicitamente no artigo 11 do acordo, e que exige uma ampla divulga莽茫o do texto, al茅m de uma mobiliza莽茫o em torno dos seus objetivos.
Estas s茫o algumas das quest玫es que abordarei nos pr贸ximos artigos.
*Giselle Dupin 茅 coordenadora de Articula莽茫o, Formula莽茫o e Conte煤do da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Minist茅rio da Cultura, e membro da delega莽茫o brasileira no Comit锚 Intergovernamental da Conven莽茫o da Diversidade Cultural.
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