Para Viviane Sarraf, especialista em espa莽os culturais acess铆veis e curadora do Centro de Mem贸ria Dorina Nowill, o cen谩rio cultural acess铆vel para as pessoas com defici锚ncia vem crescendo bastante ao longo dos 煤ltimos sete anos. 鈥淰谩rios museus, centros culturais, festivais de cinema e teatro, se n茫o est茫o oferecendo estrat茅gias inclusivas, j谩 as desenvolvem em projetos de capta莽茫o de recursos e os submetem aos editais p煤blicos e privados de fomento 脿 cultura鈥, afirmou.

A especialista destacou a莽玫es pioneiras no campo da acessibilidade cultural que, segundo ela, s茫o conduzidas por profissionais e gestores culturais que, sem qualquer tipo de incentivo p煤blico ou pol铆tica de apoio, come莽aram a desenvolver programas de acessibilidade em suas institui莽玫es, como 茅 o caso do MAM-SP, da Pinacoteca do Estado de S茫o Paulo, do Museu de Ci锚ncias Morfol贸gicas da UFMG, do Museu de Zoologia da USP e do pr贸prio Centro de Mem贸ria Dorina Nowill.
No que diz respeito 脿s pol铆ticas p煤blicas, no entanto, Sarraf considera o atual cen谩rio ainda insatisfat贸rio. 鈥淣o campo da acessibilidade cultural, elas ainda n茫o existem, mas podemos considerar que alguns caminhos est茫o come莽ando a ser tra莽ados, como no caso das premia莽玫es lan莽adas pelo Minist茅rio da Cultura 鈥 os pr锚mios Cultura e Sa煤de e Arte e Cultura Inclusivas 鈥, dos editais de empresas privadas e, recentemente, do lan莽amento do Curso de Especializa莽茫o em Acessibilidade Cultural da UFRJ鈥, avaliou.
O curso mencionado por Sarraf 茅 o primeiro no Brasil, em n铆vel de p贸s-gradua莽茫o, dedicado a pensar pol铆ticas, experimentos e projetos de acessibilidade cultural para pessoas com defici锚ncia. Sua coordenadora, Patr铆cia Dorneles, explicou que, enquanto as iniciativas de promo莽茫o da acessibilidade limitam-se, em geral, 脿 quest茫o da mobilidade, a proposta do curso 茅 trabalhar o tema a partir da perspectiva da frui莽茫o do produto cultural.
鈥淰emos que existem iniciativas de acessibilidade cultural, mas, na sua grande maioria, muito determinadas ainda pela limita莽茫o da acessibilidade f铆sica. Um cadeirante que n茫o tenha algum outro tipo de defici锚ncia pode assistir a uma pe莽a de teatro, pode ir ao cinema, ele tem um banheiro adaptado, mas as outras defici锚ncias n茫o t锚m acessibilidade cultural. Temos uma d铆vida social, no sentido de promover para as outras pessoas com defici锚ncia o direito de frui莽茫o cultural, de consumo de um produto cultural. Como 茅 que voc锚 transforma e torna acess铆vel um produto cultural para um deficiente visual, um deficiente auditivo, uma pessoa que tem m煤ltiplas defici锚ncias, que precisa de outros recursos para compreender a produ莽茫o de arte e de cultura?鈥, questionou Dorneles.
Embora existam, no Brasil, iniciativas importantes de acessibilidade no campo da frui莽茫o est茅tica do produto cultural, a especialista as considera limitadas 脿s funda莽玫es mistas ou privadas, pouco presentes nos espa莽os p煤blicos. Por isso, um dos objetivos do curso de especializa莽茫o 茅 ser um instrumento para a efetiva莽茫o de algo que o movimento de pessoas com defici锚ncia j谩 conquistou no campo da cultura. 鈥淎 acessibilidade cultural est谩 no Plano Nacional de Cultura, est谩 no Sistema Nacional de Cultura e aparece em v谩rios outros debates do MinC, como a oficina Nada Sobre N贸s Sem N贸s, realizada em 2008, que reuniu pessoas do Brasil inteiro que atuam nesse campo e criou uma publica莽茫o que apresenta a莽玫es e diretrizes para uma pol铆tica p煤blica de cultura para pessoas com defici锚ncia鈥, disse.
Segundo Dorneles, as conquistas j谩 foram obtidas no campo da legisla莽茫o, mas existe ainda uma dist芒ncia muito grande at茅 sua efetiva莽茫o. 鈥淎o divulgar o curso pelo Brasil, percebemos que muita gente nem conhecia a quest茫o da acessibilidade relacionada 脿 frui莽茫o est茅tica do produto cultural鈥, lembrou a coordenadora.
Para chamar a aten莽茫o de todo o pa铆s para o tema, o Curso de Especializa莽茫o em Acessibilidade Cultural abriu vagas para 27 gestores, buscando capacitar ao menos um em cada estado brasileiro, e para os Pont玫es de Cultura, que t锚m como caracter铆stica capacitar, formar e transmitir tecnologias sociais para os outros Pontos de Cultura. 鈥淎brimos vagas tamb茅m para a universidade p煤blica, porque precisamos que essa tem谩tica esteja na forma莽茫o acad锚mica. N茫o h谩 uma forma莽茫o de gestor cultural no Brasil, faz pouco tempo que temos alguns cursos como na Universidade Federal Fluminense ou na Universidade Federal da Bahia. Agora 茅 que se est谩 atentando para a capacita莽茫o do gestor p煤blico de cultura, que precisa de uma forma莽茫o diferente daquela do produtor cultural鈥, explicou Dorneles.
O curso busca, ainda, alcan莽ar as organiza莽玫es da sociedade civil para capacit谩-las para o controle social, para a participa莽茫o nos Conselhos Municipais de Cultura聽e demais mecanismos do Sistema Nacional de Cultura, criado para orientar as pol铆ticas municipais e estaduais de cultura e para provocar a cria莽茫o dos conselhos. 鈥淎s secretarias municipais e estaduais de cultura, que tenham inten莽茫o de fazer conv锚nios com o MinC ou de receber apoios para projetos, t锚m o compromisso de buscar a implementa莽茫o do Plano Nacional de Cultura e, dentro do plano e do sistema, existe essa aten莽茫o para a acessibilidade cultural das pessoas com defici锚ncia. Mas, mesmo assim, tanto no plano como no sistema, isso est谩 muito fr谩gil e poderia ser mais aprofundado鈥, observou Dorneles.
FONTE: Blog Acesso
CHAMADA PARA PUBLICA脟脙O – Boletim 103, n潞 01/2025 Os 20 anos da Conven莽茫o sobre a Prote莽茫o e Promo莽茫o da Diversidade das Express玫es Culturais Per铆odo para submiss茫o: 21 de maio a 08 de setembro de 2025 Este ano a Conven莽茫o sobre a Prote莽茫o e Promo莽茫o da Diversidade das Express玫es Culturais promulgada pelos pa铆ses membros da […]
O Observat贸rio da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo 脿 Cultura de Belo Horizonte, patroc铆nio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de forma莽茫o GEST脙O CULTURAL PARA LIDERAN脟AS COMUNIT脕RIAS. Per铆odo de realiza莽茫o: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Hor谩rio: Encontros online 脿s quintas-feiras, de 19 脿s 21h00 Carga hor谩ria total: 6 […]