Fernando Rabelo

NOT脥CIAS

Entrevista: L茅o Cunha

鈥淧rocuro criar textos que estimulem o imagin谩rio e provoquem uma reflex茫o, ou um estranhamento, diante da palavra鈥

O Dia Mundial do Livro 茅 celebrado em 23 de abril, data escolhida pela Organiza莽茫o das Na莽玫es Unidas para a Educa莽茫o, a Ci锚ncia e a Cultura (Unesco) para incentivar a leitura, lembrar a import芒ncia do livro, homenagear autores e refletir sobre seus direitos legais. A data presta tributo aos escritores Miguel de Cervantes, Inca Garcilaso de la Vega e William Shakespeare, que morreram em 23 de abril de 1616. Para falar sobre a experi锚ncia da literatura que d谩 asas 脿 imagina莽茫o e cria leituras potentes do mundo, conversamos com o escritor, jornalista e professor universit谩rio, L茅o Cunha.

Autor de mais de 60 livros, entre cr么nicas, poesia, literatura infantil, literatura juvenil e teatro infantil, e vencedor de diversos pr锚mios no campo da literatura infantil e juvenil, L茅o Cunha 茅 doutor em Artes/Cinema pela Escola de Belas Artes – UFMG (2011) e Mestre em Ci锚ncia da Informa莽茫o – UFMG (1999). Em entrevista ao ODC, ele trata da import芒ncia do acesso 脿 literatura, os desafios da escrita para o p煤blico infantil e como a experi锚ncia sociocultural marcada pela diversidade influencia seu trabalho. L茅o aborda ainda o papel das pol铆ticas p煤blicas para promo莽茫o e difus茫o da leitura na forma莽茫o cidad茫, os desafios da educa莽茫o e o h谩bito da leitura em tempos da pandemia do covid-19.

ODC – Qual a import芒ncia do acesso ao livro e 脿 literatura para as crian莽as?

L脡O CUNHA – O acesso 脿 literatura 茅 fundamental, pois permite 脿s crian莽as maior intimidade com a l铆ngua e com as hist贸rias, em textos que n茫o se pretendem informativos, utilit谩rios nem did谩ticos. Pelo contr谩rio: o texto liter谩rio se abre para m煤ltiplos sentidos, para os jogos de linguagem, para a constru莽茫o de novos olhares e novos universos.

O contato constante com a arte e com os artistas me permitiu ampliar minha vis茫o de mundo e valorizar o olhar do outro, seja ela de outro lugar, de outra origem, de outra 茅poca

ODC – Voc锚 escreve para crian莽as, qual o maior desafio nessa escrita?

LC- Um grande desafio 茅 criar textos que emocionem, que encantem, e ao mesmo tempo lidem de forma criativa com a linguagem e com as possibilidades po茅ticas e/ou narrativas.

ODC – De que maneira a experi锚ncia sociocultural marcada pela diversidade, pelo conv铆vio com cosmovis玫es distintas, contribui para o seu of铆cio de escritor?

LC – Contribui demais. Tive a sorte de crescer num ambiente que valorizava muito as artes: n茫o s贸 os livros (minha m茫e tinha uma livraria), mas tamb茅m a m煤sica, o teatro, o cinema, as artes pl谩sticas. Esse contato constante com a arte e com os artistas me permitiu ampliar minha vis茫o de mundo e valorizar o olhar do outro, seja ela de outro lugar, de outra origem, de outra 茅poca.

Os principais entraves na educa莽茫o s茫o ligados 脿 escassez de bons mediadores de leitura

ODC – O contato com a linguagem po茅tica ativa a sensibilidade, humaniza e influencia imagin谩rios. Como escritor de livros infantis e juvenis, de que forma trabalha com esses elementos na cria莽茫o de personagens e hist贸rias?聽

LC – Procuro criar textos que estimulem o imagin谩rio e, ao mesmo tempo, provoquem uma reflex茫o (ou pelo menos um estranhamento) diante da palavra.

ODC – A pesquisa Retratos do Brasil, do Instituto Pro-Livro, mostra o aumento do n煤mero de leitores de 50% em 2011, para 56% da popula莽茫o em 2015, o que reflete principalmente a evolu莽茫o da escolaridade da popula莽茫o brasileira desde 2002. Como avalia as pol铆ticas p煤blicas do pa铆s, para promo莽茫o e difus茫o da leitura, e o seu papel na forma莽茫o cidad茫?

LC – As pol铆ticas p煤blicas de est铆mulo 脿 leitura s茫o fundamentais. O Brasil tem uma tradi莽茫o de programas de forma莽茫o de bibliotecas escolares (como o Programa Nacional Biblioteca da Escola, Programa Nacional do Livro Did谩tico Liter谩rio, que s茫o federais; os kits liter谩rios municipais e estaduais), que perderam um pouco a amplitude em anos recentes, mas continuam sendo muito ricos. Sinto que o pa铆s ainda carece de mais pol铆ticas p煤blicas de forma莽茫o e valoriza莽茫o dos mediadores de leitura, tanto professores quanto bibliotec谩rios.

Acredito que o exemplo 茅 muito importante. Ter livros em casa, se poss铆vel

ODC – O brasileiro l锚, em m茅dia, dois livros por ano e 30% da popula莽茫o nunca comprou um livro, segundo a pesquisa. Para ser considerado um leitor, 茅 necess谩rio ter lido ao menos um livro nos 煤ltimos tr锚s meses anteriores 脿 pesquisa. Quais os entraves e desafios na educa莽茫o, para a forma莽茫o de leitores aut么nomos e cr铆ticos, que busquem conhecimento na leitura?

LC – Os principais entraves s茫o ligados, a meu ver, 脿 escassez de bons mediadores de leitura. Como apontei na resposta anterior, o papel dos professores (principalmente nos anos iniciais) e bibliotec谩rios 茅 fundamental, mas ambas categorias s茫o pouco valorizadas, mal remuneradas e recebem pouco est铆mulo e forma莽茫o para desempenharem de forma ampla essa fun莽茫o t茫o importante, que 茅 o est铆mulo 脿 leitura, principalmente 脿 leitura liter谩ria.

ODC – A percep莽茫o da leitura como meio de acesso ao conhecimento e melhoria social, ou como atividade prazerosa, amplia o interesse pelos livros. Como despertar o prazer da literatura desde a inf芒ncia, no contexto das intera莽玫es familiares?

LC – Acredito que o exemplo 茅 muito importante. Ter livros em casa, se poss铆vel. Se n茫o for poss铆vel, frequentar bibliotecas e centros culturais, com os filhos. E sempre valorizar a diversidade na literatura, n茫o s贸 em termos de temas, mas de g锚neros, estilos, formatos, origens, 茅pocas etc.

Este momento de recolhimento 茅 prop铆cio para um maior contato com a literatura e os livros em geral

ODC – Qual o impacto sobre o consumo de livros e o que muda no h谩bito da leitura em meio 脿 pandemia do Coronavirus?

LC – Apesar de toda a apreens茫o, medo e inseguran莽a, este momento de recolhimento 茅 prop铆cio para um maior contato com a literatura e com os livros em geral. Na minha casa, todos estamos lendo, no isolamento. Tenho tamb茅m criado vers玫es animadas, em v铆deo, de meus poemas e hist贸rias, e disponibilizado nas redes sociais (Facebook, Instagram, YouTube), para estimular o contato das crian莽as (e qualquer um que curta a literatura infantil) com as possibilidades da palavra.

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