Fernando Fraz茫o/Ag锚ncia Brasil

NOT脥CIAS

M铆dias e debate p煤blico silenciam sobre rela莽茫o entre viol锚ncia e racismo, mostra estudo

Rede de Observat贸rios da Seguran莽a faz levantamento em cinco estados e constata que, em 7 mil not铆cias sobre a莽玫es policiais, apenas uma cita a palavra 鈥渘egro鈥

Foto de capa: Fernando Fraz茫o/Ag锚ncia Brasil (Banco p煤blico de fotos)聽

Enquanto a taxa de homic铆dios entre a popula莽茫o brasileira em geral 茅 de 28 por 100 mil聽 habitantes, esse n煤mero 茅 mais que multiplicado por sete quando se trata jovens negros do sexo masculino, na faixa de聽 19 a 24 anos: os assassinatos s茫o 200 para cada 100 mil pessoas nesse grupo, segundo o 13潞 Anu谩rio do F贸rum Brasileiro de Seguran莽a P煤blica (2019). Diante dessa e das muitas estat铆sticas comprovando que pretos e pardos s茫o as maiores v铆timas de viol锚ncia no pa铆s, 茅 surpreendente a conclus茫o do relat贸rio anual Rede de Observat贸rios da Seguran莽a que denuncia um profundo sil锚ncio sobre o tema racial na m铆dia e no debate p煤blico. Um exemplo: de 7062 registros sobre a莽玫es policiais monitorados, houve apenas uma men莽茫o 脿 palavra negro ou negra nas not铆cias analisadas. As palavras racismo e racial sequer foram mencionadas

Denominado 鈥淩acismo, o motor da viol锚ncia鈥, o estudo acompanhou, de junho de 2019 a maio de 2020, ve铆culos de comunica莽茫o, redes sociais, grupos de WhatsApp e usou um bot para recolher informa莽玫es no Twitter em busca de men莽玫es a ocorr锚ncias de seguran莽a p煤blica e viol锚ncia em cinco estados: Bahia, Cear谩, Pernambuco, Rio de Janeiro e S茫o Paulo. Os pesquisadores chegaram a 12.559 registros e, aqui, mais uma vez a invisibiliza莽茫o do racismo chama a aten莽茫o. Apenas 50 desses eventos est茫o relacionados a racismo e inj煤ria racial. A porcentagem de informa莽玫es sobre cor/ra莽a nos casos monitorados tamb茅m foram poucas e s贸 aparecem em alguns dos 16 indicadores priorit谩rios do monitoramento:聽 chacinas (7,9%), viol锚ncia contra a mulher (8,7%), viol锚ncia contra crian莽as e adolescentes (15,6%), vitimiza莽茫o de agentes do Estado (18,3%), linchamentos e tentativas (28,3%).聽

Ainda segundo o 13潞 Anu谩rio do F贸rum Brasileiro de Seguran莽a P煤blica (2019), mulheres negras s茫o 61% das v铆timas de feminic铆dio. Apesar disso, nas 1.314 ocorr锚ncias de viol锚ncias contra mulheres, como feminic铆dios, agress玫es f铆sicas e viol锚ncia sexual, monitoradas pela rede, s茫o raras as refer锚ncias a ra莽a ou cor das v铆timas.

Diante desses n煤meros, os pesquisadores refor莽am, no relat贸rio, a urg锚ncia de que o debate sobre o racismo seja transversal e estrutural em toda discuss茫o sobre viol锚ncia e seguran莽a p煤blica. 鈥淩econhecemos que n贸s, institui莽玫es de pesquisa deste campo, muitas vezes deixamos de abordar o tema da ra莽a e do racismo ou n茫o o tratamos com a primazia necess谩ria. N茫o podemos mais aludir ao racismo como um assunto perif茅rico, uma informa莽茫o a mais. A discuss茫o racial n茫o deve ser posta em segundo plano como uma problem谩tica a ser tratada no futuro, ela tamb茅m 茅, em si, parte do problema. O racismo 茅 reproduzido cotidianamente, inclusive na produ莽茫o de conhecimento quando a ra莽a 茅 marginalizada e perspectivas antirracistas s茫o silenciadas鈥, eles afirmam no teto do estudo.

Apesar disso, ressalta o estudo, uma pesquisa do Instituto Locomotiva, de junho de 2020, aponta que 94% dos brasileiros reconhecem que pessoas negras t锚m mais chances de serem abordadas de forma violenta e mortas pela pol铆cia e que a maioria das opera莽玫es policiais acontecem em 谩reas pobres, como favelas. Nas coberturas jornal铆sticas, no entanto, o monitoramento da Rede apontou o sil锚ncio sobre o tema. Ao buscar termos como聽 鈥渕orte de jovem negro鈥, 鈥渞acismo鈥, 鈥渧iol锚ncia racial鈥, n茫o havia informa莽玫es. Os pesquisadores, muitas vezes, s贸 percebiam a 鈥渄in芒mica racial鈥 a partir das imagens. Isso tudo apesar de 75% das v铆timas de viol锚ncia policial no Brasil serem negras.

鈥淧ara reduzir essa trag茅dia e diminuir o n煤mero de v铆timas, 茅 preciso mudar o modelo atual da聽 pol铆tica de guerra 脿s drogas鈥, afirma Dudu Ribeiro, coordenador do estudo na Bahia e um dos fundadores da ONG Iniciativa Negra por uma nova pol铆tica sobre Drogas. Para o historiador, enquanto prevalecer o modelo atual da pol铆cia entrar nas comunidades atirando, o n煤mero de v铆timas vai permanecer no patamar atual. Para ele, as estrat茅gias para evitar essa trag茅dia s茫o combater as drogas por meio de preven莽茫o e at茅 do controle do consumo, e n茫o apenas do enfrentamento armado dos traficantes.聽

O historiador da UFBA destaca tamb茅m a dificuldade de os pesquisadores encontrarem registros uniformes nos diferentes bancos de dados p煤blicos pesquisados. 鈥淐ada estado registra as ocorr锚ncias de uma forma. A Bahia, por exemplo, precisa come莽ar a聽 uniformizar os registros鈥, diz ele, ressaltando que registros melhores poderiam ser um primeiro passo para o poder p煤blico combater, de fato, a viol锚ncia e o racismo.聽

Como foi o monitoramento?聽

Os dados foram reunidos atrav茅s do acompanhamento di谩rio de jornais, sites, portais noticiosos, perfis de redes sociais e grupos de WhatsApp pelos pesquisadores da Rede, entre junho de 2020 e maio de 2019. O grupo cadastrou cada evento em um formul谩rio on-line que alimentou um banco de dados, logo revisado por um outro pesquisador. Com esse banco de dados completo e revisado, foram realizadas as聽 an谩lises que constam do relat贸rio.

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