
A participa莽茫o das mulheres nos cargos eletivos 茅 pauta hist贸rica do movimento feminista, que busca garantir uma real igualdade de g锚nero no sistema pol铆tico. Ainda tentando digerir a vit贸ria de Donald Trump nos Estados Unidos, famoso por declara莽玫es e atitudes machistas e mis贸ginas, proponho um pouco mais de reflex茫o sobre o quadro nacional. O desfecho das elei莽玫es municipais de 2016 refor莽a a necessidade urgente de uma reforma pol铆tica que garanta, de forma estrutural, a participa莽茫o das mulheres nas disputas eleitorais.
Apesar de ter havido um aumento expressivo do n煤mero de mulheres eleitas – mais de 60% das capitais brasileiras elegeram mais mulheres para a legislatura 2017-2020 -, 茅 preciso fazer uma avalia莽茫o sobre qual projeto pol铆tico de sociedade elas representam. Quando avaliamos o perfil das legendas utilizadas por essas mulheres para suas candidaturas, percebemos o aumento crescente de candidatas eleitas por partidos que defendem agendas extremamente conservadoras, que conflitam com as demandas apresentadas pelas mulheres e os movimentos feministas.
Temas urgentes e caros 脿s mulheres, que devem ser tratados como prioridade pelas pr贸ximas legislaturas, s茫o o fim da viol锚ncia f铆sica e moral, o desenho de um planejamento urbano seguro e inclusivo, o acesso 脿 sa煤de de qualidade, a trabalho e renda, e 脿 sa煤de reprodutiva. Essas pautas est茫o sob forte amea莽a por projetos que j谩 tramitam nas casas legislativas do pa铆s, como o Projeto de Lei 6033/2013, de autoria de Eduardo Cunha, ex-deputado federal, que prop玫e a anula莽茫o da Lei 12.845, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff e que institui que os hospitais devem oferecer 脿s v铆timas de viol锚ncia sexual atendimento emergencial, integral e multidisciplinar, incluindo, entre outras coisas, a profilaxia da gravidez (m茅todos para evitar uma gesta莽茫o decorrente de estupro).
Em 11 capitais brasileiras, o n煤mero de mulheres eleitas cresceu, enquanto em dez houve redu莽茫o. Em cinco delas, a quantidade de mulheres escolhidas como vereadoras se manteve igual. S茫o Paulo foi onde a representa莽茫o feminina na C芒mara mais expandiu: de seis na 煤ltima legislatura para 11 na que come莽a em 2017. Salvador e Natal v锚m logo atr谩s, aumentando de cinco para nove e de quatro para oito, respectivamente, o n煤mero de mulheres eleitas. As capitais que mais reduziram a presen莽a de mulheres nas C芒maras locais foram Fortaleza, Bel茅m e Porto Velho.
A an谩lise ampla das candidaturas revela a divis茫o sexual nos processos de participa莽茫o pol铆tica. Enquanto houve 158.453 candidatas a vereadoras em todo o pa铆s, representando 33% das inscri莽玫es, havia 338.445 homens na disputa para vereador. Nos cargos executivos, a despropor莽茫o se repete: apenas 2.105 mulheres concorreram aos cargos de prefeitas, enquanto 14.418 homens se candidataram 脿 gest茫o municipal. Das 5.570 cidades brasileiras, apenas 52 tiveram apenas mulheres candidatas 脿 prefeitura.
A cota de candidaturas prevista na Lei das Elei莽玫es n茫o tem trazido resultados pr谩ticos para garantir a participa莽茫o da mulher nos processos eleitorais. No 芒mbito nacional, n茫o 茅 diferente: apenas 8,8% de mulheres foram eleitas deputadas em 2010, enquanto em 2014 o n煤mero subiu muito pouco, para 9,9%. Uma das possibilidades para aumentar o n煤mero de mulheres nesse processo 茅 a substitui莽茫o de cotas de candidaturas (hoje existente) por cotas de representa莽茫o, ou seja, reservar cadeiras parlamentares exclusivamente para mulheres. Esta reserva n茫o afasta a possibilidade de que mulheres com pouca express茫o pol铆tica, e sem vincula莽茫o com as pautas feministas, possam ocupar as vagas, mas seu desenho institucional pode intensificar ou abrandar esse risco.
N茫o basta ser mulher para representar as pautas feministas, 茅 necess谩rio o alinhamento com as demandas e vozes das mulheres e dos movimentos sociais na desconstru莽茫o das opress玫es nos 芒mbitos p煤blico e privado, lutando, por meio da constru莽茫o coletiva de pol铆ticas p煤blicas, pelo fim da cultura do machismo e pelo fortalecimento de um projeto de sociedade com garantia de direitos para todas as mulheres.
脡 preciso incentivar cada vez mais mulheres comprometidas com a agenda de direitos das mulheres a construir e participar dos processos eleitorais. 脡 urgente promover uma efetiva participa莽茫o da mulher na pol铆tica, com espa莽o real nas arenas de decis茫o, n茫o apenas como cotas de paridade que por si s贸 n茫o solucionam o problema estrutural de uma sociedade patriarcal.
Por Ingrid Farias
Fonte: HuffPost Brasil
Imagem: Runeer via Getty Images
CHAMADA PARA PUBLICA脟脙O Revista Observat贸rio da Diversidade Cultural, volume 104, n潞 01/2026 Diversidade Cultural e A莽茫o Comunit谩ria: possibilidades, experi锚ncias e desafios Per铆odo para submiss茫o: 09 de mar莽o a 04 de maio de 2026 A Revista do Observat贸rio da Diversidade Cultural convida pesquisadoras(es), gestoras(es) culturais, educadoras(es), artistas, estudantes, lideran莽as comunit谩rias e integrantes de coletivos culturais […]
O Observat贸rio da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo 脿 Cultura de Belo Horizonte, patroc铆nio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de forma莽茫o GEST脙O CULTURAL PARA LIDERAN脟AS COMUNIT脕RIAS. Per铆odo de realiza莽茫o: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Hor谩rio: Encontros online 脿s quintas-feiras, de 19 脿s 21h00 Carga hor谩ria total: 6 […]