
O STF n茫o pode legitimar o genoc铆dio e as viola莽玫es cometidas contra os povos ind铆genas no 煤ltimo s茅culo. Participe desta luta e diga voc锚 tamb茅m: #MarcoTemporalN茫o. A hist贸ria dos povos ind铆genas n茫o come莽ou em 1988 e n茫o pode ser interrompida!
No dia 16 de agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar谩 tr锚s a莽玫es que podem ser decisivas para os povos ind铆genas no Brasil. As decis玫es dos ministros sobre o Parque Ind铆gena do Xingu (MT), a Terra Ind铆gena Ventarra (RS) e terras ind铆genas dos povos Nambikwara e Pareci poder茫o gerar consequ锚ncias para as demarca莽玫es em todo o pa铆s. Por isso, os ind铆genas refor莽am, a partir de hoje, uma s茅rie de mobiliza莽玫es por seus direitos.
Uma das principais bandeiras dos grupos interessados em limitar os direitos territoriais ind铆genas, com forte representa莽茫o no Congresso Nacional e no governo federal, tem sido o chamado 鈥渕arco temporal鈥 鈥 uma tese pol铆tico-jur铆dica inconstitucional, segundo a qual os povos ind铆genas s贸 teriam direito 脿s terras que estavam sob sua posse em 5 de outubro de 1988. Os ruralistas querem que o 鈥榤arco temporal鈥 seja utilizado como crit茅rio para todos os processos envolvendo TIs, o que inviabilizaria a demarca莽茫o de terras que ainda n茫o tiveram seus processos finalizados.
Em meio 脿s negocia莽玫es de Temer para evitar seu afastamento da presid锚ncia, os ruralistas do Congresso conseguiram emplacar sua pauta no governo federal. Temer assinou, em julho, um parecer da Advocacia Geral da Uni茫o (AGU) obrigando todos os 贸rg茫os do Executivo a aplicar o 鈥渕arco temporal鈥 e a veda莽茫o 脿 revis茫o dos limites de terras j谩 demarcadas 鈥 inclusive visando influenciar o STF.
Na pr谩tica, o marco temporal legitima e legaliza as viola莽玫es e viol锚ncias cometidas contra os povos at茅 o dia 04 de outubro de 1988: uma realidade de confinamento em reservas diminutas, remo莽玫es for莽adas em massa, tortura, assassinatos e at茅 a cria莽茫o de pris玫es. Aprovar o 鈥渕arco temporal鈥 significa anistiar os crimes cometidos contra esses povos e dizer aos que hoje seguem invadindo suas terras que a grilagem, a expuls茫o e o exterm铆nio de ind铆genas 茅 uma pr谩tica vantajosa, pois premiada pelo Estado brasileiro. A aprova莽茫o do marco temporal alimentar谩 as invas玫es 脿s terras ind铆genas j谩 demarcadas e fomentar谩 ainda mais os conflitos no campo e a viol锚ncia, j谩 gritante, contra os povos ind铆genas.
Afirmar que a hist贸ria dos povos ind铆genas n茫o come莽a em 1988 n茫o significa, como afirmam desonestamente os ruralistas, que eles querem demarcar o Brasil inteiro. Os povos ind铆genas querem apenas que suas terras tradicionais sejam demarcadas seguindo os crit茅rios de tradicionalidade garantidos na Constitui莽茫o 鈥 que n茫o incluem qualquer tipo de 鈥渕arco temporal鈥!
Por isso o movimento ind铆gena e as organiza莽玫es de apoio aos povos na sociedade civil pedem a revoga莽茫o imediata do Parecer 001/2017 da AGU e diz: Marco Temporal N茫o!
Entenda as a莽玫es no STF
A A莽茫o Civil Origin谩ria (ACO) 362, primeira na pauta, foi ajuizada nos anos 1980 pelo Estado de Mato Grosso (MT) contra a Uni茫o e a Funai, pedindo indeniza莽茫o pela desapropria莽茫o de terras inclu铆das no Parque Ind铆gena do Xingu (PIX), criado em 1961. O Estado de Mato Grosso defende que n茫o eram de ocupa莽茫o tradicional dos povos ind铆genas, mas um parecer da Procuradoria-Geral da Rep煤blica (PGR) defende a tradicionalidade da ocupa莽茫o ind铆gena no PIX, contrariando o pedido do Estado de MT.
J谩 a ACO 366 questiona terras ind铆genas dos povos Nambikwara e Pareci e tamb茅m foi movida pelo Estado do Mato Grosso contra a Funai e a Uni茫o. Semelhante 脿 362, ela foi ajuizada na d茅cada de 1990, pede indeniza莽茫o pela inclus茫o de 谩reas que, de acordo como o Estado de MT, n茫o seriam de ocupa莽茫o tradicional ind铆gena. Neste caso, a PGR tamb茅m defende a improced锚ncia do pedido do Estado de MT.
A 煤ltima que ser谩 julgada no dia 16 茅 a ACO 469, sobre a Terra Ind铆gena Ventarra, do povo Kaingang. Movida pela Funai, ela pede a anula莽茫o dos t铆tulos de propriedade de im贸veis rurais concedidos pelo Estado do Rio Grande do Sul sobre essa terra. A a莽茫o 茅 simb贸lica dos riscos trazidos pela tese do 鈥渕arco temporal鈥: durante a pol铆tica de confinamento dos ind铆genas em reservas diminutas, os Kaingang foram expulsos de sua terra tradicional, 脿 qual s贸 conseguiram retornar ap贸s a Constituinte, com a demarca莽茫o realizada somente na d茅cada de 1990. Desde ent茫o, a Terra Ind铆gena Ventarra est谩 homologada administrativamente e na posse integral dos Kaingang. Sem relator, a a莽茫o tem parecer da PGR favor谩vel aos ind铆genas e est谩 com pedido de vistas da ministra C谩rmen L煤cia, que deve ser a primeira a votar.
Fonte: Portal Articula莽茫o dos Povos Ind铆genas do Brasil
Imagem: Portal Articula莽茫o dos Povos Ind铆genas do Brasil
CHAMADA PARA PUBLICA脟脙O Revista Observat贸rio da Diversidade Cultural, volume 104, n潞 01/2026 Diversidade Cultural e A莽茫o Comunit谩ria: possibilidades, experi锚ncias e desafios Per铆odo para submiss茫o: 09 de mar莽o a 04 de maio de 2026 A Revista do Observat贸rio da Diversidade Cultural convida pesquisadoras(es), gestoras(es) culturais, educadoras(es), artistas, estudantes, lideran莽as comunit谩rias e integrantes de coletivos culturais […]
O Observat贸rio da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo 脿 Cultura de Belo Horizonte, patroc铆nio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de forma莽茫o GEST脙O CULTURAL PARA LIDERAN脟AS COMUNIT脕RIAS. Per铆odo de realiza莽茫o: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Hor谩rio: Encontros online 脿s quintas-feiras, de 19 脿s 21h00 Carga hor谩ria total: 6 […]