NOT脥CIAS

Para pol铆ticas p煤blicas, de fato, p煤blicas

Nelson Maca. Foto: Fernando Gomes

Dando continuidade 脿 s茅rie de entrevistas publicadas na Semana da Diversidade Cultural, Nelson Maca, fundador do Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, poeta e professor de Literatura na Universidade Cat贸lica do Salvador (UCSAL), d谩 sua vis茫o sobre a import芒ncia de cultivar as diferen莽as e criar mecanismos p煤blicos de promo莽茫o e prote莽茫o 脿s singularidades culturais.

ODC – Por que 茅 importante ser diferente?
Nelson – Antes de qualquer coisa, ser diferente 茅 da condi莽茫o humana. Percebemos, sentimos, vivemos e representamos o mundo a partir de um lugar 煤nico. N茫o h谩 duas pessoas com viv锚ncias plenas, subjetivas e objetivas, literalmente iguais. Concebo a identidade pessoal a partir da diferen莽a. Ser diferente funda e identifica nossa particularidade. Dentro do grupo, somos um. A import芒ncia de 鈥渟er diferente鈥 vem do poder de instituir dinamismo 脿 vida em sociedade, mas tamb茅m da busca de sustenta莽茫o de subjetividades. A padroniza莽茫o e imposi莽茫o de igualdades agem como castradoras das diferen莽as. Ent茫o, ao inv茅s de sentimento e orgulho coletivo, engendram frustra莽玫es, castra莽玫es, pris玫es, mortes. Diminui o espa莽o, agride ou mesmo mata a singularidade.

ODC – O que muda essa condi莽茫o?
Nelson – A sociedade e a cultura nos tornam coletivos. E ser coletivos significa partilhar conceitos e procedimentos. Nesse sentido, enquanto comunidade, constru铆mos igualdades. Para mim, viver efetivamente significa transitar entre esses dois planos. No primeiro, estabelece-se um jogo entre o particular e o coletivo e, no segundo, entre coletivos diversos. Acho importante termos a consci锚ncia de grupo e, ao mesmo tempo, dar flu锚ncia 脿s nossas singularidades com convic莽茫o e orgulho. Coletivamente, no meu caso, por exemplo, ser negro e, assim, ocupar um lugar no pa铆s e no mundo me faz diferente enquanto ser 茅tnico e hist贸rico. Sentir-se acolhido numa comunidade 茅 t茫o vital quanto dar flu锚ncia 脿s nossas idiossincrasias.

ODC – Por que precisamos de pol铆ticas p煤blicas para a diversidade?
Nelson – Em si, as pol铆ticas p煤blicas s贸 ser茫o p煤blicas e politicamente representativas se pensadas, experimentadas, fundadas, implementadas e geridas a partir do paradigma da diversidade. Se a sociedade para a qual se pensa uma pol铆tica ampla 茅 diversa em seus valores e composi莽茫o, 茅 natural e esperado que suas estrat茅gias, leis, projetos, t茅cnicas e m茅todos, ou seja, sua gest茫o, reflita essa complexidade. Inclusive, na escolha daqueles e daquelas que ocupar茫o a fun莽茫o de gestores e gestoras p煤blicas.

ODC – Como voc锚 v锚 esse processo acontecendo no Brasil?
Nelson – Sabemos que a sociedade brasileira, nas suas institui莽玫es tradicionais, preserva elementos herdados do processo, ainda em andamento, de exterm铆nio dos povos e culturas ind铆genas, da perversidade da escravid茫o negra, da hegemonia violenta do capital e da rejei莽茫o hist贸rica 脿 emancipa莽茫o feminina, gay, entre outras. Suas pol铆ticas 鈥減煤blicas鈥 nunca estiveram imunes a esse hist贸rico discriminador. A base de sustenta莽茫o ideol贸gica continua privilegiando, naturalizando e impondo os s铆mbolos, valores e experi锚ncias do macho branco, adulto, heterossexual e crist茫o. As pol铆ticas p煤blicas do pa铆s, em verdade, possuem bases privadas. Logo, n茫o s茫o p煤blicas, pois n茫o contemplam a sociedade em sua diversidade humana, material e simb贸lica. Uma pol铆tica p煤blica de fato, na sua elabora莽茫o e aplica莽茫o, tem de considerar a complexa forma莽茫o de seu povo.

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