O relator da Organiza莽茫o das Na莽玫es Unidas para a Liberdade de Opini茫o e Express茫o, o guatelmateco Frank William La Rue, fez cr铆ticas 脿 concentra莽茫o de imprensa no Brasil e na Am茅rica Latina, e afirmou que pretende fazer uma visita oficial ao pa铆s em breve. A declara莽茫o aconteceu durante o Semin谩rio Internacional Inf芒ncia e Comunica莽茫o, realizado nos dias 6, 7 e 8 de mar莽o em Bras铆lia. O evento reuniu alguns dos principais especialistas em inf芒ncia, educa莽茫o e comunica莽茫o do pa铆s, e contou com a presen莽a do ministro da Justi莽a Jos茅 Eduardo Cardoso e da ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos Maria do Ros谩rio.

Marta Mauras, vice-presidente do Comit锚 da ONU sobre Direitos da Crian莽a; Mar铆a Dolores Souza, diretora do Conselho Nacional de Televis茫o do Chile; Frank William La Rue, relator das Na莽玫es Unidas para a Liberdade de Opini茫o e Express茫o; Paulo Abr茫o, secret谩rio nacional de Justi莽a; e Mauro Porto, oficial de Programas para Direitos e Acesso 脿 M铆dia da Funda莽茫o Ford. Fotos: Daniel Santini
鈥淎 concentra莽茫o de m铆dias traz concentra莽茫o de poder pol铆tico e isso atenta n茫o s贸 contra o direito 脿 diversidade, mas tamb茅m contra a democracia鈥, destacou Frank William La Rue.
鈥淣a Am茅rica Latina, temos uma vis茫o excessivamente comercial [da comunica莽茫o] e isso faz mal para a sociedade. Em outros lugares, a comunica莽茫o 茅 prioritariamente p煤blica com diversidade etno-social鈥, afirmou. 鈥淎 m铆dia comercial 茅 leg铆tima, sem problemas, mas n茫o deve prevalecer de forma absoluta. O direito 脿 comunica莽茫o deve ser de todos鈥.
Os debates no encontro giraram em torno de responsabilidade social e comunica莽茫o. Na abertura o ministro Jos茅 Eduardo Cardoso falou da import芒ncia do equilibrio entre liberdade de express茫o e outros direitos, como os da crian莽a e do adolescente, e levantou a quest茫o que se repetiria em diferentes mesas nos tr锚s dias de discuss玫es: at茅 onde o Estado deve ir na regula莽茫o das comunica莽玫es?
A ministra Maria do Ros谩rio tamb茅m falou sobre concentra莽茫o na m铆dia e criticou a maneira como o sistema esta estruturado no Brasil. Ela destacou que 鈥渃omunica莽茫o em monop贸lio n茫o 茅 democracia鈥 e questionou: 鈥渁 quem interessar谩 poder absoluto do mercado?鈥.

Alexandre Schun, coordenador de Rela莽玫es Comunit谩rias da Petrobr谩s; Mauro Porto, oficial de Programas para Direitos e Acesso 脿 M铆dia da Funda莽茫o Ford, Frank William La Rue, relator das Na莽玫es Unidas para Liberdade de Opini茫o e Express茫o; Jos茅 Eduardo Cardozo, ministro da Justi莽a; Maria do Ros谩rio, ministra da Justi莽a. Aur茅lio Virg铆lio Veiga Rios, procurador da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidad茫o, Maria Izabel da Silva, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Crian莽a e do Adolescente; Gary Stahl, representante do Unicef no Brasil; e Wanderlino Nogueira, membro do Comit锚 dos Direitos da Crian莽a da ONU.
Especialistas em direitos da crian莽a e do adolescente tamb茅m manifestaram preocupa莽茫o, criticando desde programas que favorecem a erotiza莽茫o precoce at茅 propagandas voltadas para o p煤blico infantil. 鈥淣a comunica莽茫o, o que prevalece no Brasil 茅 o direito empresarial em detrimento ao direito da crian莽a e do adolescente鈥, disse Wanderlino Nogueira, do Comit锚 dos Direitos da Crian莽a da ONU.
Regula莽茫o
Citando crimes midi谩ticos como incita莽茫o a genoc铆dios e pedofilia, Frank La Rue, o relator da ONU, defendeu conselhos reguladores compostos por diferentes setores da sociedade. 鈥淢e d贸i dizer isso, minha fun莽茫o 茅 defender a amplitude [da liberdade de imprensa], mas h谩 casos extremos em que se deve intervir. S茫o necess谩rios 贸rg茫os reguladores independentes鈥, afirmou. 鈥淎 desinforma莽茫o pode provocar uma epidemia se a liberdade de express茫o for mal utilizada. 脡 claro que s茫o excess玫es, mas 茅 preciso intervir鈥.

Evento reuniu educadores, comunicadores, juristas e militantes de defesa dos direitos da crian莽a e do adolescente do Brasil e do exterior
Ele destacou que tal regula莽茫o deve ser pr茅via e n茫o posterior, e composta de limita莽玫es de conte煤do (como a proibi莽茫o de incita莽茫o a crimes de 贸dio ou de intoler芒ncia religiosa, por exemplo) e de restri莽玫es diretas (como o impedimento da exibi莽茫o de conte煤do classificado como inadequado em hor谩rios em que crian莽as assistem 脿 programa莽茫o).
Ele tamb茅m se disse surpreso com o fato de a classifica莽茫o indicativa de programas de TV por parte do governo federal ser contestada por representantes de grandes grupos de m铆dia e ter virado uma briga jur铆dica que foi parar no Supremo Tribunal Federal. 鈥淓ste 茅 um assunto j谩 resolvido no mundo todo, 茅 algo que j谩 n茫o se questiona no exterior鈥.
Contexto
Em contraposi莽茫o ao posicionamento do relator da ONU sobre a necessidade de maior regula莽茫o, o secret谩rio nacional de Justi莽a, Paula Abr茫o, defendeu o modelo brasileiro, destacando como uma qualidade o fato de que o Estado n茫o intervem em nada no conte煤do exibido e que o sistema de classifica莽茫o indicativa apenas restringe hor谩rios de exibi莽茫o. Ele lembrou que o processo de redemocratiza莽茫o 茅 recente e que 茅 preciso considerar este contexto. 鈥淎 discuss茫o no 芒mbito das restri莽玫es 茅 dif铆cil em raz茫o do trauma da censura鈥, disse.
Sobre casos extremos, ele defende que s茫o poss铆veis interven莽玫es mesmo no modelo atual. 鈥淢odula莽玫es podem ser feitas por meio de a莽玫es complementares. O Minist茅rio P煤blico Federal tamb茅m tem seu papel鈥, lembrou.

Divina Frau-Meigs, assessora do Conselho da Europa e da Unesco e professora da Universidade da Sorbonne Nouvelle, da Fran莽a, e o jornbalista Mike McCluster, ex-CEO da R谩dio Austr谩lia
Jornalistas presentes nos debates expressaram diferentes pontos de vista sobre como conciliar liberdade de express茫o com os demais direitos humanos. 鈥淰oc锚 n茫o pode entrar em um evento pelado. Na m铆dia 茅 o mesmo. Temos que considerar regras sociais e agir com responsabilidade鈥, defente o jornalista australiano Mike McCluster, que j谩 foi CEO da R谩dio Austr谩lia.
Eugenio Bucci, colunista da revista 脡poca, lembrou que 鈥渜ualquer regula莽茫o para modular e dirigir 茅 inaceit谩vel鈥. J谩 Ricardo Corredor, jornalista colombiano diretor-executivo da Funda莽茫o Nuevo Periodismo, lembra que o momento 茅 de 鈥渇orte transforma莽茫o da ind煤stria鈥 em que existe forte demanda por mais transpar锚ncia e por di谩logo com a sociedade. 鈥淢eios de comunica莽茫o que transpar锚ncia dos poderes p煤blicos devem ser transparentes鈥, ressaltou.
A concentra莽茫o e nova configura莽茫o da m铆dia em n铆vel mundial tamb茅m foi debatida. Divina Frau-Meigs, assessora do Conselho da Europa e da Unesco e professora da Universidade da Sorbonne Nouvelle, da Fran莽a, apresentou o conceito de Hollyweb, em que seis das maiores companhias de m铆dia (GE, Disney, Time Warner, News Corp, Viacom e CBS) se aproximam das seis gigantes da internet (Apple, Microsoft, Cisco, Google, Yahoo e Facebook).
No Brasil, al茅m da crescente participa莽茫o de empresas de telefonia no setor de comunica莽茫o, tamb茅m foram debatidas a liga莽茫o de pol铆ticos com canais de TV e r谩dios, muitos deles beneficiados com concess玫es p煤blicas. Dados sobre a concentra莽茫o de m铆dia, que preocupa o relator da ONU, foram reunidos no relat贸rio 鈥O pa铆s dos 30 Berlusconis鈥 (clique para ler vers茫o em PDF), lan莽ado recentemente pela organiza莽茫o Rep贸rteres Sem Fronteira. O estudo foi citado no evento pot Luiz Gustavo Pacete, representante da organiza莽茫o.
FONTE: Rep贸rter Brasil
CHAMADA PARA PUBLICA脟脙O – Boletim 103, n潞 01/2025 Os 20 anos da Conven莽茫o sobre a Prote莽茫o e Promo莽茫o da Diversidade das Express玫es Culturais Per铆odo para submiss茫o: 21 de maio a 08 de setembro de 2025 Este ano a Conven莽茫o sobre a Prote莽茫o e Promo莽茫o da Diversidade das Express玫es Culturais promulgada pelos pa铆ses membros da […]
O Observat贸rio da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo 脿 Cultura de Belo Horizonte, patroc铆nio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de forma莽茫o GEST脙O CULTURAL PARA LIDERAN脟AS COMUNIT脕RIAS. Per铆odo de realiza莽茫o: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Hor谩rio: Encontros online 脿s quintas-feiras, de 19 脿s 21h00 Carga hor谩ria total: 6 […]