NOT脥CIAS

Seguran莽a ou liberdade?

O debate sobre os usos da internet

聽 A internet 茅 habitualmente tida como uma das grandes inven莽玫es das 煤ltimas d茅cadas, e vista como um territ贸rio livre, transformador e revolucion谩rio para se pensar a democracia, a participa莽茫o p煤blica, as intera莽玫es sociais, compartilhamento de informa莽茫o e, enfim, a possibilidade de manter o mundo inteiro interligado. Por outro lado, ela 茅 tamb茅m alvo e meio para pol锚micas das mais diversas naturezas e seus limites come莽am a ser notados: manifesta莽玫es preconceituosas e racistas, amea莽a aos direitos autorais e propriedade intelectual, pirataria, ciberbullying, pedofilia e outras realidades mostram que o universo virtual n茫o difere tanto da vida off-line.

Nesse sentido, algumas iniciativas t锚m possibilitado reflex玫es sobre os limites da internet, e como amenizar o uso distorcido da ferramenta. Em fevereiro deste ano, por exemplo, foi comemorado, em mais de 70 pa铆ses, o 鈥Dia da Internet Segura鈥, com o objetivo conscientizar crian莽as, adolescentes, pais, educadores e institui莽玫es que trabalham no campo da Educa莽茫o e dos Direitos da Crian莽a e do Adolescente para o uso seguro e respons谩vel. Em um dos materiais de divulga莽茫o, o jornalista Marcelo Tas explicou que a internet n茫o 茅 uma rede de computadores conectados, mas, sim, de pessoas que acessam os computadores. Por isso, as mesmas leis, regras e deveres que existem no mundo “fora da internet”, tamb茅m devem existir dentro dela. A internet, afinal, n茫o 茅 um mundo 脿 parte. 鈥淣茫o 茅 que a internet seja boa ou m谩, ela depende do que n贸s vamos fazer com ela, como cidad茫o e sociedade. A internet n茫o 茅 um outro planeta. Quando entramos na internet estamos sujeitos 脿s mesmas leis de quando sa铆mos de casa鈥, defende Tas.

Um dos canais dispon铆veis para denunciar os crimes na internet, 茅 o SaferNet, que categoriza estes crimes como pornografia infantil; racismo; apologia e incita莽茫o a crimes contra a vida; xenofobia; neo nazismo; maus tratos contra animais; intoler芒ncia religiosa; homofobia e tr谩fico de pessoas. Qualquer pessoa que presenciar um crime na rede pode e deve denunciar.

A id茅ia de entender os acontecimentos no universo on-line como uma extens茫o da vida real foi tamb茅m levantada em um artigo produzido pelo New York Times e reproduzido pelo Observat贸rio da Imprensa, com o t铆tulo 鈥O Facebook usa voc锚鈥. O texto fala sobre como o Facebook utiliza dados e informa莽玫es que os usu谩rios disponibilizam em perfis das redes sociais. Os dados na not铆cia mostram como os an煤ncios publicit谩rios chegam at茅 n贸s, de forma pessoal, conduzindo e firmando preconceitos e estere贸tipos de toda a sociedade. Por isso, a not铆cia sugere que, da mesma forma que existe uma lei antichamada telef么nica, deve haver, tamb茅m, uma lei antirrastreamento.

Em Goi谩s, a Advocacia-Geral da Uni茫o entrou com a莽茫o na Justi莽a Federal contra o Twitter e os titulares das contas de perfis que divulgam locais e hor谩rios de blitzes da Lei Seca. Para a AGU, a conduta do Twitter 鈥 por permitir a publica莽茫o dos posts 鈥 e dos demais envolvidos 鈥渁gride diretamente a vida, a seguran莽a e o patrim么nio das pessoas鈥, e infringe diversos artigos das leis brasileiras, tanto do C贸digo Penal quanto do C贸digo de Tr芒nsito.

 

PIPA e SOPA

Os projetos de leis estadunidenses intitulados como Prote莽茫o da Propriedade Intelectual (PIPA) e Parar a Pirataria Online (SOPA), foram alvo de protestos na internet e geraram pol锚micas, pois teriam s茅rias repercuss玫es para a liberdade na rede mundial de computadores, ao afetarem p谩ginas e portais fora dos Estados Unidos tamb茅m. O Congresso dos Estados Unidos adiou as discuss玫es e, agora, o processo ser谩 mantido em espera, por tempo indeterminado, at茅 que haja um consenso mais amplo com solu莽玫es para o problema da pirataria online.

Em entrevista para o Instituto Humanistas Unisinos, Henrique Antuon, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador do grupo de pesquisa Cibercult e secret谩rio executivo da Associa莽茫o Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber), explica que o intuito dos projetos de lei PIPA e SOPA, era 鈥渞egulamentar a lei de propriedade intelectual na internet鈥 e, inclusive, criar um tipo de legisla莽茫o que ultrapasse a pr贸pria fronteira do universo norte-americano, o que iria 鈥渃riminalizar globalmente todo tipo de ato de c贸pia, apropria莽茫o, reutiliza莽茫o dos produtos da ind煤stria cultural, sobretudo da televis茫o, do cinema e das gravadoras鈥.

Sobre a amplia莽茫o da democracia participativa, o professor defende que a internet abre espa莽o para qualquer pessoa manifestar seu discurso, argumentar e contra-argumentar, numa conversa de muitos com muitos, tendo, no entorno, pessoas com outros discursos. E assim, usu谩rios, programadores e poder p煤blico, conduzidos por diferentes posturas ideol贸gicas, pol铆ticas e mercadol贸gicas, buscam o dif铆cil equil铆brio entre liberdade e seguran莽a, em um ambiente potencialmente favor谩vel 脿 diversidade e que demanda amplo debate sobre as leis apropriadas 脿 complexidade de suas quest玫es.

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