Por Iara Solo Lessa e Maria Fernanda Schofield
O Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de mar莽o, representa um momento de reflex茫o e reivindica莽茫o global das mulheres na luta hist贸rica por direitos, respeito e espa莽o na sociedade. A data tem origem nos movimentos feministas e trabalhistas na transi莽茫o do s茅culo XIX para o s茅culo XX, quando as mulheres buscaram se organizar e se mobilizar em busca de melhores condi莽玫es de trabalho, direito ao voto.
Apesar das vit贸rias j谩 conquistadas ao longo dos anos, a luta pela igualdade e equidade de g锚nero ainda tem um longo caminho a ser percorrido. O desafio 茅 global e urgente. Segundo a ONU Mulheres, uma entidade das Na莽玫es Unidas para a Igualdade de G锚nero e o Empoderamento das Mulheres, criada em 2010 para fortalecer e ampliar os esfor莽os mundiais em defesa dos direitos humanos das mulheres, 鈥渁o iniciarmos o segundo quarto do s茅culo XXI, nenhum pa铆s fechou as lacunas legais entre homens e mulheres. Neste momento, em 2026, as mulheres possuem apenas 64 por cento dos direitos legais que os homens det锚m no mundo.鈥 Meninas e mulheres ao redor de todo o globo permanecem enfrentando desigualdades e viol锚ncias todos os dias.
No Brasil, um discurso recorrente, difundido por grupos que negam ou rejeitam as pautas feministas, 茅 o de que a Constitui莽茫o Federal de 1988 j谩 assegura a igualdade entre homens e mulheres, garantindo os mesmos direitos a ambos. A quest茫o, no entanto, n茫o est谩 na exist锚ncia formal dessas garantias na Carta Magna, mas na dist芒ncia entre o que est谩 previsto na lei e a realidade cotidiana vivida pelas brasileiras em todo o pa铆s.
Recentemente, chamou a aten莽茫o a decis茫o do Tribunal de Justi莽a de Minas Gerais, que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos de idade, sob o argumento de que ambos constitu铆ram uma 鈥渆ntidade familiar鈥, causando enorme como莽茫o e revolta na popula莽茫o. O fato evidencia, mais uma vez, como as meninas no nosso pa铆s n茫o est茫o seguras, nem mesmo quando recorrem ao poder judici谩rio.
Casos como esse, julgado pelo Tribunal de Justi莽a de Minas Gerais, n茫o s茫o isolados. O Brasil ainda possui altas taxas de casamento infantil e viol锚ncia sexual contra crian莽as e adolescentes, demonstrando que a realidade social 茅 diferente daquilo que est谩 previsto na legisla莽茫o. Segundo dados da ONG Girls not Brides, apesar de ser proibido no pa铆s, o casamento infantil afeta atualmente mais de 32% das meninas brasileiras menores de idade.
Em virtude da maternidade, sobrecarga familiar ou controle do parceiro, meninas em casamentos ou uni玫es precoces frequentemente abdicam dos estudos, o que viola diretamente o artigo 53 do Estatuto da Crian莽a e do Adolescente (ECA), respons谩vel por garantir o direito 脿 educa莽茫o e 脿 igualdade de oportunidades para o acesso e perman锚ncia na escola. Segundo o Fundo das Na莽玫es Unidas para a Inf芒ncia (Unicef) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat铆stica (IBGE), a evas茫o escolar 茅 expressivamente mais alta entre meninas casadas antes dos 18 anos, o que corrobora para o ciclo de pobreza e exclus茫o social.
Em 2025, ano em que a san莽茫o da Lei do Feminic铆dio no Brasil completou 10 anos, o pa铆s atingiu o recorde de 1.568 v铆timas de feminic铆dios, o maior n煤mero de v铆timas de feminic铆dio j谩 registrado no pa铆s em um ano, segundo dados do Minist茅rio da Justi莽a e F贸rum Brasileiro de Seguran莽a P煤blica. Nesse mesmo levantamento, foi poss铆vel analisar que a maior parte das v铆timas de feminic铆dio no pa铆s s茫o mulheres negras. Enquanto as mulheres brancas s茫o apontadas em 36,8% dos casos ocorridos entre 2021 e 2024, as mulheres racializadas registram 62,9% das ocorr锚ncias. Os n煤meros demonstram o cen谩rio cr铆tico de viol锚ncia contra a mulher no pa铆s.
Quando discutimos feminismo e a luta das mulheres por justi莽a e respeito 茅 fundamental reconhecer que, muitas vezes, esse debate tem sido conduzido a partir de um recorte social restrito, marcado por um padr茫o ocidentalizado, branco e de classes mais privilegiadas. Debates e reflex玫es complexas como o feminismo precisam considerar fatores como territorialidade, classe social e ra莽a, para que contemplem a diversidade das experi锚ncias femininas, e n茫o apenas a realidade de um grupo espec铆fico.
脡 preciso ressignificar a luta pelos direitos das mulheres trazendo a diversidade para o centro das discuss玫es, englobando as mais diversas experi锚ncias e express玫es das mulheres, com suas diferentes formas de viver e de enxergarem na sociedade. Uma vez que o recorte das diferentes condi莽玫es socioecon么micas, raciais e das rela莽玫es de poder s茫o colocados em pauta, 茅 poss铆vel alcan莽ar as mulheres ao redor do mundo de uma maneira mais abrangente.
No contexto brasileiro, por exemplo, 茅 preciso falar sobre meninas e mulheres racializadas, ind铆genas, quilombolas, ribeirinhas, perif茅ricas, que vivem em 谩reas rurais, no interior ou nas regi玫es norte e nordeste do pa铆s, mulheres transexuais e travestis, entre tantas outras. A perspectiva interseccional, entendida como a sobreposi莽茫o de marcadores sociais que evidencia a opress茫o e exclus茫o, nos remete 脿 necessidade de se considerar as diferen莽as e as desigualdades associadas aos aspectos raciais, 茅tnicos e regionais entre as mulheres.
Em 2026, a ONU define o Dia Internacional das Mulheres sob o tema 鈥淒ireitos. Justi莽a. A莽茫o. Para TODAS as mulheres e meninas鈥, com o objetivo de contribuir para superar 鈥渁s barreiras estruturais 脿 justi莽a igualit谩ria, incluindo leis discriminat贸rias, prote莽玫es legais fr谩geis, pr谩ticas nocivas e normas sociais que corroem os direitos de mulheres e meninas鈥. 脡 urgente um debate e um reconhecimento acerca da diversidade cultural, social e pol铆tica expressada na luta pela equidade e igualdade de g锚nero.
V谩rias manifesta莽玫es est茫o programadas para este final de semana, escolha e participe:
| 7 de mar莽o (S谩bado)
-Campo Grande (MS): 08h30 鈥 Entre as ruas Bar茫o e 14 de Julho. -Macei贸 (AL): 09h00 鈥 Caminhada na Orla (Praia de Sete Coqueiros, Paju莽ara). -Maring谩 (PR) 09h00 鈥 Pra莽a Rocha Pombo. -Londrina (PR) 09h00鈥 Cal莽ad茫o (em frente ao Cine Teatro Ouro Verde).
8 de mar莽o (Domingo): Per铆odo da Manh茫:
-Mocajuba (PA) 7h 鈥 Em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais. -Cuiab谩 (MT) 7h45 鈥 Espa莽o Cultural do CPA II. -Aracaju (SE) 8h 鈥 Feira do Conjunto Bugio. -Bel茅m (PA) 8h 鈥 Escadinha da Esta莽茫o das Docas. -Natal/Redinha (RN): 8h 鈥 Caju da Redinha (Zona Norte). -Palmas (TO) 8h 鈥 Feira da Aureny I. -Vit贸ria (ES) 8h 鈥 Parque Moscoso, Centro de Vit贸ria/ES, -Teresina (PI 8h30 鈥 Pra莽a Pedro II. -Curitiba (PR) 9h00 鈥 Pra莽a Santos Andrade. -Goi芒nia (GO) 9h00 鈥 Pra莽a do Trabalhador. -Jo茫o Pessoa (PB) 9h00 鈥 Pra莽a da Paz. -Salvador (BA) 9h00 鈥 Morro do Cristo (Barra). -S茫o Lu铆s (MA) 9h00 鈥 Pra莽a da Igreja do Carmo. -Belo Horizonte (MG): 9h30 鈥 Pra莽a Raul Soares. -Florian贸polis (SC) 9h30鈥 Parque da Luz (Centro). -Porto Alegre (RS) 9h30鈥 Ponte de Pedra (Largo dos A莽orianos) -Rio de Janeiro (RJ) 10h00 鈥 Posto 3, Copacabana
8 de Mar莽o (Domingo): Per铆odo da Tarde: -Bras铆lia (DF) 13h00 (Funarte / Estacionamento do Espa莽o Ibero-Americano. -Fortaleza (CE) 14h00 鈥 Pra莽a da Bandeira (Centro) -S茫o Paulo (SP) 14h00 鈥 V茫o Livre do MASP (Av. Paulista). -Manaus (AM) 15h00 鈥 Sede da CUFA (Marcha das Mulheres Ind铆genas) / Pra莽a da Pol铆cia. -Boa Vista (RR) 17h30 鈥 Portal do Mil锚nio (Centro).
9 de mar莽o (Segunda-feira) -Recife (PE) 16h Pra莽a do Di谩rio. |
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