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Entidades dizem que proibir livros e tem谩tica de g锚nero 茅 preconceito

2016_03_29_3_ODC-Entidades dizem que proibir livros e tema虂tica de ge虃nero e虂 preconceito

 

Especialistas e entidades ligadas 脿 causa LGBT (l茅sbicas, gays, bissexuais, transexuais e transg锚neros) criticam a iniciativa dos vereadores do Recife de proibir livros did谩ticos que falem de diversidade sexual e dizem que a exclus茫o desses temas da sala de aula 茅 preconceito.

鈥淪e voc锚 茅 contra qualquer forma de discrimina莽茫o voc锚 n茫o pode excluir essa express茫o [homossexualidade] dos livros. Preconceito n茫o 茅 s贸 agress茫o f铆sica鈥, defende o professor de psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Benedito Medrado.

鈥淧ara mim, 茅 extremamente discriminat贸rio voc锚 poder colocar a hist贸ria de um pr铆ncipe e de uma princesa no livro e n茫o poder colocar duas princesas. Ent茫o voc锚 s贸 est谩 ensinando uma forma de sexualidade. Se voc锚 n茫o aceita as possibilidades diversas de express茫o da sexualidade est谩 praticando homofobia tanto quanto a pessoa que agride diretamente uma pessoa que beija outra do mesmo sexo. 脡 uma l贸gica muito sutil. Eu chamo de homofobia cordial鈥, completou Medrado que integra o F贸rum Nacional de Pesquisas em G锚nero, Sexualidade e Educa莽茫o, formado por mais de 80 n煤cleos de pesquisa de universidades brasileiras.

鈥淐omo a gente aprovou recentemente uma lei contra o bullying e vai tirar dos livros did谩ticos a discuss茫o sobre direitos sexuais? 脡 contradit贸rio鈥, critica Medrado.

O especialista argumenta que levar a discuss茫o para a escola ajuda a manter os adolescentes seguros. 鈥淥 fato de n茫o ter no livro did谩tico n茫o vai mudar em nada o acesso 脿 informa莽茫o. O que vai tirar 茅 qualidade. Eles v茫o continuar vendo tudo o que veriam no livro did谩tico de uma forma explorada, bem elaborada, bem discutida. V茫o ver na internet, sem a possibilidade de interven莽茫o de um profissional de educa莽茫o que poderia contribuir para tornar a experi锚ncia mais saud谩vel. E a gente s贸 contribui de fato para a viol锚ncia e a discrimina莽茫o鈥.

De acordo com a pesquisa Juventudes na Escola, Sentidos e Buscas: Por que frequentam?, feita em 2013 e coordenada pela soci贸loga Miriam Abramovay, 19,3% dos estudantes da rede p煤blica n茫o gostariam de ter um colega de classe travesti, homossexual, transsexual ou transg锚nero.

O estudo, feito com o apoio da Organiza莽茫o dos Estados Ibero-americanos para a Educa莽茫o, a Ci锚ncia e a Cultura (OEI), indicou que esse 茅 o terceiro grupo mais rejeitado na escola, atr谩s de bagunceiros e puxa-sacos dos professores. Mais da metade (52,5%) dos alunos consultados tamb茅m se declararam contra o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Para J么 Menezes, da organiza莽茫o n茫o governamental (ONG) Gestos, que trabalha com popula莽玫es vulner谩veis a doen莽as sexualmente transmiss铆veis e ao v铆rus HIV, a inten莽茫o dos parlamentares 茅 evitar a discuss茫o sobre diversidade sexual.

鈥淥 que eles querem defender 茅 que isso n茫o seja discutido, n茫o seja possibilitado porque abre as possibilidades de entender que sexualidade 茅 algo que se sente, que se vive no corpo, mas que est谩 relacionado a v谩rias quest玫es e n茫o pode ser normatizado pela religi茫o x, y ou z鈥, critica.

Ela tamb茅m destaca que o Estado brasileiro 茅 laico e, portanto, n茫o poderia ser regido pelos dogmas de representantes de igrejas. 鈥淓mbora muito mais te贸rico do que na pr谩tica, 茅 um estado laico. Ent茫o eu acho que a escola tem sim a possibilidade de fazer uma discuss茫o boa, esclarecedora, sem ser com informa莽玫es erradas, que mais confundem os jovens do que os deixa livres para viver a sexualidade com responsabilidade鈥.

Os dois especialistas ouvidos pela Ag锚ncia Brasil defendem que o conte煤do seja adequado 脿 idade das crian莽as. 鈥溍 贸bvio que voc锚 equaciona a informa莽茫o de acordo com a gera莽茫o da crian莽a. Para a quinta s茅rie n茫o 茅 o mesmo que para o ensino m茅dio. 脡 proporcional ao n煤mero de informa莽玫es que elas trazem. E muitas vezes a gente trabalha com as d煤vidas que chegam, 茅 isso que a gente orienta aos educadores鈥, explica Benedito Medrado.

Fonte: Ag锚ncia Brasil

Imagem: http://www.neim.ufba.br/

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