O QUE É ESTE RELATÓRIO
Ele surge no âmbito da Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável (MONDIACULT 2025) e sobre isso cabe uma síntese para introduzir o tema. Em 2022, na Cidade do México, 150 Estados adotaram por unanimidade a Declaração da MONDIACULT. Ao reivindicarem a inclusão da cultura como um objetivo independente na agenda pós-2030, eles afirmaram o potencial deste bem público global para impulsionar o desenvolvimento sustentável e alcançar um futuro mais justo e inclusivo. A adoção do Pacto para o Futuro, em 2024, reafirmou o papel decisivo da contribuição da cultura para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.
Agora, à medida que se aproxima 2030, o ápice do compromisso compartilhado com os ODS, é mais importante do que nunca aproveitar todo o potencial da cultura ao redor do mundo. Esta publicação inaugura a série quadrienal de Relatórios Mundial de Políticas Culturais e é a primeira análise global desse tipo a considerar todas os âmbitos da cultura. A direção da UNESCO aproveita a ocasião do lançamento do relatório para convidar governos, profissionais da cultura e a sociedade civil a aproveitarem este recurso para reimaginar as políticas culturais em todo o mundo na preparação para a MONDIACULT 2029.
Continuamos aqui a série de apontamentos sobre o último relatório publicado pela UNESCO sobre política cultural. Desta vez trazemos a síntese do terceiro capítulo do documento[1], com os pontos centrais e uma síntese dos elementos mais importantes tratados no capítulo.
CAPÍTULO 3 – Fomentar a educação cultural e artística
Pontos centrais do capítulo
Outros pontos relevantes do capítulo
O capítulo 3 lembra que o mundo atual é marcado por profunda fragmentação social, homogeneização cultural, mudanças climáticas e desigualdades crescentes e aponta que, com todo este contexto, nunca foi tão importante pensar e implementar esforços para a educação cultural e artística. Além da mera transmissão de conhecimentos sobre a memória ou sobre técnicas artísticas, o capítulo reforça a importância da educação cultural e artística, pois ajuda indivíduos e comunidades a desenvolverem elementos importantes, como afirmar sua identidade, despertar sua criatividade e fortalecer a coesão social. Essas capacidades são essenciais para enfrentar os desafios complexos que este novo século traz.
Um dos principais pontos a ressaltar é a compreensão da educação como processo de toda a vida, não se limitando aos prazos de educação formal, como as etapas no Brasil, com ensino fundamental, ensino médio e ensino superior. Além de suas dimensões estéticas e de qualificação técnica, é fundamental a contribuição deste processo educativo ao longo da vida para desenvolver o pensamento crítico, a empatia e o engajamento cívico, ao mesmo tempo que inspiram soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável.
Reafirma que, num mundo profundamente interconectado, é essencial enraizar a educação em contextos locais e em valores inclusivos, simultaneamente promovendo o respeito por outras culturas, fomentando a empatia e a compreensão intercultural. Assim, propõe que cada vez mais haja políticas que promovam a aproximação das culturas e das artes do ambiente educativo e se reinvente o próprio sistema educativo a partir disto.
Neste sentido os recentes marcos internacionais têm reafirmado consistentemente o papel fundamental da cultura na transformação dos sistemas educacionais. A Declaração MONDIACULT de 2022 destaca explicitamente a importância da educação contextualizada que incorpora o patrimônio cultural, a história e o conhecimento tradicional para melhorar os resultados da aprendizagem e a conscientização sobre a diversidade cultural. Em outras palavras, no ambiente educativo, incorporando as artes e as práticas culturais, é que é mais potente a possibilidade de cultivar a memória, diversidade cultural e o pluralismo, bem como incentivar a inovação e a criatividade nas nossas sociedades.
Por fim, o capítulo traz a importância de integrar as artes na educação estilo STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), como é parte do atual ensino médio no Brasil. Concentrar apenas em aspectos funcionais ou essencialmente técnicos pode embotar o desenvolvimento de capacidades mais amplas. Desta forma, incorporar o reconhecimento de aspectos culturais locais e o desenvolvimento de capacidades expressivas e cognitivas através das artes é elemento chave para que nossas sociedades avancem efetivamente para um mundo diverso, plural e criativo. É importantíssima a proposição de vincular o desenvolvimento individual ao ambiente coletivo das comunidades (sejam elas físicas ou simbólicas), daí a centralidade da educação artística e cultural.
[1] O documento pode ser acessado integralmente em https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000395707_spa
CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO Revista Observatório da Diversidade Cultural, volume 104, nº 01/2026 Diversidade Cultural e Ação Comunitária: possibilidades, experiências e desafios Período para submissão: 09 de março a 04 de maio de 2026 A Revista do Observatório da Diversidade Cultural convida pesquisadoras(es), gestoras(es) culturais, educadoras(es), artistas, estudantes, lideranças comunitárias e integrantes de coletivos culturais […]
O Observatório da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, patrocínio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de formação GESTÃO CULTURAL PARA LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS. Período de realização: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Horário: Encontros online às quintas-feiras, de 19 às 21h00 Carga horária total: 6 […]