Texto originalmente publicado pela Funda莽茫o Perseu Abramo, de autoria de Antonio Albino Canelas Rubim, em 3 de junho de 2026.
Publica莽茫o original: Elei莽玫es de 2026 e a centralidade da cultura
No Brasil, desde os dois primeiros governos Lula (2003-2010) e a gest茫o de Gilberto Gil no Minist茅rio da Cultura (2003-2008), a cultura passou a figurar entre os setores do Estado nacional nos quais ocorreram pol铆ticas p煤blicas inovadoras e democr谩ticas. Foram implantadas pol铆ticas culturais gerais e espec铆ficas, abrangendo muitas 谩reas da cultura. O minist茅rio trabalhou com um conceito ampliado de cultura, possibilitando alargar sua atua莽茫o e abranger segmentos culturais nunca acolhidos anteriormente pela institui莽茫o. O exemplo mais emblem谩tico nessa perspectiva 茅 o Programa Cultura Viva, que estimulou e massageou pontos de cultura j谩 existentes em todo pa铆s, antes desconsiderados pelo minist茅rio. Programas como Brasil Plural, Revelando Brasis, DOC-TV e muitos outros expressaram a diversidade cultural brasileira. A participa莽茫o dos agentes e fazedores de cultura aconteceu por meio da Confer锚ncia Nacional de Cultura (CNC), de conselhos, colegiados, c芒maras e de semin谩rios nacionais. As pol铆ticas culturais assumiram a condi莽茫o de pol铆ticas p煤blicas, porque foram debatidas e deliberadas publicamente, como ocorreu com o primeiro Plano Nacional de Cultura (PNC) e com a constru莽茫o do Sistema Nacional de Cultura (SNC). Os recursos or莽ament谩rios para a cultura foram ampliados. Em suma, nos dois primeiros mandatos de Lula, a cultura come莽ou a ocupar patamar mais efetivo nas pol铆ticas p煤blicas brasileiras. As gest玫es petistas posteriores continuaram a implementar pol铆ticas culturais, ainda que com 芒nimo mais reduzido e menos inovador.
A gest茫o golpista de Michel Temer (2016-2018) e o mandato autorit谩rio de Messias Bolsonaro (2019-2022) foram verdadeiros contrapontos aos governos petistas. Eles se comportaram como inimigas da cultura, em especial das suas manifesta莽玫es mais criativas, democr谩ticas e emancipat贸rias. Michel Temer tentou acabar com o minist茅rio, mas n茫o conseguiu por conta da rea莽茫o vigorosa do campo da cultura. Messias Bolsonaro extinguiu o Minist茅rio da Cultura. Eles paralisaram as pol铆ticas p煤blicas culturais. Eles buscaram desmantelar por dentro as institui莽玫es culturais vinculadas ao Governo Federal, a exemplo da Funda莽茫o Cultural Palmares (FCP), da Funda莽茫o Casa de Rui Barbosa (FCRB), da Funda莽茫o Nacional das Artes (Funarte), do Instituto do Patrim么nio Art铆stico Nacional (IPHAN) e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Eles perseguiram fazedores de cultura e funcion谩rios de institui莽玫es culturais p煤blicas e privadas, inclusive por meio da censura e de puni莽玫es. Eles debilitaram os quadros funcionais dos 贸rg茫os federais de cultura. Eles reduziram drasticamente as verbas para a cultura. Eles atacaram artes, patrim么nios culturais, culturas populares, ci锚ncia, educa莽茫o e universidades. Eles tentaram manipular a cultura em sua guerra cultural contra a democracia. Grandes nomes da cultura brasileira mortos em suas gest玫es, inclusive alguns por conta da pandemia, sequer tiveram notas p煤blicas governamentais homenageando suas ricas contribui莽玫es 脿 cultura, a exemplo de Aldir Blanc, Paulo Gustavo, Jo茫o Gilberto e Moraes Moreira. Messias Bolsonaro se op么s ao apoio emergencial aos agentes e fazedores de cultura. Em suma, as duas gest玫es trataram a cultura como inimiga.
As experi锚ncias de atitudes contrapostas entre as gest玫es nacionais e o campo cultural servem para evidenciar suas posturas radicalmente distintas com rela莽茫o 脿 cultura. Elas s茫o balizadores para demonstrar a enorme relev芒ncia das elei莽玫es de 2026 para o presente, mas tamb茅m para o futuro e mesmo para o passado, da cultura no pa铆s. Tais gest玫es buscaram reescrever a hist贸ria e circunscrever o futuro em perspectiva mais autorit谩ria, classista, machista, racista, homof贸bica e sem soberania nacional. Assim, a sociedade brasileira, os segmentos democr谩ticos, os agentes e fazedores de cultura devem estar atentos e fortes para participar ativamente da pol铆tica em um momento t茫o crucial para a vida, o presente, o futuro e o passado do pa铆s e de suas culturas.
A elei莽茫o de 2026 coloca em cena in煤meros temas vitais para o Brasil. Por certo, cabe discutir ampla e democraticamente todos eles para se confeccionar um novo programa de governo para viabilizar o quarto mandato de Lula, imprescind铆vel para o Brasil e para o planeta, dada a presen莽a mundial do pa铆s e da lideran莽a internacional de Lula. Um programa que n茫o seja, como muitas vezes acontece, um mero documento eleitoral refeito a cada elei莽茫o, sem sequer considerar os planos anteriores. 脡 fundamental que o programa eleitoral possua amplitude, consist锚ncia, participa莽茫o e qualidade. Ele deve ser uma esp茅cie de embri茫o para o t茫o necess谩rio projeto democr谩tico-nacional, que o pa铆s tanto carece para sua afirma莽茫o e sua consolida莽茫o. A proposta de constru莽茫o participativa do programa, divulgada recentemente, parece ir nessa dire莽茫o. O campo da cultura deve participar ativamente de sua elabora莽茫o coletiva.
Em 2021, a secretaria cultural do Partido dos Trabalhadores do estado de S茫o Paulo realizou um interessante semin谩rio, que tratou da centralidade da cultura. Cabe mais que nunca, no instante eleitoral de 2026, retomar a discuss茫o de como tratar o tema da centralidade da cultura de modo rigoroso e vigoroso, como ele merece. A centralidade da cultura n茫o pode continuar sendo apenas um desejo da comunidade cultural, sem que ela seja assimilada e assumida pelo PT, esquerdas, demais aliados e pelo pr贸ximo governo Lula-Alckmin. No atual momento em que vive o mundo, com as amea莽as cotidianas do imperialismo; com as tens玫es crescentes entre a unipolaridade e a multipolaridade; com a amplia莽茫o desenfreada de desigualdade produzida pelo capitalismo neoliberal; com os autoritarismos, inclusive os de extrema direita, presentes mundo afora e no Brasil; com genoc铆dios e guerras acontecendo; com a prolifera莽茫o de culturas autorit谩rias e violentas: a cultura n茫o pode continuar a ser secundarizada, nem concebida como a cereja do bolo, como denunciava Gilberto Gil. Ela precisa ganhar mais centralidade na campanha eleitoral e no novo governo em sintonia com a dram谩tica crise civilizat贸ria vivida pelo mundo.
A imensa maioria do campo cultural ativamente se op么s 脿 barb谩rie ensejada nas gest玫es Temer e, principalmente, na gest茫o Messias Bolsonaro. Ela se colocou decisivamente em favor da democracia, das liberdades, do pluralismo, da diversidade, dos direitos sociais e culturais e da soberania nacional. Ela apoiou as candidaturas democr谩ticas e de esquerda, a exemplo das campanhas presidenciais de Fernando Haddad (2018) e de Lula (2022). Ou seja, a grande maioria do povo da cultura 鈥 agentes, fazedores, gestores, produtores, trabalhadores, artistas, intelectuais etc. 鈥 esteve sempre presente nas lutas democr谩ticas no pa铆s.
Nesse horizonte 茅 preciso ressaltar a potente refunda莽茫o do Minist茅rio da Cultura, extinto na gest茫o Messias Bolsonaro, e reconstru铆do por meio do enorme esfor莽o empreendido pela gest茫o pol铆tico-cultural da ministra Margareth Menezes. Na atual gest茫o de Lula, a ministra, com compet锚ncia e sensibilidade, reconstruiu o minist茅rio, n茫o s贸 extinto, mas com suas institui莽玫es vinculadas geridas por inimigos de tais 贸rg茫os, buscando desmantel谩-los por dentro. A ministra dedicou energia ao restabelecimento nacional do minist茅rio. Ela buscou dar uma dimens茫o federativa ao 贸rg茫o, ao fazer com que estados e munic铆pios, n茫o apenas recebessem novos recursos federais significativos, mas tamb茅m atuassem no 芒mbito da cultura. Entretanto, isso nem sempre ocorreu com sucesso, pois diversos estados e munic铆pios assumiram a guerra cultural bolsonarista e n茫o se empenharam no desenvolvimento da cultura em perspectiva democr谩tica. As leis Paulo Gustavo, tempor谩ria, e a Aldir Blanc II, permanente, transformada depois em Pol铆tica Nacional Aldir Blanc (PNAB), foram regulamentadas na gest茫o de Margareth Menezes e implementadas de maneira decidida.
Em suma, com tais iniciativas e muitas outras, o Minist茅rio da Cultura voltou a existir e ganhar for莽a e presen莽a no Estado nacional e na sociedade brasileira. Dentre as muitas atividades, podem ser lembradas: o retorno da Confer锚ncia Nacional de Cultura (CNC); a reativa莽茫o de canais de participa莽茫o pol铆tico-cultural; a reanima莽茫o de pol铆ticas p煤blicas de cultura; o aumento do or莽amento para a cultura; a presen莽a do minist茅rio em todos os estados brasileiros; o refor莽o do Programa Cultura Viva; a elabora莽茫o do novo Plano Nacional de Cultura (PNC); a cria莽茫o do Plano Nacional das Artes (PNA) e a reafirma莽茫o, ainda t铆mida, do Sistema Nacional de Cultura (SNC).
Entretanto, o desenvolvimento da cultura, sendo sempre um processo de longo prazo, devido 脿s suas pr贸prias caracter铆sticas imanentes, ainda n茫o conseguiu chegar a um patamar adequado para adquirir centralidade. N茫o bastam os or莽amentos alcan莽ados na atualidade, entre os maiores j谩 destinados 脿 cultura na hist贸ria brasileira. Eles s茫o vitais para o campo cultural, mas n茫o suficientes, inclusive porque no per铆odo aconteceram procedimentos que caminharam na contram茫o da instala莽茫o do federalismo cultural. Em diversos estados e munic铆pios, inclusive alguns governados por partidos democr谩ticos e de esquerda aliados do governo nacional, os recursos estaduais e municipais destinados 脿 cultura foram reduzidos, tendo em vista a chegada do or莽amento federal mais robusto. Tal atitude mostra a fragilidade do compromisso com a cultura e compromete muito a implanta莽茫o do verdadeiro federalismo cultural.
Al茅m disso, in煤meros entes federados continuaram a tratar a cultura apenas com evento, sem nenhuma aten莽茫o para seu car谩ter processual, n茫o imediato, de m茅dio e longo prazo de matura莽茫o. Cabe aqui uma discuss茫o mais profunda sobre os eventos. Eles podem ser eventos-processos necess谩rios para visibilizar programas culturais em andamento ou s贸 eventos-eventos, que se esvaem rapidamente no vento sem deixar rastros culturais. Uma pol铆tica cultural substantiva n茫o pode ser baseada no imediato, no evento-evento, mas demanda uma atua莽茫o de m茅dio e longo prazo, imprescind铆veis para o amadurecimento e aprimoramento da cultura.
As duas atitudes citadas e outras mais dep玫em contra a possibilidade de que a cultura esteja imaginada em patamar de centralidade no 芒mbito das pol铆ticas p煤blicas. Por mais relevantes que sejam os eventos e os recursos, especialmente em uma 谩rea sempre t茫o carente de or莽amento quanto a cultura, eles por si s贸 n茫o possibilitam o alcance da centralidade sonhada. Ela exige in煤meros outros processos, articula莽玫es e atitudes, n茫o apenas do Minist茅rio da Cultura, mas tamb茅m dos entes subnacionais, do meio cultural e da sociedade. A centralidade da cultura 茅 exigente. Ela requer que as for莽as vivas da sociedade civil e da sociedade pol铆tica tenham novas posturas em rela莽茫o 脿 cultura.
A comunidade cultural, por exemplo, tem atuado de modo fr谩gil nesse sentido. Al茅m do seu desejado sonho, expresso em diferentes atividades pol铆tico-culturais representativas, o campo cultural tem se manifestado de modo, quase sempre t铆mido, desarticulado e espor谩dico. Os agentes e fazedores de cultura t锚m colocado, diversas vezes, mais 锚nfase ou at茅 mesmo se orientado apenas por seus interesses espec铆ficos mais imediatos. A IV Confer锚ncia Nacional de Cultura, realizada em 2024, apesar de ter em seu t铆tulo o termo democracia, pouco tratou da democracia em sentidos mais amplos e societ谩rios, voltando-se na maior parte de suas resolu莽玫es para temas relativos 脿 democratiza莽茫o no 芒mbito da cultura. Natural e importante que tais tem谩ticas tivessem sido contempladas, mas se torna preocupante a quase aus锚ncia do acionamento da democracia em uma perspectiva mais ampla e societ谩ria.
Tamb茅m no parlamento nacional a postura em rela莽茫o 脿 cultura tem sido d茅bil. Apesar da atitude louv谩vel do Congresso Nacional na aprova莽茫o das leis emergenciais Aldir Blanc I e Paulo Gustavo e da lei Aldir Blanc II, de maior dura莽茫o, inclusive contra a posi莽茫o da gest茫o Messias Bolsonaro, faltam aos parlamentares e partidos, inclusive democr谩ticos e de esquerda, programas culturais mais consistentes, inovadores e capilarizados nos seus 芒mbitos partid谩rios e na sociedade. Os exemplos de atua莽茫o comprometida com a cultura, como os de Benedita da Silva (PT) e de Jandira Feghali (PCdoB), n茫o s茫o comuns no Congresso Nacional, ainda que diversos outros parlamentares tenham apoiado ativamente pleitos culturais relevantes na C芒mara dos Deputados e no Senado. Ali谩s, um dos grandes desafios das elei莽玫es de 2026 parece ser a mobiliza莽茫o do campo cultural, da inclus茫o de tem谩ticas culturais, inclusive no novo programa de governo, e a elei莽茫o de parlamentares comprometidos radicalmente com a cultura. Ela tem sido no Brasil e no mundo, em geral, uma aliada contra os autoritarismos e a favor da transforma莽茫o democr谩tica da sociedade.
O campo da cultura, ali谩s, pode e deve contribuir sobremodo para a quest茫o democr谩tica na sociedade. Seja servindo de caso exemplar de experimentos e reflex玫es acerca das variadas possibilidades de democratiza莽玫es das culturas, realizando processos inovadores e criativos; seja desenvolvendo formula莽玫es e pr谩ticas de culturas democr谩ticas, em di谩logo com a sociedade, para viabilizar lutas e projetos democr谩ticos na sociedade. As culturas t锚m um enorme potencial como aliados das democracias, inclusive imaginando outros futuros poss铆veis, al茅m de animar estrat茅gias e experimentos de democratiza莽茫o na sociedade e propiciar a realiza莽茫o de inova莽玫es nas lutas, no processo e nas inst芒ncias democr谩ticas nos 芒mbitos do Estado e da sociedade.
Como a democracia se instalou com centralidade na agenda p煤blica contempor芒nea, internacional e nacional, ela pode contribuir em muito para que a cultura seja atualizada e desenvolvida, ganhando centralidade. Assim, o di谩logo entre cultura e democracia passa a ser imprescind铆vel para que a cultura possa conquistar centralidade em um contexto nacional e internacional complicado, no qual a barb谩rie amea莽a a civilidade e sociedade humanas. O genoc铆dio de Gaza e a vergonhosa inoper芒ncia internacional, em especial do Ocidente, emergem como emblem谩ticos da barb谩rie contempor芒nea. Ampliar e aprimorar as conex玫es entre cultura e democracia se torna vital para que ambas adquiram cada vez mais centralidade na contemporaneidade brasileira e mundial.
N茫o apenas essa rela莽茫o importa para imaginar a centralidade da cultura. Diversos outros enlaces com registros afins podem ser acionados para que a centralidade seja conquistada. Imposs铆vel tratar de todos eles no horizonte desse texto. Mas cabe priorizar um desses imbricamentos centrais. Trata-se do tema do desenvolvimento. Hoje, ele pr贸prio colocado sob pol锚mica e at茅 suspeita, por conta de diversos de seus impactos, muitas vezes considerados prejudiciais 脿 sociedade e 脿 popula莽茫o. O pr贸prio debate acerca do tipo de desenvolvimento pretendido emerge com for莽a no cen谩rio mundial e nacional. Em disputa est茫o modelos de desenvolvimento, que desprezam envolvimentos, e aqueles que consideram o envolvimento de seus povos como condi莽茫o mesma para se alcan莽ar o desenvolvimento. Portanto, hoje a concep莽茫o do pr贸prio desenvolvimento tem sido espa莽o de disputa no 芒mbito econ么mico-social-ambiental-pol铆tico-cultural, inclusive no campo dos segmentos democr谩ticos, progressistas e de esquerda.
Cabe afirmar, antes de tudo, que o desenvolvimento n茫o pode ser reduzido apenas 脿 sua dimens茫o econ么mica ou mesmo social. A conex茫o entre cultura e economia, por exemplo, n茫o deve se restringir ao reconhecimento e 脿 considera莽茫o da economia da cultura, por mais relevante que ela seja hoje no panorama econ么mico do s茅culo 21. Tal redu莽茫o acarreta uma vis茫o empobrecida, meramente economicista da cultura. Inadmiss铆vel que a cultura seja concebida como desenvolvimento apenas porque 茅 capaz na atualidade de gerar emprego e renda. A relev芒ncia da cultura para o desenvolvimento abarca dimens玫es bem maiores que sua dimens茫o somente econ么mica.
O enlace cultura e desenvolvimento 茅 bem mais amplo e complexo. Ele tem que ser pleno, envolvendo sempre dimens玫es econ么micas, sociais, pol铆ticas, ambientais e culturais. O desenvolvimento cultural, para al茅m do seu enfoque apenas econ么mico, afeta as dimens玫es do pr贸prio desenvolvimento, por exemplo, ao gerar identidades, estimular mobiliza莽玫es, motivar conscientiza莽玫es e possibilitar empoderamentos, coletivos e/ou individuais. Todos esses processos impactam as dimens玫es sociais, pol铆ticas, ambientais e mesmo econ么micas do desenvolvimento, entendido como necessariamente pluridimensional. O desenvolvimento especificamente cultural n茫o pode de modo algum ser menosprezado, afinal de contas o aprimoramento intelectual, civilizat贸rio e afetivo das individualidades e das coletividades emerge como eixo b谩sico para a efetividade do desenvolvimento humano pleno, em um mundo e em um Brasil cotidianamente amea莽ado pela barb谩rie.
A campanha eleitoral de 2026, caso possibilite a realiza莽茫o de conex玫es entre cultura, democracia e desenvolvimento, pode ser um espa莽o de disputas vital para que a quest茫o da centralidade da cultura ganhe visibilidade e colabore vivamente para a vit贸ria das for莽as democr谩ticas e de esquerda no Brasil, afastando o perigo da barb谩rie tomar nosso pa铆s e ajudando o mundo a sair de suas garras. Tal vit贸ria 茅 crucial para aprofundar a democracia, o desenvolvimento, a civilidade e a cultura no Brasil.
Antonio Albino Canelas Rubim 茅 pesquisador e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA)
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