Por Iara Solo
O Governo Federal oficializou, na última semana de março de 2026, a inclusão de Mestras e Mestres das culturas tradicionais e populares na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), a pedido da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). A articulação entre o MinC e o Ministério do Trabalho permitirá que este ofício seja oficialmente reconhecido como profissão.
A Classificação Brasileira de Ocupações é uma ferramenta de identificação e padronização das profissões no mercado de trabalho brasileiro, instrumento necessário para formalização de contratos, fundamentar políticas públicas e gerar dados estatísticos. O sistema da CBO serve também para permitir que os órgãos governamentais atribuam benefícios de seguridade social e direitos trabalhistas, além da criação de políticas públicas.
Com essa decisão do Ministério da Cultura, a ocupação de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais passa a receber um novo reconhecimento, como elemento fundamental da cultura brasileira. A resolução representa um avanço na preservação, transmissão e valorização formal daqueles que compõem as dinâmicas e as identidades nacionais.
Para o diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares, Tião Soares, essa conquista histórica “é mais que um marco; é a colheita de décadas de luta e resistência. [..] É o reconhecimento de que nossas tradições, entrelaçadas na sabedoria e na arte dos que vieram antes de nós, são fundamentais para a identidade nacional. É um abraço carinhoso e respeitoso àqueles que, com suas mãos calejadas e corações fervorosos, moldaram a cultura brasileira. A luta continua, e agora, mais do que nunca, podemos sentir a força da nossa caminhada se materializando em políticas que promovem a valorização e o empoderamento das culturas que nos definem”.
Mestras e mestres brasileiros
Um mestre de cultura é um guardião de memórias e ancestralidade, responsáveis pela preservação e transmissão de saberes históricos e memórias coletivas. Traduzem tradições que atravessam gerações, e que são muitas vezes, marginalizadas nas sociedades contemporâneas.
A diversidade entre os povos e comunidades tradicionais é enorme, refletindo nas diferentes expressões culturais populares, como exemplos: Capoeira, Fandango Caiçara, Congada, Moçambique, Quadrilha junina, Jongo, Povos de Terreiro, Reisado, Carimbó, Bumba meu boi, Carnaval, Samba, Maracatu, entre tantos outros. Não há um município, distrito ou território no país em que não seja possível encontrar alguma presença das Mestras e Mestres.
Oferecer o devido reconhecimento a esses saberes culturais e ancestrais permite a construção de um pertencimento coletivo mais amplo e acolhedor. Ao valorizar esses saberes, é possível fortalecer identidades e garantir a existência dessas expressões culturais.
A inclusão de Mestras e Mestres das culturas tradicionais e populares na CBO reforça a importância de uma cultura popular diversificada. Segundo Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, “essas conquistas são fruto da resistência e da luta histórica de que mantêm as tradições vivas em suas comunidades e territórios. Estamos falando das nossas identidades, do nosso Brasil raiz, plural, criativo, sagrado, inovador, rico de saberes, fazeres e ofícios”.
Para a Mestra Iara Aparecida, da cidade de Uberlândia em Minas Gerais, integrante do Fórum Nacional das Culturas Populares e Tradicionais, esse reconhecimento é muito importante. “Agora, os mestres e as mestras já têm um código: 33-31-20. Mas não é um simples código, é um passo importante para transformar respeito cultural em direito garantido”. (https://www.institutotijuipe.org.br/)
Foto: Saberes Tradicionais (Silvio Siqueira – Seu Badu) – saberestradicionais.org
CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO Revista Observatório da Diversidade Cultural, volume 104, nº 01/2026 Diversidade Cultural e Ação Comunitária: possibilidades, experiências e desafios Período para submissão: 09 de março a 04 de maio de 2026 A Revista do Observatório da Diversidade Cultural convida pesquisadoras(es), gestoras(es) culturais, educadoras(es), artistas, estudantes, lideranças comunitárias e integrantes de coletivos culturais […]
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