Ana Paula do Val: a constituição do espaço é resultado das construções culturais?

A indagação do título foi o motivo que levou Ana Paula do Val a dedicar sua pesquisa e envolver-se na área cultural. Neste texto integrante da série sobre professores, profissionais e pesquisadores que fazem parte do Observatório da Diversidade Cultural, você conhecerá mais sobre Ana, seu trabalho e também terá informações específicas sobre as aulas que irá ofertar no curso “Mapeamento da Diversidade”.

Uma formação diversa

Ana Paula do Val. Crédito: Camila Lisboa

Ana Paula tem formação muito sólida e diversa: é mestre em Estudos Culturais pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, EACH-USP; especialista em políticas públicas para América Latina, CLACSO; e também em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, França. Tem também duas graduações: uma em Arquitetura e Urbanismo pela Fundação Armando Álvares Penteado e outra em Artes Plásticas pela Schule Belletristik, Alemanha.

Atualmente assessora tecnicamente e metodologicamente mapeamentos sobre práticas artísticas, culturais, ambientais e turísticas, na Baixada Santista (SP) e Vale do Ribeira (SP) para o SESC-SP. Além de realizar um mapeamento de cadeias de produção cultural em quatro estados brasileiros, com recursos do Fundo Internacional da Diversidade Cultural da UNESCO.

Sobre motivações e desafios na área cultural

Ana Paula conta que sua formação em Artes Plásticas contribuiu para a construção de uma ligação mais estreita com a produção cultural. “Essas questões trouxeram desdobramentos que ampliaram meus interesses para as políticas públicas de cultura, abrindo um campo de consultoria em pesquisa, gestão, elaboração de políticas públicas e formação voltado para os aspectos de planejamento e docência no campo cultural”, afirma.

Para a pesquisadora e professora, um dos maiores desafios para compreender a cultura localiza-se em um ponto controverso. “A cultura é ao mesmo tempo ponto de fratura e potência nos tempos em que vivemos atualmente”, afirma Ana, que prossegue com a explicação. “Fratura, pois é mote da disputa pelos territórios, da xenofobia, da intolerância religiosa, do racismo, dentre outras misérias humanas que têm assolado o mundo, sendo a globalização o fio condutor da viralização do ódio. Mas ao mesmo tempo potência, pois somente a cultura como mediadora de diálogos poderá criar pontes de solidariedade e empatia”, conclui.

Identificação, registro e promoção das diversidades culturais

Ana Paula do Val. Crédito: Itaú Cultural/Acervo

Ana Paula levará toda sua experiência e conhecimento à sala de aula para ensinar uma forma de pesquisar sobre a realidade sociocultural. A ideia é explorar o “método de mapeamento sociocultural como ferramenta de identificação, registro e promoção das diversidades culturais que dialogam em um mesmo território”, conta.

O método é bem definido e, de acordo com a professora, tem como objetivo formar e acompanhar agentes culturais locais na identificação e reconhecimento da diversidade das expressões culturais de seus municípios, com ênfase nos espaços e equipamentos culturais. Estes são fazedores de cultura individuais, de coletivos e eventos artístico-culturais regulares, de modo a organizar e disponibilizar as informações coletadas durante a formação.

A minha disciplina é sobre a pesquisa da realidade sociocultural local. Para tanto, trago como método o mapeamento sociocultural como ferramenta de identificação, registro e promoção das diversidades culturais que dialogam em um mesmo território.

Além disso, Ana enumera especificamente quais são os enfoques dessa formação:

  • Contribuir para a formação conceitual e metodológica de agentes culturais locais para o reconhecimento da diversidade cultural local;.
  • Contribuir para o engajamento dos participantes e das instituições e pessoas mapeadas em ações coletivas e colaborativas.
  • Contribuir para a difusão local, regional e nacional dos valores e práticas culturais locais.
  • Exercitar técnicas de coletas de dados e realização de entrevistas.

 

Quando e como participar dos cursos do ODC

O ODC procura sempre oferecer cursos e oficinas para formação de artistas, profissionais da área da cultura e pessoas interessadas no desenvolvimento e promoção da diversidade das expressões culturais. Para participar, os interessados devem acompanhar a programação divulgada sempre no site e Facebook e fazer sua inscrição.

Não deixe de conferir também o perfil dos outros professores: José JúniorCarla LoboJosé Marcio Barros e Sheila Piancó.

Se quiser saber algo mais sobre os cursos do ODC ou nos falar o que acho do perfil de Ana Paula Val, deixe um comentário abaixo. Será um prazer conversar com você!

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