
Ap贸s golpe contra a democracia, diretores temem restri莽茫o de pol铆ticas afirmativas para produ莽玫es negras
O cinema, a principal ferramenta audiovisual para ampliar ideias, por anos, n茫o traduziu a pluralidade de vozes da sociedade, principalmente dos 53% de negros e negras que comp玫em a popula莽茫o do pa铆s. O principal ponto era a dificuldade de acesso a cursos ligados 脿 produ莽茫o cinematogr谩fica.
A promo莽茫o de pol铆ticas afirmativas e editais espec铆ficos dos 煤ltimos anos construiu um novo cen谩rio e a popula莽茫o negra passou a ter acesso (mesmo que incipiente) a universidades historicamente elitizadas, como 茅 o caso das escolas de cinema.
As discuss玫es sobre a vida negra no Brasil ganha na produ莽茫o audiovisual um forte aliado em contraponto 脿 televis茫o, que insiste em estigmatizar a imagem de negros e negras. 鈥淓scolhi a escola de cinema porque n茫o me via na TV, n茫o via as demandas negras muito menos as quest玫es quilombolas na telinha鈥, conta F谩bio Martins, cineasta, nascido e criado no Quilombo do Campinho, localizado em Paraty/RJ.
O cineasta se formou gra莽as a uma parceria do Minist茅rio da Cultura com a Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Logo produziu um document谩rio sobre sua comunidade (veja abaixo). Recentemente, F谩bio foi contemplado com um pr锚mio da Funda莽茫o Nacional de Artes (Funarte) e vai produzir o curta-metragem 鈥淧araty: terra de preto鈥. 鈥淭emos dificuldade de acessar os recursos para realizar produ莽玫es com recorte racial e agora com o golpe, provavelmente as pol铆ticas afirmativas v茫o diminuir e o dinheiro vai voltar para as m茫os de quem sempre ganhou tudo鈥, cr铆tica Martins.
A cineasta baiana Larissa Fulana de Tal (sobrenome escolhido por ela, por acreditar que qualquer um pode sonhar e ocupar espa莽os) tem a mesma percep莽茫o. 鈥淪abemos que editais com recorte racial s茫o parte de uma pol铆tica de governo, n茫o de Estado, sendo assim pode simplesmente desaparecer鈥, comenta.
Com seu coletivo Tela Preta, nascido na Universidade do Rec么ncavo Baiano, Larissa dirigiu tr锚s curtas-metragem 鈥淟谩pis de Cor鈥, 鈥淣茫o somos mais um鈥 e 鈥淐inzas鈥, o mais recente que narra um dia na vida do jovem negro Toni. Todos eles foram realizados dentro de processos afirmativos.
Mulheres Negras
Sidney Santiago, ator e criador da Cia. Os Crespos, j谩 participou de cerca de 10 longas metragens e ao longo de sua carreira foi dirigido apenas uma vez por uma mulher negra, a cineasta Lilian Sol谩 Santiago, em 鈥淕rafite鈥 curta de 2006 sobre os assassinatos de maio. 鈥淔altam alternativas para que possamos ter mais cineastas negros com a proposta de um cinema mais afirmativo racialmente鈥, afirma ele que considera que o cinema ainda 鈥溍 um lugar de privil茅gio鈥.
Para a cineasta Renata Martins, h谩 um protagonismo feminino surgindo de forma intensa nos 煤ltimos anos. 鈥淪茫o mulheres negras que vem apresentando narrativas a partir dos seus lugares de fala鈥, conta. Renata 茅 a diretora do aclamado Aqu茅m das Nuvens e com um coletivo de cerca de 10 mulheres dirige a webs茅rie Empoderadas, que ressalta a trajet贸ria de mulheres negras de diferentes 谩reas.
Ela acredita que ainda n茫o h谩 um canal de sustenta莽茫o de investimento direto 脿s produ莽玫es negras, mas que isso n茫o barra as produ莽玫es. 鈥淓nquanto o dinheiro n茫o vem, encontramos formas de produzir porque o discurso 茅 maior do que o dinheiro鈥, afirma. Como alternativa, ela produz seus pr贸prios projetos e depois, com o material pronto, parte para a capta莽茫o de recursos. 鈥溍 importante remunerar adequadamente as pessoas envolvidas鈥, finaliza.
Fonte: Brasil de Fato
Imagem: Cena do curta L谩pis de Cor, de Larrisa Fulana de Tal / Divulga莽茫o
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