Em evento realizado entre os dias 4 e 5 de junho, em S茫o Paulo, especialistas da UNESCO defenderam a implementa莽茫o de uma pol铆tica nacional, clara e articulada sobre o tr谩fico il铆cito de bens culturais. Embora a ag锚ncia da ONU tenha, desde 1970, uma conven莽茫o sobre o tema, que o Brasil assinou em 1973, n茫o houve grandes a莽玫es para combater o problema, segundo representantes do organismo internacional.
Com cerca de 550 de participantes, o semin谩rio Prote莽茫o e Circula莽茫o de Bens Culturais: Combate ao Tr谩fico Il铆cito foi promovido pelo Minist茅rio da Cultura e o Ita煤 Cultural, institui莽茫o que esteve envolvida em uma pol锚mica de roubo de obras de arte. Sem saber, o instituto adquiriu na Inglaterra oito gravuras que haviam sido roubadas da Biblioteca Nacional em 2014.
As imagens foram devolvidas 脿 Biblioteca, mas o epis贸dio levantou o debate de que, embora o Brasil possua leis e bancos de dados para esse tipo de ocorr锚ncia, o pa铆s ainda n茫o tem uma pol铆tica p煤blica voltada para combater esse crime.
Para o especialista da sede da UNESCO, 脡douard Planche, que participou do semin谩rio, esse 茅 o caso de muitas outras na莽玫es. O funcion谩rio da ag锚ncia da ONU lembrou que o epis贸dio do Ita煤 Cultural foi um dos poucos em todo o mundo com um 鈥渇inal feliz鈥.
鈥淯ma vez que bens culturais s茫o roubados j谩 茅 tarde demais. 脡 muito dif铆cil restituir esses objetos e eles acabam indo parar em feiras de antiguidade ou sendo vendidos pela internet e 茅 muito dif铆cil rastre谩-los鈥, afirmou Planche.
Desde 1970, a UNESCO conta com a Conven莽茫o Relativa 脿s Medidas a serem Adotadas para Proibir e Impedir a Importa莽茫o, Exporta莽茫o e Transfer锚ncia de Propriedades Il铆citas dos Bens Culturais. O documento 茅 o principal instrumento normativo em n铆vel internacional sobre o tema.
Um dos objetivos do encontro em S茫o Paulo era impulsionar os debates para a cria莽茫o de uma pol铆tica nacional sobre esse tipo de infra莽茫o. Para o ministro da Cultura, S茅rgio S谩 Leit茫o, o enfrentamento ao crime exige uma ampla coopera莽茫o intragovernamental, entre os minist茅rios (Cultura, Rela莽玫es Exteriores, Justi莽a, Fazenda, Educa莽茫o, Turismo) e o Minist茅rio P煤blico, as pol铆cias e a Receita Federal. 脡 necess谩rio ainda o engajamento da sociedade civil e do setor privado.
Tamb茅m presente no semin谩rio, a representante interina da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, ressaltou que a implementa莽茫o da Conven莽茫o de 1970 茅 um assunto 谩rido. Segundo a dirigente, apesar de o documento existir desde 1970 e de o Brasil ser signat谩rio desde 1973, n茫o h谩 registros de grandes a莽玫es no que se refere 脿 promo莽茫o do tema.
Lembrando que um dos pilares da conven莽茫o 茅 a coopera莽茫o, Noleto elogiou a participa莽茫o de diferentes atores no evento.
鈥淎 presen莽a ampliada de parceiros 鈥 como a Pol铆cia Federal e o Minist茅rio P煤blico 鈥 no evento 茅 fundamental no estabelecimento de uma a莽茫o articulada e cooperativa para que possamos cumprir com o primeiro pilar da Conven莽茫o, que 茅 a preven莽茫o ao tr谩fico il铆cito. E uma vez que n茫o seja poss铆vel cumprir esse primeiro pilar, a coopera莽茫o tamb茅m 茅 necess谩ria para se fazer cumprir ent茫o o segundo pilar, que 茅 a restitui莽茫o dos bens鈥, disse a representante.
O coordenador-geral de Coopera莽茫o e Rela莽玫es Internacionais do Minist茅rio da Cultura, Adam Muniz, defendeu a necessidade de capacitar profissionais, oferecendo informa莽玫es sobre marcos internacionais, regionais e nacionais. Entre eles, est茫o dois instrumentos da UNESCO: a Conven莽茫o de 1970 e a Recomenda莽茫o referente 脿 Prote莽茫o e Promo莽茫o dos Museus e Cole莽玫es, sua Diversidade e seu Papel na Sociedade (2015).
Pol铆tica nacional
脡douard Planche v锚 como positiva a iniciativa do Minist茅rio da Cultura de criar uma pol铆tica nacional, aproveitando o aprendizado com o caso do Ita煤 Cultural. 鈥淎credito que as autoridades brasileiras est茫o realmente comprometidas a avan莽ar neste assunto e procuraram o suporte da UNESCO para construir uma pol铆tica nacional real, uma estrat茅gia para fortalecer a coopera莽茫o na Am茅rica Latina, nos pa铆ses fronteiri莽os e tamb茅m para que o Brasil possa ser mais proativo na implementa莽茫o da Conven莽茫o de 1970.鈥
O escrit贸rio da UNESCO no Brasil tamb茅m est谩 colaborando com a constru莽茫o da pol铆tica. Por meio de um projeto de coopera莽茫o t茅cnica internacional com o Minist茅rio da Cultura, um estudo est谩 sendo realizado para auxiliar a elabora莽茫o da nova estrat茅gia.
Dentre as recomenda莽玫es sugeridas no evento est谩 a cria莽茫o de um Conselho Nacional, estabelecido por meio de decreto presidencial e encabe莽ado pelo Minist茅rio da Justi莽a. Participariam dessa entidade os atores governamentais envolvidos, assim como representantes da iniciativa privada e do terceiro setor.
Outra recomenda莽茫o 茅 a cria莽茫o de uma 鈥渓ista vermelha鈥 brasileira 鈥 um cat谩logo gerenciado pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), que identifica bens culturais em perigo e em 谩reas vulner谩veis, a fim de prevenir a venda e a exporta莽茫o il铆citas.
O semin谩rio foi realizado com a coopera莽茫o da UNESCO no Brasil e do Comit锚 Brasileiro do ICOM. Teve ainda o apoio do Minist茅rio das Rela莽玫es Exteriores, do Instituto do Patrim么nio Hist贸rico e Art铆stico Nacional (IPHAN), do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e da Funda莽茫o Biblioteca Nacional (FBN).
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