Engin Akyurt聽por聽Pixabay聽

NOT脥CIAS

Declara莽茫o dos Direitos Humanos, 70 anos, 茅 muito xingada, mas pouco lida

Foto capa: Engin Akyurt聽por聽Pixabay

REPRODU脟脙O: UOL

A import芒ncia dos direitos humanos rivaliza apenas com a ignor芒ncia de parte da sociedade sabre eles. H谩 um naco consider谩vel de brasileiros que acredita que “direitos humanos” s茫o um grupo de pessoas que ficam de um lado para o outro defendendo bandidos.

Essa 茅 a consequ锚ncia de anos de programas sensacionalistas na TV e no r谩dio que venderam a ideia de que essas organiza莽玫es resumem os tais “direitos humanos”. Id茅ia, diga-se de passagem, distorcida. Porque tais entidades querem que sejam cumpridas todas as leis. Como as que dizem que o Estado n茫o pode torturar e matar como fazem alguns bandidos.

Ou que direitos humanos s茫o uma coisa de “comunista”. Ignoram que o texto da Declara莽茫o Universal dos Direitos Humanos, o principal documento norteador desses princ铆pios, teve forte influ锚ncia das democracias liberais. E incluiu at茅 o direito 脿 propriedade privada, sob criticas dos pa铆ses socialistas.

Esse preconceito tamb茅m existe pela falta de tratamento sobre direitos humanos na sala de aula. Por ser um par芒metro curricular nacional deveria estar presente na educa莽茫o b谩sica de forma transversal – ou seja, tratado em todas as disciplinas.

Mas raramente est谩. E n茫o 茅 porque causa do equivoco chamado Escola Sem Partido, mas por conta da Escola Sem Recursos da Escola Sem Forma莽茫o Continuada dos Professores, da Escola Sem Sal谩rios Decentes, da Escola Sem Alunos Motivados, da Escola Sem Livros, entre outros movimentos que d茫o muito certo por aqui desde sempre.

0 que s茫o direitos humanos, afinal? Grosso modo, e aquele pacote b谩sico de dignidade que voc锚 deve ter acesso simplesmente por ter nascido. Independentemente de ra莽a, sexo, nacionalidade, etnia, idioma. religi茫o ou
qualquer condi莽茫o.

Se esse pacote b谩sico fosse respeitado, n茫o haveria fome, crian莽as trabalhando, idosos deixados para morrer a pr贸pria sorte, pessoas vivendo sem um teto. N茫o ter铆amos uma taxa pornogr谩fica de quase de 64 mil homic铆dios por ano, nem explora莽茫o sexual de crian莽as e adolescentes, muito menos trabalho escravo. Aos migrantes pobres seria garantida a mesma dignidade conferida a migrantes ricos. Todas as cren莽as seriam respeitadas e a n茫o-cren莽as tamb茅m.

A liberdade de express茫o seria defendida, mas os incitadores de crimes contra a dignidade seriam responsabilizados. Se direitos humanos fossem efetivados, n茫o ter铆amos mulheres sendo estupradas, negros ganhando menos do que brancos e pessoas morrendo por amar algu茅m do mesmo sexo. Ter铆amos a garantia de ar respir谩vel e agua pot谩vel.

脡 claro que os direitos humanos n茫o come莽am com o documento que completa 70 anos, nesta segunda (10). E uma longa caminhada pela hist贸ria da humanidade, em que fomos pressionando governantes a n茫o tolherem direitos civis e pol铆ticos, mas tamb茅m para que o Estado agisse a fim de garantir direitos sociais, econ么micos, culturais, ambientais.

Mas tratemos da Declara莽茫o, nosso documento mais relevante, o mundo, ainda em choque com os horrores da Segunda Guerra Mundial, produziu a Declara莽茫o Universal dos Direitos Humanos para tentar evitar que esses horrores se repetissem. De certa forma, como mesmo objetivo, o Brasil, ainda olhando para as feridas de 21 anos de ditadura militar, sentou-se para escrever a Constitui莽茫o Federal de 1988. Ambos n茫o s茫o documentos perfeitos, longe disso. Mas, com todos seus defeitos, ousam proteger a dignidade e a liberdade de uma forma que, se hoje sent谩ssemos para formul谩-los, n茫o conseguir铆amos.

E depois de grandes momentos de dor que estamos mais abertos para olhar o futuro e desejar que o sofrimento igual nunc a mais se repita. Desde ent茫o, n茫o vivemos uma guerra como aquela entre 1939 e 1945, muito menos um per铆odo de exce莽茫o quanta 1964 e 1985. Acabamos nos acostumando. E esquecendo. E banalizando.

E, por isso, ao completar 70 anos de sua proclama莽茫o pela Assembleia Geral das Na莽玫es Unidas, a Declara莽茫o Universal dos Direitos Humanos tem sido v铆tima de ataques. Tal como a Constitui莽茫o, que completou 30 anos em outubro. Elegemos l铆deres ao redor do mundo que chamam os direitos humanos de ultrapassados ou fake news quando, em verdade. E, por conta disso, esses princ铆pios s茫o mais necess谩rios do que nunca.

Minha gera莽茫o herdou esses textos – um de nossos avos e outro de nossos pais. Agora, precisamos ensinar a gera莽茫o de nossos filhos sua pr贸pria hist贸ria sob o risco de que o esp铆rito presente em 1948 e 1988 se perca por desconhecimento.

Discursos mis贸ginos, homof么nicos, fundamentalistas e violentos t锚m atra铆do rapazes que, acreditando serem revolucion谩rios e contestadores, na verdade agem de forma a manter as coisas como sempre foram. Creem que est茫o sendo subversivos lutando contra a “ditadura do politicamente correto” – que, na pratica, se tornou uma forma pejorativa de se referir aos direitos b谩sicos que temos por termos nascido humanos.

Parte dos jovens tamb茅m abra莽a esses discursos como rea莽茫o as tentativas de inclus茫o de grupos historicamente exclu铆dos, como mulheres, negros, popula莽茫o LGBTT. H谩 rapazes que veem na luta por direitos iguais por parte de suas colegas de classe ou de coletivos feministas uma perda de privil茅gios que hoje nos, os homens temos. Nesse contexto, influenciadores digitais, formadores de opini茫o e guias religiosos ajudam a fomentar, com seus discursos violentos e irrespons谩veis, uma resposta agressiva dos rapazes a luta das jovens mulheres e outras minorias pelo direito b谩sico a n茫o sofrerem viol锚ncia.

E exatamente nesses momentos de dificuldade que precisamos nos lembrar da caminhada que nos trouxe ate aqui. Para ter a clareza de que, mais importante do que reinventar todas as regras, 茅 tirar do papel, pela primeira vez, a sociedade que um dia imaginamos frente aos horrores da guerra ou da ditadura. 0 que s贸 se far谩 com muito di谩logo e a promessa de garantia desse quinh茫o m铆nimo de dignidade.

Infelizmente, para algumas pessoas pol铆tica e economicamente poderosas, os direitos humanos do alto de seus 70 anos, s茫o vistos como um problema incomodo a ser imolado no altar do crescimento econ么mico ou em nome de Deus e da chamada “tradi莽茫o”.

Portanto, devemos encarar todas as conquistas nessa 谩rea, desde 10 de dezembro de 1948, como portas que, depois de muito sacrif铆cio, conseguimos abrir no muro da opress茫o e da injusti莽a. Portas que, se n茫o forem monitoradas bem de perto, se fechar茫o novamente na nossa cara.

E o trabalho come莽a por explicar a toda pessoa que xinga os direitos humanos que, ao fazer isso, ela chama a si mesma de lixo.

Deixe aqui o seu comentario

Todos os campos devem ser preenchidos. Seu e-mail n茫o ser谩 publicado.

ACONTECE

Chamada para publica莽茫o 鈥 Boletim 103, N. 01/2025

CHAMADA PARA PUBLICA脟脙O – Boletim 103, n潞 01/2025 Os 20 anos da Conven莽茫o sobre a Prote莽茫o e Promo莽茫o da Diversidade das Express玫es Culturais Per铆odo para submiss茫o: 21 de maio a 08 de setembro de 2025   Este ano a Conven莽茫o sobre a Prote莽茫o e Promo莽茫o da Diversidade das Express玫es Culturais promulgada pelos pa铆ses membros da […]

CURSOS E OFICINAS

Gest茫o Cultural para Lideran莽as Comunit谩rias – Online

O Observat贸rio da Diversidade Cultural, por meio da Lei Municipal de Incentivo 脿 Cultura de Belo Horizonte, patroc铆nio do Instituto Unimed, realiza o ciclo de forma莽茫o GEST脙O CULTURAL PARA LIDERAN脟AS COMUNIT脕RIAS. Per铆odo de realiza莽茫o: 10, 17 e 24 de outubro de 2024 Hor谩rio: Encontros online 脿s quintas-feiras, de 19 脿s 21h00 Carga hor谩ria total: 6 […]

Mais cursos