REPRODU脟脙O: NEXO JORNAL
Em fase de testes, aplicativo concede benef铆cio de 500 euros a jovens de 18 anos, que podem ser gastos em eventos e produtos que v茫o de museus a videogames聽

Parece o Tinder, mas em vez de potenciais parceiros, o usu谩rio recebe sugest玫es de eventos e atividades culturais. O que n茫o agradar pode ser descartado com um movimento de deslizar para a esquerda. Se h谩 interesse, 茅 s贸 passar os dedos para o outro lado para receber mais informa莽玫es sobre a atra莽茫o.
Iniciativa do minist茅rio da cultura franc锚s, o aplicativo Pass Culture disponibilizar谩 500 euros de cr茅dito para serem gastos em atividades culturais. A novidade, uma promessa de campanha do presidente Emmanuel Macron, tem a inten莽茫o de facilitar o acesso de jovens 脿s artes e 脿 cultura, em especial aqueles de 谩reas pobres e desprovidas de op莽玫es. O benef铆cio se encontra em fase de testes e, se bem-sucedido, ser谩 disponibilizado nacionalmente.
Lan莽ado em agosto de 2018, o programa vem ampliando seu alcance. Hoje, conta com mais de 12 mil inscritos em cinco departamentos franceses. Para se candidatar, 茅 preciso ter 18 anos completos e nacionalidade francesa, su铆莽a ou de pa铆ses da Uni茫o Europeia ou do Mercado Comum Europeu. Pessoas morando em territ贸rio franc锚s legalmente por pelo menos um ano tamb茅m s茫o eleg铆veis.
Os respons谩veis pelo programa garantem que o algoritmo do aplicativo privilegia op莽玫es p煤blicas, independentes e locais, em vez de ofertas de grandes produtores privadas de conte煤do. O app funciona com georreferenciamento, ou seja, se baseia em dados da localiza莽茫o do usu谩rio para oferecer alternativas pr贸ximas.
O cr茅dito 茅 n茫o-renov谩vel e precisa ser usado no per铆odo de um ano, em bens, eventos e atividades que fa莽am parte do esquema. A lista 茅 diversa: inclui museus, galerias de arte, espet谩culos teatrais de com茅dia, filmes de sucesso de Hollywood, videogames com boa avalia莽茫o da cr铆tica, livros did谩ticos, servi莽os de streaming de m煤sica e cursos de pintura, dan莽a ou desenho.
Inscritos no benef铆cio poder茫o ainda receber um cr茅dito extra de 200 euros para gastar em materiais e produtos culturais como downloads ou streaming de m煤sica e livros, ferramentas de produ莽茫o audiovisual, instrumentos musicais, confer锚ncias online, videogames e audiolivros.
Diversidade cultural
A variedade do card谩pio, que inclui da 鈥渁lta cultura鈥 a produtos de massa, motivou discuss玫es na Fran莽a. Para alguns, n茫o faz sentido o governo franc锚s bancar a ida de um jovem para ver 鈥淪tar Wars鈥. 鈥淭odos os jovens podem ir assistir a esse filme鈥, pontuou Richard Brunel, diretor do Centro Nacional das Artes Dram谩ticas, ao jornal Le Monde. 鈥淣茫o h谩 necessidade dele estar dispon铆vel no passe鈥.
Entretanto, h谩 quem considere esse posicionamento elitista. 鈥淎 cultura francesa est谩 presa em um tipo de aristocracia. 鈥楽tar Wars鈥 deveria certamente fazer parte das op莽玫es do Pass Culture鈥, afirmou Fabrice de Boni, diretor de televis茫o.
Os respons谩veis pelo programa garantem que o algoritmo do aplicativo privilegia op莽玫es p煤blicas, independentes e locais, em vez de ofertas de grandes produtores privadas de conte煤do. O app funciona com georreferenciamento, ou seja, se baseia em dados da localiza莽茫o do usu谩rio para oferecer alternativas pr贸ximas.
Al茅m disso, a l贸gica das sugest玫es do Pass Culture dever谩 favorecer a diversidade, de acordo com os criadores. Ser谩 o oposto do princ铆pio de plataformas como Spotify ou Netflix, de propor itens similares ao conte煤do consumido.
Entre os cr铆ticos da iniciativa est谩 o ex-ministro da cultura Jack Lang, integrante do gabinete do presidente Fran莽ois Mitterrand. Em uma entrevista a uma r谩dio francesa em agosto de 2018, ele disse que 鈥渘茫o estava convencido鈥 da efic谩cia do projeto. E lembrou que, na It谩lia, uma proposta similar beneficiou 鈥渙 puro entretenimento, acima de tudo鈥. 鈥淥s jovens n茫o cresceram culturalmente鈥, declarou.
O b么nus italiano
Em setembro de 2016, o governo italiano lan莽ou um subs铆dio similar de 500 euros para jovens com mais de 18 anos. Conhecido como 鈥渂么nus cultural鈥, o benef铆cio foi criado pela gest茫o de centro-esquerda do primeiro-ministro Matteo Renzi.
脌 茅poca do an煤ncio do projeto, em 2015, Renzi explicou que ele daria aos jovens 鈥渁 consci锚ncia simb贸lica do que significa ser um adulto na It谩lia 鈥 um protagonista e herdeiro do maior patrim么nio cultural do mundo鈥.
A lista de atra莽玫es e produtos que podem ser compradas com o b么nus foi expandida em 2018. Passou a incluir, por exemplo, servi莽os de streaming e discos de m煤sica. Antes, ele s贸 era v谩lido para shows ao vivo. Outras possibilidades permitidas pelo programa incluem compra de livros online, ingressos para museus e cursos de m煤sica, teatro e l铆ngua estrangeira.
Segundo dados do governo, em 2016 e 2017 o principal uso do benef铆cio foi a compra de livros, em lojas f铆sicas ou pela internet. Os jovens italianos gastaram mais de 160 milh玫es de euros do b么nus nesses dois tipos de compra. Em segundo lugar, vieram shows, com 14,5 milh玫es de euros, e em terceiro, o cinema, com 11,5 milh玫es de euros.
Um efeito inesperado do b么nus foi a cria莽茫o de um 鈥渕ercado negro鈥 do benef铆cio. No Facebook, inscritos no programa ofereciam seu cr茅dito integral para terceiros pelo pre莽o de 250 euros. 鈥溍 bom para voc锚 porque conseguir谩 comprar livros pela metade do pre莽o. Eu tamb茅m me beneficio, j谩 que n茫o sou muito de ler鈥, escreveu um usu谩rio na rede social.
O Vale Cultura brasileiro
Em 2013, o governo Dilma Rousseff implementou o Vale Cultura. Pelo programa, um trabalhador com renda de at茅 cinco sal谩rios m铆nimos, com carteira de trabalho assinada, poderia receber todo m锚s um vale de R$ 50, na forma de um cart茫o magn茅tico (que custava R$ 5). O benef铆cio podia ser usado para ingressos de cinema, teatro e museus, assim como para a compra de livros, revistas, CDs ou DVDs.
As empresas que ofertassem o benef铆cio a seus funcion谩rios tinham direito de abater do Imposto de Renda o valor de cada Vale Cultura concedido. O prazo do incentivo fiscal expirou em 2016, mas o benef铆cio, n茫o. Entretanto, sem a possibilidade de desconto no IR, diversas empresas abandonaram o programa em 2017.
Uma reportagem do Jornal do Com茅rcio, de dezembro de 2017, levantou que a categoria dos banc谩rios, por exemplo, deixou de receber o benef铆cio. Segundo o acordo coletivo feito com a Febraban (Federa莽茫o Brasileira de Bancos), o repasse s贸 estava garantido se houvesse o incentivo fiscal.
Dados do ent茫o Minist茅rio da Cultura, de 2014, mostravam que 89% dos benefici谩rios do Vale Cultura gastaram o dinheiro para comprar livros, revistas e jornais, totalizando R$ 5,3 milh玫es entre janeiro e maio daquele ano. Em seguida, veio o cinema, com R$ 370 mil utilizados. Em 2016, o n煤mero de inscritos do benef铆cio ultrapassava meio milh茫o de trabalhadores.
Segundo os dados mais recentes dispon铆veis da Secretaria de Fomento e Incentivo 脿 Cultura (Sefic), em 2017, havia 536.798 trabalhadores inscritos no programa e 9.552 empresas cadastradas.聽
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