Foto: Ricardo Stuckert
A cultura ocupou lugar de destaque nas elei莽玫es presidenciais brasileiras de 2022. Ela ainda n茫o conquistou a posi莽茫o de centralidade, como os fazedores de cultura almejam. Como nunca, tal meta esteve pr贸xima de ser alcan莽ada. As diversas refer锚ncias de Lula 脿 tem谩tica atestam o agendamento da cultura na campanha e entre as preocupa莽玫es do presidente eleito.
Diferentes fatores mobilizaram a cultura a ocupar tal posi莽茫o. Alguns deles nasceram da din芒mica de atitudes, posturas e manifesta莽玫es do campo cultural a favor da pluralidade, da diversidade e das liberdades, caras ao ambiente democr谩tico e 脿 vida cultural ativa. Outros derivaram da resist锚ncia 脿 atua莽茫o da extrema-direita, que tomou o poder nacional e declarou uma guerra cultural contra todas as manifesta莽玫es de culturas emancipadoras e buscou impor a monocultura autorit谩ria, fundamentalista e negacionista.
Com exce莽茫o dos cantores聽sertanejos do聽agroneg贸cio e de outros poucos fazedores 脿 direita de cultura, o campo cultural assumiu papel de oposi莽茫o 脿 gest茫o Messias Bolsonaro. Ele enfrentou lutas cotidianas e espec铆ficas contra o maltrato bolsonarista da cultura: censura, persegui莽玫es, cortes de or莽amento, viol锚ncias f铆sicas e simb贸licas. O campo cultural conseguiu se organizar, unir e empreender lutas mais amplas, em especial, relativas 脿s leis vitoriosas e federativas de apoio 脿 cultura: Aldir Blanc I, Paulo Gustavo e Aldir Blanc II. Na luta, os ativistas da cultura sensibilizaram e fomentaram alian莽as com setores relevantes do parlamento, com 锚nfase para os democr谩ticos e de esquerda.
A cultura colocada em cena pela guerra cultural bolsonarista e pela luta democr谩tica do campo cultural esteve na agenda do ambiente pol铆tico-eleitoral. A cultura soube expressar os anseios e ang煤stias de amplos setores democr谩tico-populares, apreensivos com a destrui莽茫o de liberdades, direitos, soberania nacional e civilidade, que marcam de modo brutal a gest茫o Messias Bolsonaro. A sintonia entre as manifesta莽玫es culturais e o grave momento vivenciado pelo povo brasileiro se tornou not谩vel durante o processo pol铆tico-eleitoral.
Os n煤meros eleitorais em sua frieza, por vezes, escondem a expressiva vit贸ria de Lula e das for莽as democr谩ticas em uma das elei莽玫es mais arbitr谩rias, desiguais, violentas e antidemocr谩ticas j谩 vividas no pa铆s. A campanha oficial destruiu normas b谩sicas de garantia de uma disputa eleitoral equ芒nime e utilizou de modo escandaloso: o raivoso antipetismo constru铆do pela grande m铆dia oligopolista; a cruel combina莽茫o de 贸dio, viol锚ncia e medo; o gigantesco or莽amento secreto; os enormes apoios financeiros de empres谩rios; a corrup莽茫o e compra de apoios e votos; a coa莽茫o a trabalhadores do campo e da cidade; o intenso ass茅dio eleitoral; a politiza莽茫o das igrejas fundamentalistas evang茅licas e cat贸licas impondo voto quase obrigat贸rio; a prolifera莽茫o das聽fake news, em especial relativas a chamada pauta dos costumes; a manipula莽茫o escancarada de dados oficiais; a mobiliza莽茫o de for莽as armadas para interferir nas elei莽玫es; a desenfreada instrumentaliza莽茫o eleitoral de todo aparelho do estado nacional. Enfim, a degrada莽茫o do que restava de democracia e de cultura democr谩tica no Brasil, depois do golpe de 2016, da gest茫o golpista de Temer, das elei莽玫es antidemocr谩ticas de 2018 e da extrema-direita no poder federal, a partir de 2019.
A gigantesca vit贸ria de Lula e das for莽as democr谩ticas interrompe tal processo. Mas a interdi莽茫o e a supera莽茫o da degrada莽茫o do pa铆s, em todas as suas dimens玫es, exigem clareza e habilidade na atua莽茫o frente aos grav铆ssimos desafios e problemas derivados do profundo retrocesso pol铆tico-social, que atingiu o Brasil. O texto trata de um deles: como encarar o tema da cultura?
No contexto da imprescind铆vel reconstru莽茫o do pa铆s cabe discutir o lugar que a cultura ir谩 ocupar no processo de refunda莽茫o do Brasil. Ela n茫o pode continuar a ser tratada como ornamento secund谩rio, que sempre 茅 mobilizada no calor da campanha pol铆tico-eleitoral. Carente de cultura democr谩tica, a reconstru莽茫o na na莽茫o brasileira n茫o ter谩 presente, nem futuro, sem o enfrentamento da quest茫o cultural com cuidadosa aten莽茫o. O tema da cultura emerge como vital para que a refunda莽茫o aconte莽a em novas bases radicalmente democr谩ticas.
A cultura e o campo cultural, al茅m de cotidianamente continuar a exercitar a imagina莽茫o e sensibilizar a sociedade, os partidos e agentes pol铆ticos democr谩ticos, deve assumir o compromisso com a cria莽茫o, difus茫o e preserva莽茫o de uma cultura, que n茫o se conceba como et茅rea e neutra. Como se constata no Brasil atual, a cultura n茫o est谩 脿 margem do mundo. Ela, como qualquer fen么meno humano-social, 茅 disputada por contradi莽玫es, lutas e tens玫es pol铆tico-culturais, que atravessam a sociedade. Entretanto, n茫o se trata, sem mais, de guerra cultural, pois ela sempre pretende a transforma莽茫o do advers谩rio em inimigo a ser destru铆do. Antes se busca uma salutar disputa pol铆tico-cultural-est茅tica-cient铆fica, que estimule criatividade, inven莽茫o, inova莽茫o e imagina莽茫o; preserve e promova alteridade, pluralidade e diversidade e constitua, atrav茅s desses fundamentos, a din芒mica cultural e a vida democr谩tica.
O novo Brasil, que todos almejamos e lutamos para 2023, n茫o pode se contentar com os just铆ssimos e necess谩rios desenvolvimentos das mais diversas 谩reas culturais. Eles, por mais importantes que sejam, sozinhos n茫o bastam. A triste conjuntura, que sobrevivemos desde 2016 e mais especificamente desde 2019, colocou em cena, de modo cruel, a necessidade vital do desenvolvimento, efetividade e consolida莽茫o da cidadania cultural e de uma cultura cidad茫 e democr谩tica no pa铆s, t茫o fragilizado por sua aus锚ncia. A sociedade civil e pol铆tica brasileiras; as for莽as democr谩ticas e de esquerda; os artistas, intelectuais, mestres populares, professores e demais fazedores de cultura devem colocar, com prioridade, na agenda p煤blica o tema da cultura cidad茫 e democr谩tica e da cidadania cultural. Ele 茅 vital para o enfrentamento pol铆tico-cultural imprescind铆vel para a democratiza莽茫o da sociedade e do estado brasileiros e para que a barb谩rie sofrida nos anos atuais n茫o se repita.
Antonio Albino聽Canelas Rubim聽茅 pesquisador e professor da UFBA
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se cada um de nos fizer nossa parte, com certeza teremos um mundo melhor.